Itaú (ITUB4) vai ser o grande destaque da safra do 1T26 ou o Bradesco (BBDC4) encosta? O que esperar dos balanços dos bancos
Inadimplência, provisões e pressão no lucro devem dominar os balanços do 1T26; veja o que esperar dos resultados dos grandes bancos

A primeira safra de resultados de bancos de 2026 está prestes a começar — e já traz um aviso ao investidor: desta vez, não é só sobre quem cresce mais; é também sobre quem erra menos.
Depois de um fim de ano mais benigno, o primeiro trimestre de 2026 (1T26) deve recolocar o foco onde realmente dói em ciclos de crédito: inadimplência, provisões e disciplina na concessão.
Quem dá a largada é o Santander Brasil (SANB11), que divulga seus números na quarta-feira (29), antes da abertura do mercado.
Entenda o que esperar para cada um dos grandes bancos e quais serão os desafios impostos pelo cenário macro.
Confira o calendário de balanços dos bancos no 1T26:
| Nome | Ticker | Data | Horário de divulgação |
|---|---|---|---|
| Santander Brasil | SANB11 | 29/04/2026 | Antes da abertura |
| Itaú Unibanco | ITUB4 | 05/05/2026 | Após o fechamento |
| Banco Bradesco | BBDC4 | 06/05/2026 | Após o fechamento |
| Banco BTG Pactual | BPAC11 | 12/05/2026 | Antes da abertura |
| Banco do Brasil | BBAS3 | 13/05/2026 | Após o fechamento |
O que esperar dos bancos no 1T26?
Na visão do JP Morgan, o tema central desta temporada de resultados de bancos será a qualidade dos ativos de crédito.
A expectativa é de deterioração dos índices de inadimplência logo no início do ano, especialmente nas carteiras de pessoas físicas — um movimento típico do primeiro trimestre, mas que ganha peso em um ambiente macro mais apertado.
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A dúvida que paira sobre o setor é: trata-se apenas de um efeito sazonal ou do início de uma tendência mais persistente para o setor?
“Essa discussão é relevante porque impacta não apenas provisões, mas também o apetite de risco dos bancos para crescimento”, avalia o banco norte-americano.
O Safra segue na mesma linha e vê a pressão atingindo tanto pessoas físicas quanto empresas, com destaque para o segmento rural e empresas específicas.
O pano de fundo, segundo os analistas, é menos favorável do que no fim de 2025. Desta vez, a sazonalidade da margem financeira líquida (NII) não deve ser suficiente para compensar o aumento do custo do risco.
“Para o investidor, isso significa um trimestre em que a leitura dos balanços tende a depender menos da expansão das receitas e mais da capacidade de cada banco em absorver o avanço das provisões sem comprometer excessivamente a rentabilidade”, diz o Safra.
O banco ainda recomenda ao investidor observar três variáveis centrais ao longo da temporada de balanços, para além dos lucros ou da expansão da carteira de crédito:
- A evolução da inadimplência;
- O comportamento do custo do risco; e
- A capacidade de sustentar retorno sobre o patrimônio em meio à piora do ciclo de crédito.
Para o Bank of America (BofA), os bancos devem entregar resultados “pouco inspiradores”, pressionados por menos dias úteis, menor atividade e um ambiente macro mais incerto — agravado pelas tensões geopolíticas.
A combinação de receitas mais fracas e maior custo de risco tende a pesar sobre o lucro líquido, com a deterioração do crédito se espalhando além do agronegócio, segundo os analistas.
Como os bancos devem performar no 1T26? Veja as projeções:
| Empresa | Projeções - Lucro líquido - Bloomberg | Projeções - Rentabilidade (ROE) - Média Seu Dinheiro |
|---|---|---|
| Santander Brasil (SANB11) | R$ 4,072 bilhões | 16,6% |
| Itaú Unibanco (ITUB4) | R$ 12,452 bilhões | 24,4% |
| Banco Bradesco (BBDC4) | R$ 6,652 bilhões | 15,4% |
| Banco BTG Pactual (BPAC11) | R$ 4,583 bilhões | 25,2% |
| Banco do Brasil (BBAS3) | R$ 4,107 bilhões | 7,3% |
Santander Brasil (SANB11) abre a temporada do 1T26 sob pressão
- Data de divulgação do balanço: 29 de abril - antes da abertura
- Lucro líquido ajustado projetado: R$ 4,072 bilhões (+5,5% a/a)
- Rentabilidade (ROE) prevista: 16,6%
No caso do Santander Brasil (SANB11), a expectativa é de um trimestre mais fraco, ainda que dentro do esperado.
A XP Investimentos projeta um crescimento mais seletivo da carteira, especialmente em segmentos de maior risco, como cartões de baixa renda, agronegócio e pequenas e médias empresas. Além disso, a valorização cambial deve pesar na comparação anual.
Para 2026, no entanto, a XP avalia que o banco tem capacidade de melhorar a originação e entregar um crescimento na faixa de “um dígito médio”.
Por sua vez, o UBS BB vê lucros praticamente estáveis no Santander, pressionados por maior carga tributária e margens com clientes mais fracas.
