Rússia vai superar a Arábia Saudita como maior produtor da Opep+? É o que sugere relatório mais recente da AIE
O cartel de 13 países membros da Opep gerou US$ 873,6 bilhões em receitas no ano passado, o que representa um aumento de 54% em relação a 2021

Os principais países produtores de petróleo estão na região do Oriente Médio — tanto que criaram a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep). O passar do tempo, porém, mostrou que outras regiões poderiam se tornar vendedores em potencial e especialmente a Rússia deve ser a primeira a destronar os árabes.
O mais recente relatório da Agência Internacional de Energia (AIE) prevê que a Arábia Saudita (atualmente o principal país exportador de petróleo) deve perder espaço para o país governado por Vladimir Putin pela primeira vez desde 2022.
Isso porque a agência prevê que a produção saudita cairá a 9 milhões de barris por dia (bpd) em julho e agosto, atingindo o menor nível em dois anos. Mas a redução é voluntária. O país anunciou recentemente um corte de 1 milhão de bpd este mês, que deve se estender até o seguinte.
Desconsiderando-se os resultados distorcidos de produção durante a pandemia de covid-19, a oferta saudita encolherá ao seu menor patamar desde 2011, diz a AIE.
Nesse cenário, a Rússia deve despontar, tendo em vista que a oferta do país vem sendo reduzida de forma mais lenta.
Nesta quinta-feira (13), o barril do petróleo Brent, utilizado como referência internacional pela Petrobras (PETR3;PETR4), sobe 0,15%, negociado a US$ 80,26. A commodity registra alta de aproximadamente 3% na semana.
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É preciso lembrar que desde fevereiro do ano passado a Rússia está em guerra com a Ucrânia. As sucessivas sanções dos países do Ocidente contra Moscou gerou uma disputa paralela àquela que tenta tomar Kiev há mais de 12 meses: uma briga comercial.
No documento, a AIE também cortou sua previsão para o aumento na demanda global por petróleo em 2023 em 220 mil bpd, a 2,2 milhões de bpd. Isso significa que o consumo mundial deverá chegar a 102,1 milhões de bpd este ano.
Em relação à oferta global, a AIE elevou sua projeção para este ano em 200 mil bpd, para 101,5 milhões de bpd. Já para 2024, espera-se que a oferta cresça 1,2 milhão de bpd, a 102,8 milhões de bpd.
A Rússia já havia prometido cortes mais drásticos na produção de petróleo. Entretanto, a alta despesa da guerra, mantida com o dinheiro da commodity, é um dos fatores que impede uma redução mais acelerada.
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Receitas a todo vapor
A Opep também divulgou um relatório referente às suas projeções e levantamentos do passado nesta quinta-feira. A receita vinda da exportação de petróleo atingiu o nível mais alto em quase uma década em 2022 devido à alta produção dos países em meio a uma disparada de preços.
O cartel de 13 países membros da Opep ganhou US$ 873,6 bilhões no ano passado, o que representa um aumento de 54% em relação a 2021. Esse é o melhor resultado desde 2014, ano em que o boom do xisto nos EUA fez os preços dispararem.
A guerra da Ucrânia fez as cotações dispararem, e países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos (EAU)abriram as torneiras para atender à recuperação pós-pandemia da demanda por combustível.
A combinação de alta de preços e aumento da produção elevou os lucros de todo o grupo.
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