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O Brasil participa como convidado do G7 Financeiro com a presença do ministro da Fazenda; na próxima semana, o presidente Lula se reúne com outros chefes de Estado
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, chegou na última quarta-feira (10) ao Japão para um encontro com o G7 Financeiro. O chefe da pasta relatou que os empresários japoneses com os quais se encontrou estão interessados na aprovação de um acordo comercial com o Mercosul — e aproveitou para pedir ajuda à Argentina.
"O acordo Mercosul-Japão está na ordem do dia para os empresários japoneses, que se interessam por esse acordo e querem que o governo japonês tenha um olhar interessado, particular para as exportações vindas do Brasil para cá", disse o ministro a jornalistas em Niigata, Japão, cidade-sede do G7 financeiro.
O Grupo dos Sete (G7) é formado por Estados Unidos, Canadá, Reino Unido, França, Itália, Alemanha e Japão. O Brasil participa dos encontros na condição de convidado.
De acordo com o ministro, o encontro com os empresários japoneses também tratou da reforma tributária para melhorar o ambiente de negócios brasileiro, de forma a fortalecer os investimentos vindos do país asiático.
"Falamos muito da reforma tributária, interessa demais aos investidores japoneses por uma série de problemas complexos que serão simplificados pela reforma, como também das exportações brasileiras ao Japão. Queremos manter a nossa quota-parte no mercado japonês", declarou Haddad.
Por falar em parcerias comerciais, Haddad afirmou também que uma das pautas do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em sua participação no G7 da próxima semana é a situação econômica da Argentina.
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"Uma das razões pelas quais o presidente Lula está vindo ao G7 é para tratar desse assunto. Para nós, é uma questão fundamental que esse problema seja endereçado. E o presidente Lula virá na próxima semana com a mesma preocupação, estou antecipando o que ele próprio, de viva-voz, vai trazer", declarou o ministro após se encontrar com a secretária do Tesouro americano, Janet Yellen.
Haddad disse à contraparte americana que a ajuda à Argentina se trata de uma questão humanitária. Ele ainda destacou que a união entre Brasil e Estados Unidos nesse tema seria um facilitador para as negociações.
O Brasil tem mobilizado esforços no socorro à nação vizinha — mas não apenas pelo interesse humanitário: mais de 200 empresas brasileiras estão na fila para receber pagamentos da Argentina.
"Estamos muito preocupados com o que está acontecendo com a nossa vizinha Argentina. E uma das coisas que me traz ao G7, por recomendação do presidente Lula, é sensibilizar o G7 e o G20 para as condições específicas da Argentina nesse momento. Nós trazemos essa preocupação por uma questão humanitária bastante evidente", declarou o ministro da Fazenda a Yellen, na parte da reunião que pôde ser acompanhada pela imprensa.
Haddad relatou à secretária do Tesouro americano a falta de divisas na Argentina "por razões históricas que vinham se acumulando" e as secas recentes, que afetaram as exportações.
Também destacou que é ano eleitoral no país vizinho. "Estamos preocupados com o destino político na Argentina", afirmou o ministro a Yellen, ao citar a postura violenta de grupos de extrema-direita na América do Sul.
Haddad afirmou a jornalistas que Yellen "se surpreendeu" com o tema abordado na bilateral, a Argentina, e se comprometeu a analisar as considerações.
A intercessão brasileira em nome da economia argentina acontece semanas após o presidente da Argentina, Alberto Fernández, visitar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada.
Na ocasião, o petista se comprometeu a trabalhar para convencer o Fundo Monetário Internacional (FMI) a "tirar a faca do pescoço" da Argentina. "A solução para Argentina passa pelo FMI", destacou Haddad.
Para além da identificação ideológica, o governo brasileiro quer ajudar a Argentina no campo da economia em ano eleitoral para evitar uma queda nas exportações ao país vizinho que leve ao enfraquecimento da atividade nacional. Os dois países estudam formas de financiar as exportações à Argentina, mas esbarram na garantia à política creditícia.
Haddad está em Niigata para o G7 Financeiro, marcado para esta sexta-feira (12), e retorna ao Brasil no sábado (13). O presidente Lula, por sua vez, irá a Hiroshima na semana que vem para o G7 presidencial.
*Com informações do Estadão Conteúdo
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