O que precisa acontecer para o dólar parar de subir — e diminuir a pressão sobre a inflação e os juros
O aguardado início de um ciclo de corte de juros pelo Fed tende a mudar a dinâmica das ações e do dólar nos mercados globais

Nas últimas semanas, o mercado cambial brasileiro tem passado por flutuações significativas. O dólar, que já vinha em uma trajetória de alta, alcançou níveis próximos a R$ 5,70 entre junho e julho e, na última segunda-feira, superou a marca de R$ 5,80.
Esse cenário sugere um possível ressurgimento de pressões inflacionárias, dado que o Brasil é um grande importador de bens de consumo. Um dólar elevado por um período prolongado pode resultar em uma inflação mais alta e persistente no país.
Isso é especialmente preocupante após o IPCA de julho atingir o teto de 4,5% na comparação anual.
O índice para o mês superou as expectativas, alcançando 0,35%, e nos coloca à beira de ultrapassar o limite máximo da meta de inflação, considerando que o índice de agosto do ano passado foi de apenas 0,22%.
- 37,7% ao ano em um década: conheça a estratégia que superou o retorno da carteira de Warren Buffett e pode ser replicada com um clique
Há quem defenda alta dos juros com base apenas nisso
Acontece que alguns agentes de mercado defendem um aumento da taxa Selic com base justamente na expectativa de que o real continue depreciado.
No entanto, com o Federal Reserve sinalizando possíveis cortes nas taxas de juros, essa perspectiva se torna menos clara.
Leia Também
Observe que o real se recuperou em relação ao dólar após a turbulência da última segunda-feira, o que sugere uma possível estabilização.
Por isso, mantenho a previsão de que a Selic permanecerá no patamar atual, mesmo que os mercados futuros indiquem uma possível elevação.
Até que ponto o Fed cortará os juros
No cenário internacional, algumas projeções sugerem dois cortes consecutivos de 50 pontos-base nas próximas reuniões do Fed, em setembro e novembro.
Esses cortes seriam justificados pela deterioração do mercado de trabalho e pela inflação relativamente controlada nos EUA, sugerindo uma rápida redução dos juros para 3,25%, equivalente a um juro real de 1%.
Pessoalmente, questiono a necessidade de medidas tão drásticas, pois elas poderiam enviar um sinal alarmante para a economia global.
Como discutimos anteriormente, o recente aumento na aversão ao risco foi impulsionado pelo temor de uma recessão nos EUA.
Portanto, cortes de juros excessivos ou desnecessários poderiam, em tese, intensificar as preocupações (sinal de desespero) em vez de proporcionar alívio.
Não acredito em uma recessão nos EUA, uma perspectiva que é corroborada pelo recente relatório de pedidos de auxílio-desemprego.
Ao mesmo tempo, considero improvável que posturas conservadoras, como a de Michelle Bowman, membro do conselho do Federal Reserve, que defende a manutenção das taxas de juros, se mantenham inalteradas nos próximos meses, especialmente à luz dos novos dados econômicos que estão por vir.
- Receba em primeira mão as análises dos balanços do 2T24. Clique aqui e acesse relatórios de investimentos gratuitos, feitos pelos profissionais da Empiricus Research.
O impacto da inflação nos EUA
A inflação desta semana, por exemplo, será um fator crucial nesse cenário.
Espera-se que o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) de julho registre um aumento de 3% em relação ao mesmo período do ano anterior e 0,2% em relação ao mês anterior.
Esse aumento anual de 3% está em linha com o observado em junho, enquanto o crescimento mensal contrasta com a queda de 0,1% registrada no mês anterior. Excluindo os preços de alimentos e combustíveis, a inflação anual deve alcançar 3,2%.
Jackson Hole vem aí
Além do CPI de julho, que caso venha abaixo do esperado ajudaria o real, outro evento significativo que se aproxima é o Simpósio de Jackson Hole, marcado para o final de agosto, pouco antes da reunião do Fed em setembro, onde se espera um possível corte de juros.
Este simpósio será uma oportunidade essencial para compreender melhor as perspectivas dos principais dirigentes da política monetária global.
Em relação a esse cenário, além das minhas avaliações, comentários de peso, como os de Louis Gave, da Gavekal, apontam para uma probabilidade crescente de que o Fed corte sua taxa básica de juros, o que poderia resultar em uma desvalorização do dólar frente às principais moedas globais. Caso esse corte de juros se concretize nos EUA, pode não ser necessário elevar as taxas de juros no Brasil.
BC pode segurar o real frente ao dólar só no papo
A manutenção da Selic em 10,50% ao ano, acompanhada de um discurso firme por parte do Banco Central, poderia ser suficiente para garantir resultados positivos com o real, como observado recentemente.
Em outras palavras, à medida que o dólar enfraquece, outras economias poderiam assumir a liderança no crescimento global, e outros mercados poderiam impulsionar um novo ciclo de alta.
