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Na Resia, incorporadora norte-americana da MRV, há uma regra de ouro: não queimar caixa em 2024. Mas a diretriz ainda não foi refletida nos resultados do 1T24
A MRV (MRVE3) já disse que nunca houve um cenário tão benigno para o Minha Casa Minha Vida (MCMV). Mas será que as condições turbinadas do programa habitacional se refletiram no resultado da companhia no primeiro trimestre deste ano?
O balanço que pode responder a essa pergunta só será publicado no mês que vem. No entanto, já é possível encontrar algumas pistas na prévia operacional, publicada nesta segunda-feira (15).
A MRV Incorporação, por exemplo, que inclui o braço do grupo que atua com o MCMV, registrou forte alta nos lançamentos do 1T23. O Valor Geral de Vendas (VGV) reportado foi de quase R$ 1,6 bilhão, um salto de 150,4% ante o mesmo período do ano passado.
As vendas da divisão tiveram um crescimento mais sutil, de 18%, na mesma base de comparação. Mas o percentual foi o suficiente para garantir um número recorde na história da MRV: R$ 2,13 bilhões.
Por outro lado, a geração de caixa da incorporação voltou a ficar negativa em R$ 18,6 milhões. A cifra é menor do que os R$ 120,8 milhões de queima reportados no 1T23, mas contraria os R$ 130,8 milhões gerados no último trimestre do ano passado.
De acordo com a MRV, o indicador foi afetado pela alta velocidade de venda dos lançamentos dos últimos meses, o desembolso de R$ 250 milhões com terrenos e um repasse de R$ 76 milhões represados pela nova regra de pagamento para o crédito associativo.
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Vale relembrar que, no mês passado, a MRV anunciou novas projeções para este ano. A Resia, incorporadora norte-americana, tem uma regra de ouro: não queimar caixa em 2024.
“Não irá capital da MRV Brasil para a Resia e a expectativa é gerar caixa neste ano. Essa companhia terá muito valor para capturar quando começar a queda de juros dos EUA”, afirmou, na ocasião, Rafael Menin, copresidente do grupo.
Mas a diretriz ainda não foi refletida nos resultados do 1T24. De acordo com a prévia, a Resia queimou R$ 274,9 milhões no período. O valor representa uma redução ante os R$ 578,4 milhões reportados no início de 2023, mas equivale a uma piora de 584,2% ante o 4T23.
A maior parte da soma, ou R$ 209,3 milhões, serviu ao financiamento dos projetos. Os R$ 65,7 milhões destinaram-se a gastos com a holding e demais desembolsos. Segundo a MRV, a operação já foi "recalibrada, assegurando a geração de caixa em 2024".
A subsidiária norte-americana também não registrou lançamentos ou vendas no período. A companhia afirma, porém, que a incorporadora segue apresentando "boa velocidade de locação".
De volta ao Brasil, a MRV destacou alguns dos indicadores que indicam que o processo de recuperação da companhia está em curso. Um deles é a margem bruta das novas vendas, que é a mais alta dos últimos sete anos.
Outro ponto positivo é que os preços seguiram subindo acima da inflação — o ticket médio cresceu 13,7% ante o 1T23, para R$ 248 mil.
Além disso, 45% dos lançamentos foram destinados ao grupo 1 do Minha Casa Minha Vida, faixa beneficiada pelos duas últimas novidades do programa habitacional.
Vale relembrar que a Receita Federal publicou no início do mês passado a instrução normativa para o Regime Especial de Tributação para Incorporações Imobiliárias do MCMV.
O chamado RET1 prevê que a receita proveniente das unidades vendidas na faixa um do programa habitacional — para consumidores com renda de até R$ 2.640 — tenha uma alíquota efetiva de imposto de apenas 1%.
Já o Conselho Curador do FGTS aprovou no final do mês o uso de depósitos futuros do fundo de garantia para os financiamentos do Minha Casa Minha Vida. E a Caixa Econômica Federal começou a oferecer as linhas de crédito do FGTS Futuro na semana passada.
De acordo com a empresa, a gestão de Reynaldo Passanezi Filho, que deixa o cargo, foi marcada por um ciclo de crescimento da companhia, avanços em eficiência operacional e investimentos em níveis recordes
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