Citi recomenda venda das ações do Nubank (ROXO34) — entenda por que os analistas preferem este outro banco digital
O banco norte-americano ressalta que o caminho para o Nubank manter o ritmo de crescimento dos negócios está cada vez mais difícil

Faz pouco menos de um mês que o Nubank (ROXO34/NU) presenteou os investidores com um balanço acima das expectativas. O lucro e a rentabilidade superaram as estimativas do Seu Dinheiro — mas, mesmo assim, o mercado não ficou muito animado com o resultado.
Recentemente, instituições que cobrem o Nubank destacaram que o ritmo de crescimento perdeu o ímpeto e, nesta terça-feira (3), foi a vez de o Citi lançar uma lupa atenta aos negócios do banco digital brasileiro.
Para o banco norte-americano, o caminho para o roxinho manter o ritmo de crescimento dos negócios está cada vez mais difícil.
“Em nossa visão, o 3T24 pode ser visto como um divisor de águas para o Nubank em termos de crescimento no Brasil, que ainda é sua principal área de operação”, escrevem os analistas.
São três os principais pontos que o Citi destaca para ter essa visão sobre os negócios do Nubank — e que fizeram a instituição recomendar a venda das ações e a substituição dos papéis do banco digital por outro nome.
Apesar disso, as ações NU registram alta de 0,58% no pré-mercado em Nova York, para US$ 12,07. Já os BDRs ROXO34, os recibos das ações negociados na B3,sobem 1,00%, negociados a R$ 12,16.
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Nubank tem margens e receitas apertadas
O primeiro fator que pesou para que o Citi recomendasse a venda do Nubank foram os números mais fracos de receita média mensal por cliente ativo (ARPAC, na sigla em inglês) no trimestre.
Na comparação com os três meses imediatamente anteriores, a ARPAC saiu de US$ 11,20 para US$ 11,00. Esse indicador, dizem os analistas, vem encolhendo nos últimos trimestres — ainda que parte dessa queda se deva à desvalorização do real.
O segundo fator diz respeito ao custo mais elevado dos financiamentos devido à maior taxa de juros no Brasil, que permaneceu na casa dos dois dígitos ao longo de 2024.
Por fim, houve uma diminuição da receita de juros (NII, em inglês) no trimestre, especialmente no segmento de cartões de crédito, no qual o Nubank é mais atuante.
Veredito final
Assim, os analistas entendem que há uma desaceleração na operação brasileira — responsável por cerca de 72% da receita operacional do Nubank —, enquanto as outras vias de crescimento podem levar tempo para se tornarem lucrativas.
Uma dessas vias são as operações na Colômbia, onde o Nubank vem tentando rentabilizar os negócios. Recentemente, o roxinho recebeu aprovação da Superintendência Financeira da Colômbia (SFC) para consolidar as contas e operações de crédito, o que permitirá expandir o portfólio de produtos e serviços no futuro.
Dessa forma, a ação do Nubank é negociada a 24,2 vezes P/E (relação preço sobre lucro) e 6,2 vezes P/BV (relação preço sobre valor patrimonial), “o que só poderia ser justificado no contexto de uma forte aceleração em suas operações brasileiras”, escrevem os analistas, que consideram esses níveis elevados para a situação atual do banco digital.
Vale dizer que as ações do Nubank acumulam uma valorização de 45% em 2024 até o fechamento da última segunda-feira (2).
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Nubank é substituído por Inter (INBR32)
Por todos esses motivos, o Citi elegeu o Inter (INBR32) como o banco digital de sua preferência, porque a instituição está “no início de um processo de risco, além de uma bem-vinda diversificação”.
Por exemplo, o Inter lançou recentemente uma carteira de empréstimos não garantidos, o que deve ter impacto positivo nos balanços dos próximos trimestres.
Do mesmo modo, a carteira total de crédito triplicou do primeiro para o terceiro trimestre de 2024, atingindo os R$ 503 milhões.
“A expansão reflete não apenas a maior penetração de produtos mais arriscados, mas também o menor custo de financiamento a 65,4% da taxa interbancária local”, descrevem os analistas.
O Inter também apresentou uma melhora operacional no terceiro trimestre deste ano, com um crescimento de 150% no lucro em relação ao mesmo período de 2023, atingindo os R$ 260 milhões. Com isso, a rentabilidade sobre patrimônio líquido (ROE, em inglês) saltou para 11,9%, de 5,7% há 12 meses.
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