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Um dos nomes mais aguardados do corpo ministerial — obrigatoriamente mais enxuto, segundo o presidente — é sem dúvidas aquele que ocupará o cargo de ministro da Economia
Apesar de ser um poeta brasileiro, Carlos Drummond Andrade ajuda a ilustrar o atual momento da história da Argentina:
“E agora, José? A festa acabou, a luz apagou, o povo sumiu, a noite esfriou, e agora, José? e agora, você? você que é sem nome, que zomba dos outros, você que faz versos, que ama, protesta? e agora, José?”
Mas, por lá, o “José” é substituído por Javier. Mais especificamente: Javier Milei, presidente eleito dos nossos vizinhos. Agora que a eleição passou, a festa da vitória acabou e as luzes de um novo país precisam acender, a pergunta que fica é: e agora, Milei?
Um dos nomes mais aguardados do corpo ministerial — obrigatoriamente mais enxuto, de acordo com o presidente eleito — é sem dúvidas aquele que ocupará o cargo de ministro da Economia.
E já existe uma indicação de quem possa ser esse nome: Luis “Toto” Caputo, de 58 anos, economista formado na Universidade de Buenos Aires.
As propostas de dolarização da economia, privatizações e extinção de outros ministérios, visando enxugar as contas do governo, são os versos de Milei contra o que ele chama de “casta” política. Na visão do presidente eleito, foi isso que gerou a crise atual do país.
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Essas possíveis medidas soam melhor do que poesia, mas como música para os ouvidos do mercado financeiro local. E quem deve orquestrar para que isso se torne realidade é justamente Caputo.
E o economista já é um nome de grande prestígio no segmento financeiro local.
Sua passagem pelo governo de Maurício Macri como secretário de Finanças e na chefia do Banco Central (BCRA, em espanhol) do país se somam à experiência em Wall Street, tendo trabalhado como chefe de trading do JP Morgan para América Latina entre 1994 e 1998. Depois disso, liderou o Deutsche Bank na Argentina.
O governo Macri é, inclusive, um espelho para Milei. Mas vale lembrar que a atual dívida que o país contraiu junto ao Fundo Monetário Internacional (FMI) foi feita durante a chefia do liberal, um empréstimo de US$ 57 bilhões, em valores de 2018.
Mesmo com um invejável currículo, Caputo não terá pela frente um verso romântico ou um tranquilo soneto italiano — mas sim um verdadeiro poema épico, digno de Homero.
O esforço hercúleo virá para colocar de pé a economia em frangalhos da Argentina. De acordo com dados do BCRA, a inflação de outubro avançou 8,3%, acumulando alta de 142,7% em 12 meses. As projeções apontam que a inflação deva terminar o ano na casa dos 195%.
As reservas internacionais também são escassas, com cerca de US$ 21 bilhões em caixa — o que pode colocar o plano de dolarização em banho-maria, tendo em vista que o governo precisaria recomprar os pesos em circulação. Leia mais sobre a crise da Argentina aqui.
Por fim, o próprio presidente eleito comprou briga com seus principais parceiros comerciais — estamos falando de Brasil e China. Apesar do tom amistoso no pós-eleição, as relações podem ficar comprometidas no médio prazo.
A comparação — ou símile, no jargão da literatura — da última eleição da Argentina com o Brasil vai além do estilo de Milei e Bolsonaro. Isso porque o ministro da Economia brasileiro, Paulo Guedes, também foi um “pacificador” dos mercados antes do pleito.
Entretanto, o estilo de Bolsonaro foi apontado como um empecilho para que Guedes tirasse seus planos do papel.
Por exemplo: Bolsonaro havia prometido manter o governo com 15 ministérios — com o mesmo discurso de enxugar a máquina pública —, mas o número chegou a 23 no final do mandato para acomodar interesses políticos diversos.
Além disso, por diversas vezes, Guedes foi desautorizado pelo presidente, como na questão do chamado “imposto do pecado” — sugerido pelo ministro e barrado por Bolsonaro —, o reajuste dos servidores federais em meio a uma tentativa de conter gastos públicos, entre outros.
Dessa forma, tanto Milei quanto Caputo serão acompanhados de perto para ver se as propostas não ficarão só na prosa.
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