Petrobras (PETR4) garante mais uma bolada de dividendos bilionários, mas pode ser a última; veja quanto a estatal vai pagar aos acionistas
Havia o receio no mercado de que a estatal anunciasse nesta quinta-feira (11), junto com os resultados financeiros, um corte no pagamento dos dividendos — que não veio agora, mas pode estar no forno

Na queda de braço entre o governo de Luiz Inácio Lula da Silva e a Petrobras (PETR4) sobre a política de dividendos da estatal, quem levou a melhor foi o acionista — pelo menos por enquanto. Isso porque a petroleira manteve a forma de distribuição referente ao primeiro trimestre de 2023 e pretende pagar R$ 24,7 bilhões em proventos.
Havia o receio no mercado de que a Petrobras anunciasse nesta quinta-feira (11), junto com os resultados financeiros, um corte no pagamento dos dividendos — que não veio agora, mas pode estar no forno.
A estatal indicou há pouco que seu Conselho de Administração determinou que a diretoria executiva da empresa elabore uma proposta de ajuste do planejamento estratégico em curso e também o aperfeiçoamento da política de remuneração aos acionistas — que pode incluir a possibilidade de recompra de ações. Essas mudanças devem ser analisadas antes do final do mês de julho.
Para Ruy Hungria, analista da Empiricus e colunista do Seu Dinheiro, o anúncio é positivo não apenas por preservar os dividendos atuais, como também por sinalizar um “caminho do meio”, com a possibilidade de o esperado corte nos dividendos ser compensado por um programa de recompra de ações.
“Se o nível de payout [percentual do lucro líquido distribuído aos acionistas] cair para algo como 60% ainda assim será algo favorável para os investidores”, afirma Hungria, ao ponderar que essa ainda é uma análise preliminar.
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Já que nada mudou na Petrobras...
Enquanto essas mudanças não acontecem, a Petrobras anuncia o pagamento de R$ 24,7 bilhões em dividendos referentes ao primeiro trimestre de 2023.
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De acordo com a estatal, os acionistas devem receber R$ 1,893577 por ação ordinária e preferencial em circulação, como antecipação relativa ao exercício de 2023, declarada com base no balanço de 31 de março de 2023.
O valor será distribuído da seguinte forma:
- A primeira parcela, no valor de R$ 0,946788 por ação ordinária e preferencial em circulação, será paga em 18 de agosto de 2023;
- A segunda parcela, no valor de R$ 0,946789 por ação ordinária e preferencial, será paga em 20 de setembro de 2023.
A data de corte será 12 de junho de 2023 para os detentores de ações da Petrobras negociadas na B3 e 14 de junho de 2023 para os detentores de ADRs negociadas em New York.
Vale lembrar que, a partir de 13 de junho, as ações serão negociadas "ex-direitos" e passarão por um ajuste na cotação referente aos proventos já alocados. Então você pode optar por comprar a ação agora e ter direito aos dividendos ou esperar a data de corte e adquirir os papéis por um valor menor, mas sem o direito ao provento.
A primeira parcela do pagamento para os detentores de ações da Petrobras negociadas na B3 o pagamento será realizado no dia 18 de agosto de 2023 e a segunda parcela, em 20 de setembro de 2023.
Para os detentores de ADRs, os pagamentos ocorrerão em 25 de agosto de 2023 e 27 de setembro de 2023, respectivamente.
A polêmica distribuição de dividendos
A distribuição bilionária de dividendos é um ponto de tensão entre a Petrobras e o governo desde que Lula assumiu, em janeiro deste ano.
Recorrentemente, o presidente critica os bilhões pagos aos acionistas na forma de proventos — ele chegou a classificar a situação de absurda e a dizer que deu um comando para Jean Paul Prates, presidente da petroleira.
O petista já chegou a defender que metade do lucro bilionário da estatal seja usado em investimentos em salário para pesquisar novas fontes de energia e petróleo.
Os resultados da Petrobras
A Petrobras anuncia nesta noite seus resultados do primeiro trimestre. O consenso da Bloomberg mostra que deve haver queda tanto do lucro como da receita e do Ebitda (lucro antes de juros, impostos, amortização e depreciação) com relação ao mesmo período do ano passado:
- Receita líquida: R$ 138 bilhões (-2,5%)
- Ebitda: R$ 68,5 bilhões (-12,4%)
- Lucro líquido: R$ 28 bilhões (-37%)
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