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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

VAREJISTA EM CRISE

Com dívida de R$ 4,1 bilhões, Grupo Casas Bahia (BHIA3) entra com pedido de recuperação extrajudicial 

O pedido já foi pré-acordado com os principais credores, que detêm 54,5% dos débitos do Grupo

Renan Sousa
Renan Sousa
29 de abril de 2024
6:45 - atualizado às 10:17
Montagem com Baianinho, mascote da Casas Bahia (BHIA3)
Imagem: Shutterstock/ Montagem: Julia Shikota

O Grupo Casas Bahia (BHIA3) entrou com pedido de recuperação extrajudicial para dívidas que somam R$ 4,1 bilhões. O comunicado foi enviado à CVM na noite do último domingo (29), ainda que a decisão tenha sido tomada em reunião do Conselho de Administração na última quinta-feira (25).

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Assim, houve uma renegociação com os principais credores para o aumento do prazo das dívidas relacionadas às 6ª, 7ª, 8ª e 9ª séries de debêntures da varejista, passando de 22 meses para 72 meses. O pedido já foi pré-acordado com os principais credores, que detêm 54,5% dos débitos do Grupo. 

Como contrapartida, os principais bancos credores ganham o direito de converter 63% dos valores que lhes são devidos em ações da varejista.

É esperado ainda que a mesma oferta seja aplicada também aos demais credores pulverizados — dentre eles, pessoas físicas.

Segundo o comunicado da empresa, o custo médio dessas debêntures era de CDI + 2,7% e passou a ser de CDI + 1,2% para o novo prazo. Nos cálculos da empresa, o novo perfil da dívida preservaria R$ 1,5 bilhão somente em 2024 e um acumulado de R$ 4,3 bilhões de caixa até 2027.

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Ajustes do Grupo Casas Bahia (BHIA3)

O acordo inclui uma carência de 24 meses para pagamentos de juros e 30 meses para pagamento de principal.

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Em outras palavras, antes da renegociação, a empresa teria que desembolsar R$ 4,8 bilhões até 2027. Agora, a empresa terá de arcar com apenas R$ 500 milhões no mesmo prazo.

A operação inclui apenas dívidas financeiras sem garantias, como debêntures e CCBs emitidas junto aos bancos.

Vale lembrar que o Bradesco (BBDC4) possui R$ 953 milhões em debêntures, e o Banco do Brasil (BBAS3), R$ 1,272 bilhão, o que representa 54,5% do total das emissões contempladas no plano.

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As principais linhas do balanço

O Grupo Casas Bahia reportou prejuízo líquido de R$ 1 bilhão no quarto trimestre de 2023. Trata-se de um número mais de quatro vezes pior do que o prejuízo de R$ 163 milhões no último trimestre de 2022.

O Ebitda (sigla para lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado do trimestre também foi negativo. Ele ficou R$ 163 milhões no vermelho, uma piora de 74% ante um ano antes.

As linhas de receita também mostraram piora. A receita bruta foi de R$ 8,8 bilhões no trimestre, uma queda de 15,5%. Já a receita líquida baixou de R$ 8,8 bilhões para R$ 7,4 bilhões no mesmo recorte.

A Casas Bahia também fechou 17 lojas no quarto trimestre, elevando a 55 o número de estabelecimentos desativados desde o início da reestruturação. Além disso, quatro centros de distribuição foram readequados.

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