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Variação cambial de investimentos da offshore Abigail Worldwide afetou base de comparação do lucro da rede de Luciano Hang, o “véio da Havan”
A rede de lojas Havan, do empresário Luciano Hang, popularmente conhecido como “véio da Havan”, teve um lucro líquido menor em 2022. E o motivo é a variação cambial sobre investimentos numa offshore de Hang que ficou escondida da Receita Federal por 17 anos.
De acordo com o balanço da companhia referente à operação do ano passado, a Havan obteve lucro líquido de R$ 424,9 milhões em 2022, queda de aproximadamente 20% em relação a 2021.
A varejista destacou, no entanto, que os números de 2021 foram afetados por uma realização da variação cambial sobre investimentos e que, retirando esses efeitos, o lucro teria sido de R$ 316,4 milhões. Isto deixaria a base de comparação mais baixa e, na prática, transformaria a queda de 20% do lucro em crescimento de 34%.
A variação cambial mencionada pela Havan trata-se da conversão do balanço da Abigail Worldwide, uma offshore mantida em paraíso fiscal, sem declaração às autoridades brasileiras, de 1999 até 2016, segundo revelaram os documentos da Pandora Papers, iniciativa do ICIJ (Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos).
Em 2021, a Havan informou no balanço que era controladora da Abigail Worldwide, mas cedeu a totalidade das cotas da empresa para Hang como pagamento de lucros distribuídos no dia 2 de dezembro daquele ano.
No ano passado, o empresário, conhecido pelo apoio firme ao ex-presidente Jair Bolsonaro, entrou para a lista dos 10 brasileiros mais ricos da Forbes, com patrimônio de US$ 4,8 bilhões.
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A Havan, vale lembrar, tentou abrir o capital em uma oferta pública de ações (IPO) na B3 em 2021, mas a operação não foi para frente. Seja como for, a rede manteve o registro de companhia aberta.
Apesar da queda no lucro líquido, explicada pelos ajustes descritos acima, a Havan registrou aumento tanto da receita bruta quanto da margem bruta. A receita cresceu 13%, para R$ 14,2 bilhões, e a margem chegou a 36,2%, ante 34,8% em 2021.
Outra métrica importante para a operação, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) aumentou 22,8%, para R$ 1,9 bilhão.
No ano passado, a Havan inaugurou seis megalojas no país, uma em cada região - à exceção do Nordeste, onde foram abertas duas. No total, a empresa tem 171 lojas espalhadas pelo Brasil, sendo que quase 80% estão concentradas nas regiões Sul e Sudeste.
De acordo com a empresa, a gestão de Reynaldo Passanezi Filho, que deixa o cargo, foi marcada por um ciclo de crescimento da companhia, avanços em eficiência operacional e investimentos em níveis recordes
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