De ‘patinho feio’ a cisne: Nubank salta 7% após casas de análises revisarem expectativas para o banco; Itaú eleva papel para compra
A perspectiva de aumento da inadimplência deve pesar sobre o resultado do Nubank que, apesar de apresentar números sólidos, também deve continuar pressionado pelas altas taxas de juros

Todo mundo tem a sua hora e a sua vez, e a do Nubank parece ter chegado. Após um lucro líquido ajustado de US$ 182,4 milhões — quase 20 vezes maior do que o registrado há um ano, de US$ 10,1 milhões — a fintech voltou a chamar a atenção dos analistas do mercado.
Para exemplificar esse deslumbre, usarei as palavras dos analistas do Itaú BBA, que elevaram a recomendação para os papéis de ‘neutro’ para ‘compra’ após o balanço: “esta é, de longe, a revisão mais significativa desde que iniciamos a cobertura do Nubank com rating underperform [o equivalente a recomendação de venda] em janeiro de 2022”.
A reação ao balanço, somada com o aceno positivo dos analistas do mercado, não foi suficiente para os papéis NUBR33 — os recibos de ações (BDRs, na sigla em inglês) negociados na bolsa brasileira —, que chegaram a subir quase 7% pela manhã, mas engataram queda de 1,0%, negociados a R$ 4,95.
Já as ações listadas na New York Stock Exchange (NYSE) avançam 0,90%, cotados a US$ 6,14.
Inadimplência ainda é pedra no sapato do Nubank
As dívidas vencidas há mais de 90 dias tiveram alta mais uma vez entre o quarto trimestre de 2022 e o primeiro trimestre deste ano. O índice passou de 5,2% em dezembro para 5,5% em março, em linha com as expectativas do mercado.
As provisões para perdas com empréstimos também são um ponto de atenção, como destaca outro relatório, do BTG Pactual, de hoje. Esses gastos somaram US$ 475 milhões, o que representa uma alta de 14% no trimestre em relação aos últimos três meses de 2022.
Leia Também
Em comparação ao mesmo trimestre do ano anterior, o crescimento foi de 72%, impulsionado pela falta de pagamento dos consumidores. Assim, o índice geral de inadimplência do cartão de crédito chegou a 9,7% na passagem do trimestre.
A perspectiva de aumento da inadimplência deve pesar sobre o resultado do Nubank que, apesar de apresentar números sólidos, também deve continuar pressionado pelas altas taxas de juros do setor.
- Ainda tem dúvidas sobre como fazer a declaração do Imposto de Renda 2023? O Seu Dinheiro preparou um guia completo e exclusivo com o passo a passo para que você “se livre” logo dessa obrigação – e sem passar estresse. [BAIXE GRATUITAMENTE AQUI]
Nubank pode estar “muito caro” por enquanto
Mas há quem discorde da tese, como é o caso de Larissa Quaresma, da equipe da Empiricus Research. A analista acredita que o momento é de short (venda) dos papéis Nubank no curto prazo devido a expressiva alta que já tiveram em 2023 — até o momento, de mais de 50%.
“Não acreditamos que a melhoria no fundamento seja suficiente para justificar o múltiplo preço / valor patrimonial de 6,3x”, comenta.
Para ela, o foco na rentabilidade — ainda que às custas do crescimento, destaca — é uma tese acertada. Porém, Quaresma entende que o valuation ainda é um ponto extremamente delicado e mantém a mesma recomendação de venda para o curto prazo.
Outra visão sobre o banco
Mesmo assim, de modo geral, os analistas enxergam mais pontos positivos do que negativos para o Nubank. As despesas operacionais caíram 9% no primeiro trimestre de 2023, o que fez o índice atingir 39%.
O número de clientes do banco do cartão roxo também teve uma melhora. Foram mais 4,5 milhões de usuários adicionados nos três primeiros meses de 2023, encerrando o período com 79,1 milhões de clientes.
Por fim, o preço-alvo das casas de análise variam bastante. Enquanto o BTG aposta que as ações em NYSE permaneçam US$ 5,00, com recomendação neutra, os analistas do Itaú apostam na compra, com expectativa de que os papéis atinjam US$ 8,50 — o que equivale a uma valorização de aproximadamente 35% em relação à cotação atual.
