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Depois de conseguir aumentar as entregas entre julho e setembro, a fabricante de carros elétricos volta a surpreender com resultados financeiros acima do esperado e o mercado parece que gostou do que viu — pelo menos à primeira vista
Mágica é definida no dicionário como a criação de ilusão por meio de truques e artifícios, especialmente, de agilidade. E isso é está muito longe do que Elon Musk fez com a Tesla (TSLA34) no terceiro trimestre.
Embora não tenha nada de ilusão dos números, o bilionário foi rápido ao lançar mão de alguns truques e artifícios para conseguir que a fabricante de carros elétricos atingisse um resultado acima do esperado entre julho e setembro — um desempenho que fez as ações TSLA subirem quase 10% no after market desta quarta-feira (23) em Nova York.
E vale lembrar que essa performance foi alcançada mesmo com a Tesla oferecendo incentivos financeiros para aumentar a demanda pela linha de veículos elétricos antigos.
"Importante salientar que apesar do entusiasmo de parte dos investidores com a tese por conta de tecnologias como o robô-táxi e os investimentos ligados à Inteligência Artificial (que teve um aumento de poder computacional de 75% no trimestre), ainda estamos falando de uma empresa cujo principal resultado advém da linha automotiva", disse o analista da Empiricus Research, Enzo Pacheco.
Segundo ele, os investidores que gostam da tese tem que estar ciente do valuation da companhia — negociando por quase 70 vezes os lucros projetados para 2025 e mais de 27 vezes EV/Ebitda.
"Considerando que ainda se trata de uma empresa com boa parte de suas operações dependente do setor automotivo, os preços atuais parecem desconsiderar os riscos que estão surgindo no segmento de veículos elétricos", acrescenta Pacheco.
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O lucro líquido da Tesla somou US$ 2,167 bilhões entre julho e setembro, um resultado 17% maior do que o obtido no mesmo período do ano anterior.
Diluído por ação, o lucro foi de US$ 0,62, também 17% superior na mesma comparação, e acima da projeção de US$ 0,59 de analistas consultados pela FastSet.
A receita automotiva da Tesla no período aumentou 2%, para US$ 20 bilhões, de US$ 19,63 bilhões no mesmo período do ano anterior.
Já a receita de geração e armazenamento de energia aumentou 52%, para US$ 2,38 bilhões, enquanto a receita de serviços e outras receitas aumentou 29%, para US$ 2,79 bilhões.
As projeções de Wall Street para a fabricante de carros elétricos no terceiro trimestre, segundo a LSEG, era:
Enquanto oferece uma série de descontos e incentivos para estimular as vendas, a Tesla conseguiu que suas margens de lucro fossem reforçadas por US$ 739 milhões em receita de crédito regulatório automotivo durante o trimestre.
A margem de lucro da empresa de 19,8% entre julho e setembro foi maior do que as estimativas e também ficou acima dos 18% no segundo trimestre.
A Tesla disse no início deste mês que as entregas do trimestre encerrado em setembro cresceram mais de 6% em uma base anual, marcando o primeiro trimestre de aumento após um declínio no período de janeiro a junho.
Só que a Tesla não conseguiu isso em um passe de mágica. A empresa de Musk precisou cortar os preços no ano passado — o que levou a um declínio acentuado nas margens de lucro.
No meio deste ano, a companhia mudou de estratégia e passou a oferecer opções de financiamento mais baratas e descontos que, segundo analistas, poderiam diminuir a perda de margem nos trimestres seguintes.
Além disso, os preços das matérias-primas usadas pela Tesla para fazer as baterias dos carros elétricos estão caindo e a companhia indicou que seus custos cairão este ano como resultado.
Ao mesmo tempo, Musk segue inovando. No início deste mês, a Tesla revelou o robô-táxi, apelidado de Cybercab, e uma van autônoma de 20 lugares, enquanto se esforça para acelerar o desenvolvimento de tecnologias autônomas, incluindo o robô humanoide Optimus.
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O que explica esse desempenho é a emissão de ações da companhia, para trocar parte de suas dívidas por participação.
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