Prejuízo bilionário: Por que a Casas Bahia (BHIA3) emplacou sexto trimestre seguido no vermelho — e o que o mercado achou
Ação da Casas Bahia abriu em forte queda no pregão de hoje; quantidade de itens não recorrentes no balanço chamou a atenção dos analistas

Ler um balanço corporativo nem sempre é fácil. Quando a empresa está em dificuldade, o grau de complexidade aumenta. Exemplo disso é o resultado do Grupo Casas Bahia (BHIA3) no quarto trimestre de 2023.
A varejista reportou prejuízo bilionário no período. O resultado veio muito pior do que se esperava e representou o sexto trimestre seguido da Casas Bahia no vermelho.
No entanto, a publicação do documento trouxe tantos ajustes e fatores não recorrentes que por pouco não confundiu os analistas mais experientes.
O que nenhum deles refuta é que os números vieram fracos e piores do que se esperava. Aqui você confere a prévia do resultado.
Por trás disso está a reestruturação da Casas Bahia. De acordo com a varejista, os indicadores ainda estão sob impacto de seu plano de transformação, iniciado no segundo trimestre do ano passado.
Na bolsa, a primeira reação dos investidores ao balanço é negativa, como já era de se esperar. Pouco após a abertura da B3, as ações BHIA3 recuavam mais de 7%, cotadas a R$ 6,12, antes de voltarem a leilão.
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Vale lembrar que os papéis vêm de quedas seguidas nas últimas semanas. Ou seja, o mercado já se preparava para o pior.
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As principais linhas do balanço das Casas Bahia
O Grupo Casas Bahia reportou prejuízo líquido de R$ 1 bilhão no quarto trimestre de 2023. Trata-se de um número mais de quatro vezes pior do que o prejuízo de R$ 163 milhões no último trimestre de 2022.
O Ebitda (sigla para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado do trimestre também foi negativo. Ele ficou R$ 163 milhões no vermelho, uma piora de 74% ante um ano antes.
Enquanto isso, a margem bruta caiu de 29,3% para 27,6% e a margem Ebitda ajustada baixou de 7,1% para 2,2%, sempre na comparação anual.
As linhas de receita também mostraram piora. A receita bruta foi de R$ 8,8 bilhões no trimestre, uma queda de 15,5%. Já a receita líquida baixou de R$ 8,8 bilhões para R$ 7,4 bilhões no mesmo recorte.
Enquanto isso, o valor dos itens mantidos em estoque pela Casas Bahia diminuiu R$ 1,2 bilhão em relação ao quarto trimestre de 2022.
A Casas Bahia também fechou 17 lojas no quarto trimestre, elevando a 55 o número de estabelecimentos desativados desde o início da reestruturação. Além disso, quatro centros de distribuição foram readequados.
O que a Casas Bahia tentou mostrar
Mesmo com o prejuízo bilionário no último trimestre de 2023, o Grupo Casas Bahia tentou mostrar que o cenário não é tão ruim quanto parece. Para tanto, a empresa deu ênfase a uma série de itens não recorrentes.
O Grupo Casas Bahia deu ênfase à entrada de R$ 682 milhões em captações bancárias no quarto trimestre de 2023 e lembrou o recente alongamento de R$ 1,5 bilhão em dívidas pelo prazo de três anos,
A empresa também chamou a atenção para um fluxo de caixa livre de 721 milhões no 4T23 — que dificilmente teria ocorrido sem a monetização de R$ 682 milhões em créditos tributários no período.
Nas contas das Casas Bahia, os itens não recorrentes transformariam seu prejuízo bilionário em perdas de “apenas” R$ 564 milhões.
O que dizem os analistas
Analistas do BTG Pactual, da XP Investimentos e do JP Morgan são unânimes em afirmar que o Grupo Casas Bahia apresentou um resultado aquém das expectativas no quarto trimestre de 2023.
Todos eles mostraram-se impressionados com a ênfase dada pela empresa aos itens não recorrentes.
Para manter a comparabilidade, o BTG excluiu de seus cálculos itens como R$ 297 milhões em despesas não recorrentes de reestruturação, R$ 220 milhões em provisões para uma disputa tributária na justiça, uma reclassificação de despesas com pessoal em duas empresas controladas, entre outros ajustes.
Talvez por isso, uma linha colocada em destaque pelos analistas foi a do GMV. Esta é a sigla em inglês para volume bruto de vendas — e não tem muito como brigar com esse número.
O Grupo Casas Bahia reportou GMV de R$ 10,976 bilhões no quatro trimestre. Trata-se de uma queda de 12% em relação aos últimos três meses de 2022.
Pata a XP investimentos, o item foi impactado “pelo cenário econômico ainda desafiador, pela base de comparação difícil da Copa do Mundo e pelo encerramento de 55 lojas em 2023”.
De qualquer modo, o GMV das lojas físicas caiu 7% no período — bem menos que o recuo de 22% no volume bruto de vendas online.
Já pelas contas do JP Morgan, mesmo com a monetização de R$ 682 milhões em créditos tributários no 4T22, a Casas Bahia queimou cerca de R$ 530 milhões em caixa no trimestre.
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