Já para os analistas do JP Morgan, a expectativa é de que os preços permaneçam na faixa de US$ 6,09, enquanto os BDRs não devem superar os R$ 5,00. A recomendação para ambos é neutro.
DE A PARA B
Entre JBS e J&F: o xadrez financeiro dos irmãos Batista na B3
21 de setembro de 2026 - 19:37PREPAREM O BOLSO
Dividendos e JCP: empresas anunciam mais de R$ 600 milhões aos acionistas; saiba quem paga e quando receber
21 de setembro de 2026 - 19:13SINERGIAS
Fusão com a Afya pode turbinar lucro da Yduqs (YDUQ3) e deixar ação mais barata, segundo Itaú BBA; veja o possível prêmio
21 de setembro de 2026 - 17:41A PENEIRA DOS BANCÕES
Itaú, Bradesco ou Banco do Brasil: BofA escolhe seu favorito na B3 — e deixa uma ação de escanteio
21 de setembro de 2026 - 15:57ALÉM DAS FRONTEIRAS
Petrobras acena com descobertas de gás na Colômbia. Aonde a estatal quer chegar?
21 de setembro de 2026 - 14:04ACESSO AO MERCADO DE CAPITAIS
J&F, dos irmãos Batista, pede registro de companhia aberta na CVM: entenda o plano da gigante para ser mais que uma holding
21 de setembro de 2026 - 11:04MAIS UM PASSO
Braskem (BRKM5) vai deixar a B3? CVM dá sinal verde para OPA. Saiba o que isso significa para os acionistas minoritários da petroquímica
21 de setembro de 2026 - 10:42MARGEM EQUATORIAL
Petrobras (PETR4) e MPF entram em briga pela exploração de petróleo na Foz do Amazonas. Qual é o impasse?
21 de setembro de 2026 - 10:29ENTREVISTA EXCLUSIVA
Bradesco (BBDC4) está prestes a receber R$ 10 bilhões para crescer, mas não vai acelerar: “Não queremos voo de galinha”, diz CFO
21 de setembro de 2026 - 6:15COMPRA OU VENDER
Vale (VALE3) no olho do furacão? CEO da mineradora abre o jogo; Citi e Itaú BBA dizem o que você deve fazer com a ação
20 de setembro de 2026 - 13:33MERCADO USA A RÉGUA ERRADA?
Citi sobe o preço-alvo de BTG Pactual (BPAC11) e vê espaço para ação se descolar dos bancões
19 de setembro de 2026 - 16:55VAI PINGAR POR AÍ?
Porto (PSSA3), Totvs (TOTS3) e Fleury (FLRY3) colocam R$ 636 milhões em JCP no radar; veja quem tem direito
19 de setembro de 2026 - 15:47QUEM ESCOLHE QUEM FISCALIZA?
Perto do dono, longe da autonomia? O dilema da independência nos conselhos das empresas da bolsa
19 de setembro de 2026 - 12:38POR DENTRO DO NEGÓCIO
Cheque bilionário do Itaú (ITUB4) para a Eztec (EZTC3) deve impactar mercado de escritórios em São Paulo
18 de setembro de 2026 - 18:34PISOU NO FREIO
A maré virou para os bancões? Safra corta preço-alvo de Itaú, Bradesco e Banco do Brasil. Ainda vale apostar em alguma dessas ações?
18 de setembro de 2026 - 16:46LOJA COMPLETA
Assaí (ASAI3) enche o tanque com a compra de postos por R$ 80 milhões; entenda o que isso significa para o investidor
18 de setembro de 2026 - 14:03VOLTA AO PRESENCIAL?
Itaú (ITUB4) quer ocupar mais espaço em SP: banco aluga 100% de empreendimento da Eztec (EZTC3); entenda a estratégia
18 de setembro de 2026 - 10:18POTE DE OURO
O ‘trade’ de Vivara (VIVA3) que poucos perceberam: ouro comprado na baixa agora ajuda a turbinar o caixa
18 de setembro de 2026 - 6:07DISTRIBUIÇÃO DE PROVENTOS
Dividendos e JCP: Lojas Renner (LREN3), TIM (TIMS3), Cemig (CMIG4) e B3 (B3SA3) pagam juntas mais de R$ 2 bilhões aos acionistas
17 de setembro de 2026 - 18:34COMPROMISSO AMBIENTAL