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Antes da visita, empresas chinesas se aproveitam de uma brecha para abastecer Moscou com drones e outros equipamentos que podem ser usados no conflito — sem burlar leis ocidentais
Uma das últimas vezes que o presidente da China, Xi Jinping, e o colega russo, Vladimir Putin, se sentaram frente a frente, declararam uma amizade sem limites e a chegada de uma nova era nas relações internacionais.
Mais de um ano depois desse encontro, Xi e Putin vão se reunir de novo em outubro. A questão é que, desde então, muita coisa mudou na inabalável relação entre China e Rússia.
A guerra na Ucrânia acabou destacando um descasamento de posições, que fez com que Xi demonstrasse preocupações com os efeitos colaterais da invasão russa — a qual Pequim nunca manifestou apoio público, mas sempre esteve do lado de Moscou nos bastidores.
A última vez que se tem notícia de um encontro entre Putin e Xi pessoalmente foi em setembro do ano passado, na ocasião da cúpula regional na cidade de Samarcanda, no sudeste do Uzbequistão.
Mas a última vez que Putin esteve na China foi semanas antes do início da guerra na Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022. Na ocasião, o presidente russo visitou Pequim devido aos Jogos Olímpicos de Inverno, organizados pelos parceiros chineses.
Agora, o convite veio por conta do do fórum Faixa e Rota. “Recebemos um convite e temos a intenção de viajar à China por ocasião do fórum Faixa e Rota, que será realizado em outubro”, disse o conselheiro diplomático do Kremlin, Yuri Ushakov.
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A parceria entre Putin e Xi é considerada um dos desenvolvimentos mais significativos em geopolítica após a ascensão da própria China nos últimos 40 anos.
E, no primeiro encontro cara a cara desde a guerra, Xi disse que estava muito feliz por encontrar um "velho amigo" novamente, após Putin afirmar que tentativas dos EUA de criar um mundo unipolar falhariam.
Para Putin, aquele encontro enviou uma mensagem crucial de que ele continua sendo um ator global, com amigos que compartilham suas visões e determinação de criar uma nova ordem mundial na qual os EUA não dominam mais.
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A China tenta manter um equilíbrio delicado na guerra entre a Rússia e a Ucrânia, pedindo paz e endossando as queixas russas de que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) era a culpada por causa da expansão da aliança.
Xi tentou dar apoio moral a Putin sem estar totalmente do lado da invasão, mas também não deixou de dar puxões de orelha no amigo quando disse que a guerra estava durando tempo demais — em uma referência aos efeitos colaterais que a economia da China vem sentindo com o conflito.
E parece que mais uma prova dessa amizade veio nesta semana. A imprensa internacional relata que a China está enviando equipamento militar suficiente, incluindo drones, para a Rússia para equipar um exército.
Para isso, as empresas chinesas estão explorando uma brecha para o envio: os equipamentos são considerados não letais e vistos como de uso duplo, o que significa que podem ter aplicações civis e militares.
No geral, a Rússia importou mais de US$ 100 milhões em drones da China desde o início deste ano, bem como US$ 225 milhões em cerâmica, que pode ser usada em coletes à prova de balas, um aumento de 69% em relação a 2022.
*Com informações da Reuters e do Politico
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