Assim como o estouro da bolha das pontocom entre 2000 e 2001 não representou o fim, mas sim uma transição, o término do mercado em alta nas bolsas norte-americanas e uma possível desaceleração do PIB dos EUA não devem ser encarados como catastróficos.
Pelo contrário, podem abrir caminho para novas oportunidades. Esse cenário nos leva de volta à questão da rotação setorial.
Esse movimento tem realocado investimentos, antes concentrados nas grandes empresas de tecnologia, para setores menos valorizados, como as "small caps", motivado, em parte, pelo aumento do pessimismo em relação aos elevados custos associados ao desenvolvimento de tecnologias de inteligência artificial.
A "tempestade perfeita" que se formou na semana passada, impulsionada por temores de recessão, resultados corporativos aquém do esperado no setor de tecnologia, uma excessiva concentração de capital em poucas empresas e o fim do financiamento a juro zero proporcionado pelo iene, intensificou ainda mais a correção nos mercados.
Queda dos juros lá fora pode segurar o dólar e ajudar ativos brasileiros
Desde julho de 2021, os principais desafios para os ativos de risco no Brasil têm sido as elevadas taxas de juros internacionais e o foco quase exclusivo na inteligência artificial, setor em que o Brasil tem pouca participação.
Com a queda dos juros nos Estados Unidos, aumenta o interesse por mercados periféricos.
Essa mudança no panorama econômico traz boas perspectivas para o real.
No Brasil, os prêmios de risco estão elevados, muitos ativos encontram-se subvalorizados e o mercado antecipa um aperto específico nas condições monetárias.
Com isso, espera-se que o segundo semestre deste ano apresente dinâmicas consideravelmente distintas das observadas na primeira metade.
O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A volta do fantasma dos distratos, o peso dos juros para o desempenho da bolsa e tudo o que mexe com o seu bolso hoje
15 de outubro de 2026 - 8:35EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: O empurrão que faltava para o Novo Keynesianismo
14 de outubro de 2026 - 19:45O MELHOR DO SEU DINHEIRO
Brasileiros à prova da teoria financeira, ‘Pix MEI’, o renascimento do Magalu e o que mais mexe com o seu bolso hoje
14 de outubro de 2026 - 8:28O MELHOR DO SEU DINHEIRO
As propostas de Lula e Flávio Bolsonaro para as PMES, o sumiço das LCIs e LCAs que pagavam 95% e o que agita os mercados hoje
13 de outubro de 2026 - 8:19O MELHOR DO SEU DINHEIRO
É o fim dos aplicativos de banco? Os gerentes de IA e as notícias mais importantes para o seu bolso neste feriado
12 de outubro de 2026 - 8:01TRILHAS DE CARREIRA
Ter lado sem perder o eixo: o que está em jogo no trabalho quando você se posiciona politicamente em tempo de eleição
11 de outubro de 2026 - 8:00O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A conta que você não pode atrasar, os encantos da China e o que mais mexe com seu bolso hoje
9 de outubro de 2026 - 8:47O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A guerra do delivery pelo seu restaurante, o fim do ‘aceita VR?’ e o que esperar dos mercados hoje
8 de outubro de 2026 - 8:54EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Upside de 50% à frente, mas nunca vem de graça
7 de outubro de 2026 - 19:51O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A bolsa desanimou, mas os juros não: ativos para um mundo com a Selic menor e o que mais mexe com seu bolso hoje
7 de outubro de 2026 - 8:38O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A dívida pública, a dívida do condomínio e a euforia dos mercados: entenda o que você precisa saber antes de investir hoje
6 de outubro de 2026 - 8:42INSIGTHS ASSIMÉTRICOS
Eleições: o pêndulo virou e o fiscal entrou no preço
6 de outubro de 2026 - 7:22O MELHOR DO SEU DINHEIRO
A ação que aguenta o tranco do segundo turno e o que esperar dos mercados hoje
5 de outubro de 2026 - 8:19O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O ESG na análise de risco, o impacto das eleições na Petrobras (PETR4) e o que mais move o mercado hoje
2 de outubro de 2026 - 8:24SEXTOU COM O RUY
Por que você deveria ter Petrobras (PETR4) na carteira — independentemente de quem ganhar as eleições?
2 de outubro de 2026 - 7:20O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O risco do aluguel atrasado, o candidato favorito do mercado e os preços do petróleo: o que mexe com a bolsa hoje
1 de outubro de 2026 - 8:31EXILE ON WALL STREET
Rodolfo Amstalden: Não acorde pelado depois do 1º turno
30 de setembro de 2026 - 20:01O MELHOR DO SEU DINHEIRO
O caso dos CEOs bumerangue, a disputa eleitoral e o que movimenta os mercados hoje
30 de setembro de 2026 - 8:34O MELHOR DO SEU DINHEIRO