Credores aprovam plano de recuperação judicial da Americanas (AMER3); veja como a varejista pretende pagar as dívidas bilionárias
Com a aprovação, a Americanas poderá dar andamento na aguardada capitalização da empresa e começar a trabalhar para quitar débitos

A Americanas (AMER3) começou o ano jogando uma bomba em seus acionistas: a descoberta de um rombo contábil bilionário que levou a um subsequente pedido de recuperação judicial. Ao longo de 2023, a lista de más notícias só aumentou, incluindo a confirmação de fraude, exclusão do Ibovespa e uma queda de quase 90% das ações.
Mas quem permaneceu na base de investidores da varejista terminará o ano com um evento positivo: após conseguir o apoio da maioria dos credores, a companhia aprovou nesta terça-feira (19) o plano de recuperação judicial. O sinal verde teve adesão de 97,19% por créditos e de 91,14% por cabeça.
Com a aprovação, a Americanas poderá dar andamento na aguardada capitalização da empresa e começar a trabalhar para quitar débitos. Vale destacar que a principal estratégia está em um aumento de capital de R$ 24 bilhões que ainda deverá ser aprovado em uma futura assembleia.
Do valor total que vai entrar no balanço da Americanas, R$ 12 bilhões virão dos acionistas de referência — o trio de bilionários Jorge Paulo Lemann, Marcel Telles e Carlos Alberto Sicupira.
Quem vai bancar os outros R$ 12 bilhões são os bancos credores que se comprometeram a converter os créditos contra a varejista em ações.
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Lemann e sócios aumentarão participação na varejista
Apesar de injetar um dinheiro que é muito necessário para a companhia, a capitalização vai impor uma diluição brutal aos acionistas que não participarem da operação. O que, de certo modo, já era esperado diante do rombo no balanço da varejista após a fraude bilionária.
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Ao preço de R$ 1,30 por ação — valor que representa 1,33 vezes o preço médio ponderado por volume das ações na B3 nos 60 pregões anteriores à véspera da data da aprovação do plano — a Americanas terá de emitir mais de 18 bilhões de novos papéis para chegar aos R$ 24 bilhões necessários.
Essa quantidade representa uma diluição de pouco mais de 95% em relação à base acionária atual. É quase certo, portanto, que Lemann e os sócios aumentem consideravelmente a participação na companhia após a conclusão da capitalização.
No limite, os bilionários podem ficar com cerca de 49% do capital da Americanas se não houver adesão dos minoritários à operação. Atualmente eles possuem 30,12% das ações da varejista.
Nesse mesmo cenário, os bancos credores passarão a deter algo em torno de 48% da companhia. Por fim, a capitalização pode diluir a participação dos minoritários da Americanas dos atuais 69,88% para algo como 3% do capital.
Abaixo o esquema de pagamentos e créditos apresentado pela Americanas:


Vão-se os anéis da Americanas
Na semana passada, em apresentação aos credores, a Americanas indicou quais ativos terá que vender no processo de recuperação judicial.
A varejista deve se desfazer do hortifruti Natural da Terra e da Uni.co, dona das marcas Imaginarium e Puket, e admitiu na ocasião que poderá fazer transações que agreguem valor à estratégia com o braço de varejo digital e com a fintech Ame.
No início do mês passado, depois de ter anunciado a entrada no período de exclusividade com uma empresa interessada no Natural da Terra, a Americanas mudou de ideia e suspendeu as conversas com o potencial comprador. A suspensão também envolveu as sondagens referentes à possibilidade de venda da Uni.Co.
Na ocasião, a varejista disse que não tinha planos de curto prazo para receber novas propostas, mas que avaliaria no futuro os parâmetros para a retomada dos processos de venda.
O balanço fica pra depois
Antes da aprovação do plano de recuperação judicial, a Americanas anunciou nesta terça-feira (19) um novo adiamento da divulgação de resultados, desta vez referentes aos trimestres encerrados em 31 de março de 2023, 30 de junho de 2023 e 30 de setembro de 2023.
E os números da varejista não devem ser conhecidos tão cedo. "Neste momento, a melhor estimativa é de divulgá-las até 31 de janeiro de 2024”, explicou a Americanas em fato relevante.
De acordo com a Americanas, a preparação e revisão dos resultados do acumulado dos três primeiros trimestres de 2023 estavam sujeitas à finalização das demonstrações financeiras de 2022 e da reapresentação do balanço de 2021.
Os resultados de 2021 e 2022 foram apresentados no mês passado, quando a varejista saiu do maior lucro da história para prejuízos bilionários. Relembre os resultados desses períodos.
Conteúdo Empiricus
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