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Carolina Gama

Formada em jornalismo pela Cásper Líbero, já trabalhou em redações de economia de jornais como DCI e em agências de tempo real como a CMA. Já passou por rádios populares e ganhou prêmio em Portugal.

FOI DADA A LARGADA

A corrida bancária virou corrida do ouro? Por que os investidores estão em busca do metal dourado e da prata hoje

Os títulos de dívida do governo dos EUA também sentem o tranco da falência dos bancos gringos e atingem marcas que não foram alcançadas nem mesmo nos atentados de 11 de setembro

Carolina Gama
13 de março de 2023
14:34 - atualizado às 14:55
Barras de ouro
Imagem: Michael Steinberg/Pexels

Os investidores ao redor do mundo iniciaram a segunda-feira (13) com uma corrida frenética por ouro e prata — e não é à toa. As falências do Silicon Valley Bank (SVB) e do Signature despertaram um temor antigo entre os agentes do mercado financeiro: a do contágio do setor bancário, que pode desencadear uma nova crise. 

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Mais cedo, o ouro atingiu o nível-chave de US$ 1.900 — patamar no qual se mantém neste  início de tarde. 

Por volta de 13h15, na New York Mercantile Exchange (Nymex), o ouro com entrega para abril subia 2,27% a US$ 1.904,30 por onça-troy, enquanto a prata para o mesmo mês avançava 6,82%, a US$ 21,825.

Essa disparada, no entanto, não começou hoje. Na sexta-feira (10), o ouro subiu 2% depois que os reguladores da Califórnia fecharam o Silicon Valley Bank, banco focado em startups de tecnologia. No domingo foi a vez do Signature Bank, com sede em Nova York.

Abrigo feito de ouro e prata

A alta do ouro, da prata e de outros ativos considerados mais seguros, como os títulos de dívida do governo norte-americano, tendem a acontecer em momentos de grande incerteza no mercado. Isso porque são considerados abrigos para momentos de crise. 

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“Eventos recentes mostram que o ouro continua sendo um ativo de refúgio, pois é capaz de se beneficiar da incerteza do mercado”, disse o analista do UBS, Giovanni Staunovo.

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“O caminho de curto prazo [para o ouro] continua difícil de prever. Dependerá dos próximos dados econômicos dos EUA, como os do CPI [na terça-feira]”, acrescentou.

Um mergulho de cabeça na dívida dos EUA

Os investidores também mergulharam de cabeça nos títulos do governo dos EUA, fazendo os juros desses papéis despencarem — quanto maior a procura, menor os juros. 

Os juros do Treasury de dois anos estavam sendo negociados 4,13%, com queda de 37 pontos base. Mais cedo, chegaram a encostar em 4,00%. 

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Desde quarta-feira (8), os juros desses papéis — que são os mais sensíveis às mudanças de política monetária — caíram 100 pontos-base, marcando a maior baixa em três dias desde 22 de outubro de 1987. 

Nesse dia, o recuo foi de 117 pontos-base e ocorreu após o crash do mercado de ações de 19 de outubro de 1987 — conhecido como "segunda-feira negra", no qual o S&P 500 despencou 20% em sua pior performance diária. 

Para se ter uma ideia da profundidade da queda que ocorre agora, ela é maior do que a baixa de 63 pontos-base nos juros dos títulos de 2 anos que ocorreu em três dias após os ataques de 11 de setembro.

Já os juros do Treasury de 10 anos recuam pouco menos de 20 pontos-base, em 3,498%.

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LEIA TAMBÉM:

Tem mais por trás da alta do ouro e da prata

O movimento do ouro, da prata e do Treasury não é baseado apenas na fuga do investidor de ativos mais arriscados, como as ações e as criptomoedas, por exemplo. 

Por trás da disparada estão as apostas de que o Federal Reserve (Fed) pode ter que moderar o aumento de juros diante de uma nova crise que começa a aparecer no horizonte. 

“Os agentes do mercado que precificam as expectativas de aumento dos juros também estão impulsionando o ouro”, disse Staunovo, do UBS. 

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Com o colapso do SVB, os investidores agora esperam que o Fed não aumente mais sua taxa referencial 50 pontos-base neste mês, em contraste com uma probabilidade de 70% antes da falência do banco. 

*Com informações da CNBC e da Bloomberg

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