Câmara de São Paulo vai instalar CPI para investigar Enel sobre apagão na capital; problemas uniram governistas e oposição na Casa
Até agora, três requerimentos para a criação da CPI da Enel já foram protocolados, gerando uma disputa sobre a escolha do presidente da comissão

A Câmara Municipal de São Paulo vai instalar uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a concessionária de energia Enel, em razão da demora para mitigar os efeitos do apagão que atinge parte da capital desde sexta-feira (3).
Na manhã desta terça-feira (7), a vereadora Luna Zarattini (PT) protocolou o primeiro pedido de abertura da CPI. De acordo com o regimento da Casa, "o presidente da comissão será sempre o primeiro signatário do requerimento que a propôs". Porém, existe um movimento da base governista para que o vereador João Jorge (PSDB) presida a CPI da Enel.
Até agora, três requerimentos para a criação da CPI da Enel já foram protocolados, gerando uma disputa sobre a escolha do presidente da comissão.
Os outros dois pedidos foram apresentados pelos vereadores Sandra Tadeu (União) e João Jorge. Durante a reunião do colégio de líderes, o presidente da Câmara, Milton Leite (União), disse que pretende instalar a comissão nesta quinta-feira (9).
Nos bastidores, um acordo está sendo costurado entre os partidos para que João Jorge assuma a presidência da CPI, enquanto Luna ficaria responsável pela relatoria da comissão.
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CPI da Enel une governistas e oposição
"Que bom que a base do governo entende também a importância dessa CPI. Apresentei o primeiro pedido de CPI, e protocolei hoje pela manhã, antes dos outros requerimentos, já com a quantidade mínima de assinaturas", disse Luna ao Estadão.
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"A Enel deve explicações para a população paulistana e esse caso de negligência deve ser investigado! Que sirva de alerta para as outras tentativas de privatização na nossa cidade e no nosso estado", completou.
Por sua vez, Jorge diz que o serviço prestado pela Enel vem se deteriorando na cidade de São Paulo.
"Por mais que se reconheça a intensidade das intempéries que causaram a queda de energia, exige-se que a concessionária responda rapidamente aos chamados e mantenha equipe de atendimento condizente com o tamanho da cidade de São Paulo e com a receita obtida de seus moradores", escreveu o vereador no pedido de abertura da CPI.
Apagão em São Paulo
Nesta terça-feira (7), pelo menos 200 mil residências continuavam sem fornecimento de energia elétrica em 24 municípios da região metropolitana de São Paulo, incluindo a capital paulista, que são atendidos pela Enel.
A empresa divulgou essa informação pela manhã, quatro dias após as intensas chuvas e ventos que afetaram a região. Além da interrupção no fornecimento de luz e energia, as tempestades já resultaram em oito fatalidades.
"A Enel colocou quase 3 mil profissionais nas ruas que seguem trabalhando 24 horas por dia para agilizar os atendimentos e normalizar o fornecimento para quase a totalidade dos clientes até esta terça-feira, conforme anunciado em reunião com o prefeito de São Paulo", disse a companhia.
A previsão é que o serviço seja totalmente restabelecido até a noite da última terça.
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