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SEGUNDO JORNAL

Ex-diretora apontada como uma das fraudadoras na Americanas (AMER3) transferiu milhões em bens ao filho antes da descoberta do rombo contábil

Segundo a Folha de S. Paulo, Anna Christina Ramos Saicali passou R$ 13 milhões bens a um de seus filhos dias antes da revelação do rombo contábil

Lupa destaca site da Americanas.com em tela de computador
Tela do site da Americanas.com - Imagem: Shutterstock

Uma ex-diretora da Americanas (AMER3) apontada como uma das participantes da fraude bilionária que levou a varejista à recuperação judicial pode ter de dar mais explicações à Justiça em breve. Segundo informações da Folha de S. Paulo, Anna Christina Ramos Saicali transferiu mais de R$ 15 milhões em bens a seu filho em dezembro, dias antes da revelação do rombo contábil.

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Saicali e outros diretores estatutários da companhia foram afastados do cargo em janeiro deste ano. um documento divulgado neste mês indicou a participação dos executivos e do ex-CEO Miguel Gutierrez nos lançamentos fraudamento dos balanços da empresa.

De acordo com o jornal, Saicali fundou uma empresa chamada Taboca Ventures Participações em 2018 e transferiu quase todas as quotas da companhia a seu filho, Antonio Saicali Montanha Alves Correa, 20 dias antes da Americanas comunicar o problema contábil ao mercado, em 11 de janeiro.

Além transferência de participação, que totalizou R$ 13 milhões, a ex-diretora passou um terreno e um fazenda avaliados em R$ 2,8 milhões de sua propriedade para o patrimônio da Taboca. Após a operação, Saicali permaneceu com uma quota de apenas R$ 1 na companhia.

A defesa da executiva negou à Folha que a movimentação tenha sido realizada para proteger seu patrimônio de potenciais penhoras de bens após as investigações na Americanas. O advogado Antenor Madruga, que defende Saicali, declarou ao jornal que a transferência faz parte de um "planejamento sucessório motivado por questões de saúde".

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Americanas: de onde veio a fraude

Vale relembrar que, de acordo com a investigação em curso na Americanas, os lançamentos fraudulentos no balanço totalizavam R$ 21,7 bilhões em setembro de 2022, o último publicado pela empresa.

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Incluindo os juros sobre operações financeiras de R$ 3,6 bilhões que a empresa não contabilizou, a fraude ajudou a inflar os balanços em R$ 25,3 bilhões, de acordo com a Americanas. E os contratos de verba de propaganda cooperada e instrumentos similares (VPC) foram o principal instrumento envolvido no esquema.

Os VPCs são incentivos comerciais usuais no setor de varejo. O problema, no caso da Americanas, é que eles teriam sido artificialmente criados para melhorar os resultados operacionais. Desta forma, havia uma redução de custo, mas sem efetiva contratação com fornecedores.

Em contrapartida a esses contratos sem lastro financeiro, os balanços da Americanas vinham com lançamentos lançamentos redutores da conta de fornecedores, no valor de R$ 17,7 bilhões. A diferença de R$ 4 bilhões apareceu em outras contas do ativo da varejista.

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Já o caixa para financiar essa operação veio basicamente de empréstimos bancários e sem as devidas aprovações societárias, ainda de acordo com a Americanas.

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