Mercado Livre (MELI34), Magazine Luiza (MGLU3) ou Casas Bahia (BHIA3): quem é o campeão de vendas no trimestre?
Agora que as três empresas apresentaram os resultados do quarto trimestre, o JP Morgan fez uma avaliação do desempenho de cada uma e diz quem é o bola cheia e o bola murcha do varejo eletrônico

A história conta que a rivalidade entre Brasil e Argentina começou em 1912, quando um combinado da Associação Argentina de Futebol enfrentou um combinado do São Paulo e o jogo terminou com placar favorável aos hermanos: 6 a 3. Mais de 100 anos depois, a seleção de Messi é a atual campeã do mundo e os nossos vizinhos vem dando um vareio fora dos campos.
Os dribles dos hermanos ultrapassaram as quatro linhas e chegaram ao varejo: o Mercado Livre (MELI34) fez as rivais canarinhas comerem poeira no quarto trimestre de 2023.
Não bastasse o período de outubro a dezembro ter coroado um ano de desempenho espetacular para o Mercado Livre — um ritmo de crescimento que vem se repetindo nos últimos anos — em 2023, o lucro líquido do Meli saltou 156% e chegou a US$ 1,2 bilhão, um recorde.
O plantel argentino também mostrou sua força no quesito vendas: o Mercado Livre passou por cima de Magazine Luiza (MGLU3) e Casas Bahia (BHIA3) nos últimos três meses do ano passado.
O volume bruto de mercadorias (GMV — um indicador utilizado para acompanhar o volume de receita gerada nos canais digitais) do Mercado Livre subiu 35% no Brasil em uma comparação ano a ano, enquanto Magalu encolheu 2% e Casas Bahia diminuiu 18% na mesma base.
Vale lembrar que o mercado on-line cresceu cerca de 6% no quarto trimestre de 2023, de acordo com dados da Neotrust, que considera os dados de GMV do Meli.
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E não para por aí: a participação de mercado permaneceu estável trimestralmente, mas em uma base anual o Mercado Livre é o único que ganhou participação — cerca de 10 pontos percentuais (pp) contra estabilidade do Magazine Luiza e perda de 2,2 pp de Casas Bahia.
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1, 2, 3P do Mercado Livre sobre as rivais
Outros números acompanhados de perto pelo mercado quando o assunto é comércio eletrônico são os representados pelas categorias 1P, 2P e 3P.
Na 1P, o varejista vende o produto para a plataforma de marketplace, que realiza a venda e a entrega. Na 2P, a venda é realizada pelo varejista, mas o marketplace se encarrega da estrutura de entrega e na 3P, o varejista realiza todo o processo de venda e entrega.
“As vendas 3P continuam a ser o principal motor de crescimento para todas as plataformas, enquanto a categoria 1P continua a ser desafiada por fortes ventos macroeconômicos, especialmente para Magazine Luiza e Casas Bahia, uma vez que as vendas 1P estão geralmente associadas a produtos mais duráveis/de bilhetes mais elevados”, diz o JP Morgan em relatório.
No quarto trimestre de 2023, o 1P do Mercado Livre continuou a crescer fortemente a partir de uma base baixa.
“No geral, o feedback dos resultados de Magalu e Casas Bahia é que os principais players 1P continuam a impulsionar um ambiente competitivo racional. E, embora o mercado ainda esteja fraco, a rentabilidade recuperou fortemente no caso da MGLU3, enquanto a BHIA3 ainda está passando pelo plano de reestruturação”, diz o JP Morgan.
Do lado dos bens duráveis, o banco norte-americano diz que as varejistas, de modo geral, apostam em juros mais baixos — o que se traduz em uma dinâmica melhor de vendas nos próximos trimestres.
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