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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

CUIDADO COM O QUE DESEJA

Recessão na maior economia do mundo? Por que o dado de emprego de julho deixou o mercado de orelha em pé e derrubou bolsas mundo afora

A semana foi volátil, com o mercado de ações se recuperando na quarta-feira (31), quando o Fed deu uma forte indicação de que um corte de juros estaria sobre a mesa na próxima reunião, mas voltou a cair forte nesta sexta-feira (2)

Carolina Gama
2 de agosto de 2024
12:46 - atualizado às 14:27
Guerra na Ucrânia pode levar à queda do império americano? EUA queda
Imagem: Shutterstock

Cuidado com o que desejas. Há muito pouco tempo o mercado ansiava por dados de emprego mais mornos para que o Federal Reserve (Fed) iniciasse o tão aguardado corte de juros. Nesta sexta-feira (2), o provérbio judaico se provou certo: as bolsas mundo afora despencaram e o dólar disparou por aqui com o payroll mais fraco de julho nos EUA

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A abertura de vagas no mês passado desacelerou mais do que o esperado, enquanto a taxa de emprego subiu para o maior nível desde outubro de 2021. 

A economia norte-americana criou em julho 114 mil postos de trabalho, segundo o Departamento do Trabalho, uma desaceleração em relação aos 179 mil de junho e abaixo dos 185 mil esperados pelos economistas consultados ​​pela Dow Jones. A taxa de desemprego, por sua vez, aumentou para 4,3%.

Assim que os números foram divulgados, o mercado acusou o golpe. Por aqui, o Ibovespa recuou e o dólar à vista bateu máxima, chegando a R$ 5,7901. Em Nova York, os yields (rendimentos) dos títulos do Tesouro dos EUA aceleraram as perdas até as mínimas intradiárias. Os futuros do S&P 500, do Dow Jones e do Nasdaq ampliaram as quedas. 

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O mercado tem medo do que?

A semana foi volátil com o mercado de ações se recuperando na quarta-feira (31), quando o Fed deu uma forte indicação de que um corte de juros estaria sobre a mesa na próxima reunião, em setembro. 

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Mas, após os números fracos de emprego de julho, muitos investidores estão começando a acreditar que talvez o banco central norte-americano devesse ter agido na quarta-feira. O temor é de que, com os juros tão altos — entre 5,25% e 5,50% ano — a economia dos EUA entre em recessão. 

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Não à toa, as chances de o Fed cortar os juros em meio ponto percentual — para 4,75% a 5,00% — na próxima reunião em reação ao payroll. 

Os traders passaram a enxergar uma chance de 61,5% de o banco central norte-americano cortar os juros em 0,50 pp — acima dos 22% de quinta-feira (1) e dos 11,5% de uma semana atrás e de 5,5% há um mês.

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Os juros caem ou não caem?

Para o economista-chefe internacional do ING, James Knightley, o relatório de emprego de julho, de forma geral, veio fraco — “a única migalha de conforto é que o salto na taxa de desemprego está sendo causado pelo aumento da oferta de mão de obra em vez de trabalhadores sendo demitidos”.

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“Tínhamos três cortes de 0,25 pp precificados para este ano até ontem, mas vamos ver o mercado migrando para 0,50 pp agora”, disse Knightley.

O diretor e economista sênior da TD Economics, Thomas Feltmate, lembra que o enfraquecimento nos fundamentos do mercado de trabalho tem sido evidente em uma série de métricas salariais, que estão todas se aproximando rapidamente de um ritmo anualizado de crescimento que é mais consistente com a inflação de 2%.

“Dado o enfraquecimento nos fundamentos do mercado de trabalho, um corte em setembro é quase uma garantia. O mercado de trabalho não está mais aumentando as pressões inflacionárias e esperar muito mais tempo implica em um risco de levar a dinâmica recente de normalização longe demais”, afirma Feltmate.

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