Vale (VALE3): minério mais barato, desaceleração da China e provisão bilionária de Mariana — como tudo isso deve afetar os resultados do 3T24?
A mineradora apresentou dados operacionais que agradaram o mercado e, logo depois, anunciou os termos finais de um possível acordo sobre o rompimento da barragem do Fundão

A Vale (VALE3) encheu o mercado de esperança quando divulgou, na semana passada, a prévia operacional do terceiro trimestre de 2024 com números de produção acima das projeções e revisão positiva do guidance — compensando parcialmente a queda do preço do minério de ferro. Mas uma proposta de R$ 170 bilhões para reparar o desastre em Mariana (MG) pode deixar um buraco bilionário no balanço da mineradora.
A companhia apresenta nesta quinta-feira (24), após o fechamento do mercado, o resultado financeiro de julho a setembro. Os números devem trazer uma baixa de US$ 956 milhões (R$ 5,3 bilhões), de acordo com cálculos da própria empresa, referentes ao acordo com a Samarco, a BHP e os órgãos públicos, relativos ao rompimento da barragem do Fundão, ocorrido em 2015.
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Segundo as previsões da Bloomberg, a Vale deve apresentar a noite de hoje:
| Em reais | Em dólares | |
| Lucro líquido | R$ 10,746 bilhões (-26,4%) | US$ 1,892 bilhão (-31,7%) |
| Receita | R$ 55,282 bilhões (+6,9%) | US$ 9,732 bilhões (-1,90%) |
| Ebitda | R$ 20,518 bilhões (-1,54%) | US$ 3,612 bilhões (-9,54%) |
| Lucro por ação | 2,337 (-26%) | US$ 0,411 (-36,9%) |
Para Ruy Hungria, analista da Empiricus Research, a provisão adicional feita pela Vale com relação a Mariana deve atrapalhar os resultados do terceiro trimestre — mas pode não ser uma notícia tão ruim assim para o mercado.
“Em tese, a provisão adicional de US$ 956 milhões vai ser abatida dessas projeções de lucro para o terceiro trimestre, mas o fato é que o mercado esperava uma provisão ainda maior, entre US$ 1 bilhão e US$ 2 bilhões”, afirma.
O que esperar da Vale no 3T24 então?
A Vale reportou produção de 91 milhões de toneladas (mt) de minério de ferro entre julho e setembro, um aumento de 5,5% em relação ao mesmo período do ano anterior e o maior volume desde o terceiro trimestre de 2018. As vendas, incluindo pelotas, somaram 81,8 mt, alta de 1,6% na mesma base de comparação.
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Segundo o Bank of America (BofA), a produção e as vendas da Vale no terceiro trimestre representam uma virada operacional da companhia.
Com base nesses números, o BofA diz que o Ebitda (lucros antes de Juros, impostos, depreciação e amortização) estimado para o trimestre, de US$ 3,6 bilhões, ainda é realista, uma vez que a mineradora não alterou o guidance de produção para os metais com que trabalha para 2024:
- de 323 a 330 mt para minério de ferro
- de 38 a 42 mt para pelotas
- de 320 a 355 kt para cobre
- de 153 a 168 kt para níquel
Com base no desempenho de produção e vendas do terceiro trimestre de 2024, o Goldman Sachs ajustou a previsão de Ebitda de US$ 3,9 bilhões para US$ 3,7 bilhões, uma redução de 5%, devido principalmente aos preços mais baixos do minério de ferro no período.
Já nos cálculos do Safra, o Ebitda da Vale pode chegar a US$ 3,9 bilhões no terceiro trimestre, considerando os embarques e os preços realizados no período pela mineradora. A previsão anterior do banco era de US$ 3,6 bilhões.
“A superação em todos os aspectos nos preços realizados e volumes de níquel e, em menor grau, de cobre deve mais do que compensar os embarques de pelotas abaixo das expectativas do banco”, avalia o Safra.
Os resultados de produção e vendas da Vale do terceiro trimestre deste ano mantiveram as expectativas do Santander de que a mineradora deve reportar Ebitda US$ 3,5 bilhões.
As ações VALE3
A desaceleração da China e a queda do preço do minério de ferro não facilitam o caminho da Vale em 2024: as ações VALE3 acumulam perda de mais de 15% no ano.
Mas nem tudo está perdido para a mineradora. Os preços da commodity têm ensaiado uma recuperação e, embora o Goldman aponte que o preço das ações da Vale não acompanhou o aumento recente do preço do minério, espera-se uma melhoria à medida que a companhia avança nos esforços para aumentar a rentabilidade.
"Isso inclui tanto melhorias operacionais quanto a resolução de questões pendentes, como o acordo com a Samarco. A Vale é negociada atualmente com múltiplo de 4,7 vezes o EV/Ebitda previsto para 2025, com um rendimento de fluxo de caixa livre de 8% para o mesmo ano, o que representa um desconto de 25% em relação aos pares", diz o Goldman em relatório.
Os analistas do BTG Pactual não são tão otimistas com a mineradora. "A Vale tem enfrentado volatilidade, influenciada por especulações sobre estímulos chineses, uma previsão desafiadora. Apesar dos avanços operacionais recentes, optamos por manter uma posição cautelosa por enquanto por conta disso", afirmam.
O BTG tem recomendação neutra para Vale, com preço-alvo de US$ 12 para o ADR da mineradora.
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