Já o BofA espera um crescimento tímido, reflexo das políticas mais conservadoras de concessão de crédito e um trimestre sazonalmente fraco, o que deve resultar em uma leve queda na rentabilidade na comparação trimestral.
Itaú Unibanco (ITUB4) na liderança
- Data de divulgação do balanço: 05 de maio - depois do fechamento
- Lucro líquido ajustado projetado: R$ 12,452 bilhões (+14,3% a/a)
- Rentabilidade (ROE) prevista: 24,4%
Embora o trimestre tenda a ser mais difícil para o setor, o Itaú Unibanco (ITUB4) ainda aparece como o mais resiliente entre os grandes bancos.
A XP descreve o período como “mais fraco, porém benigno”, sem mudança na trajetória de médio prazo. O lucro deve ter uma leve contração na comparação trimestral, mas ainda crescer na base anual, segundo as projeções dos analistas.
O UBS BB também avalia que uma leve queda sequencial do lucro do Itaú é uma possibilidade, devido ao pagamento farto de dividendos no último trimestre, na ordem de R$ 20 bilhões.
Desde o primeiro trimestre de 2020, os lucros do Itaú caíram sequencialmente apenas uma vez, no quarto trimestre de 2022, impactado pelas provisões relacionadas à Americanas.
Do lado da rentabilidade, a XP espera que o ROE permaneça “resiliente, beneficiado pelo menor patrimônio líquido após o pagamento de dividendos, apesar do resultado trimestral mais fraco”.
Mesmo com alguma pressão em crédito — especialmente em cartões e rotativo —, o banco segue sustentado por linhas mais seguras, como crédito imobiliário, consignado e PMEs com garantias.
Bradesco (BBDC4) tenta manter recuperação no 1T26
- Data de divulgação do balanço: 06 de maio - depois do fechamento
- Lucro líquido ajustado projetado: R$ 6,652 bilhões (+13,4% a/a)
- Rentabilidade (ROE) prevista: 15,4%
Já o Bradesco (BBDC4) pode ser um dos grandes destaques positivos da temporada, na visão da XP. A expectativa é de mais um trimestre de recuperação gradual, marcando o nono avanço consecutivo nos lucros.
Os analistas preveem que o caminho à frente pode ser mais tortuoso, “marcado por menos ganhos fáceis, competição mais intensa e investimentos contínuos em tecnologia em um ambiente macroeconômico mais desafiador”, diz a XP.
O UBS BB aposta que o foco do 1T26 estará em dois pontos principais:
- O acordo da BradSaúde no capital do banco; e
- A capacidade de o Bradesco entregar resultados em linha com o consenso de mercado, que segue acima do ponto médio do guidance estipulado pelo próprio banco.
“Caso o banco entregue o desempenho que esperamos para o 1T26, a tendência de revisões negativas de lucros pelo consenso pode cessar”, avaliam os analistas.
Já o BTG Pactual reforça a previsão de que o crescimento da carteira de crédito deve desacelerar. “Vemos o Bradesco mantendo boa tração comercial e um apetite ao risco moderado, dado o pano de fundo macroeconômico.”
O 1T26 do BTG Pactual (BPAC11)
- Data de divulgação do balanço: 12 de maio - antes da abertura
- Lucro líquido ajustado projetado: R$ 4,583 bilhões (+36,1% a/a)
- Rentabilidade (ROE) prevista: 25,2%
E por falar no BTG Pactual (BPAC11), a expectativa é que o banco deve apresentar um “bom trimestre, mas menos empolgante”, segundo o JP Morgan.
O UBS BB vai na mesma linha. Para os analistas, a mudança significativa nas condições macroeconômicas após o início do conflito no Irã provocou uma elevação relevante na curva de juros, o que deve adicionar alguma pressão sobre os resultados.
A volatilidade dos mercados tende a afetar áreas como Investment Banking e Sales & Trading, embora o crédito siga como suporte.
Os analistas do BofA preveem que o crédito corporativo e ao consumidor deve continuar a ter um sólido crescimento, com a qualidade dos ativos permanecendo bem controlada.
Banco do Brasil (BBAS3) sem sinal de alívio no curto prazo
- Data de divulgação do balanço: 13 de maio - depois do fechamento
- Lucro líquido ajustado projetado: R$ 4,107 bilhões (-44,3% a/a)
- Rentabilidade (ROE) prevista: 7,3%
O Banco do Brasil (BBAS3) entra novamente nesta temporada como o nome mais pressionado entre os grandes bancos.
A expectativa é de mais um trimestre difícil, sem sinais claros de inflexão no curto prazo, como antecipou a administração do banco recentemente.
Segundo o JP Morgan, as provisões para devedores duvidosos devem voltar a subir, puxadas pelo agronegócio e por casos de inadimplência na carteira corporativa.
O Bank of America reforça a preocupação e não descarta resultados abaixo do esperado, diante da deterioração contínua do crédito rural.
Do lado da carteira, o cenário também não ajuda: o crescimento deve ficar em um dígito baixo, limitado pela estagnação das linhas rural e corporativa. O crédito ao consumidor, via consignado privado, aparece como um dos poucos pontos de suporte.
O alívio, se vier, deve ficar para depois. A expectativa da XP é que a pressão sobre provisões comece a diminuir apenas no segundo semestre, com a evolução das novas safras.
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