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Potencial parceria surge após uma sequência de iniciativas que não conseguiram consolidar a recuperação da companhia, enquanto mercado se questiona: agora vai?
A nova tentativa de reestruturação da Oncoclínicas (ONCO3) já nasce acompanhada de uma pergunta central: por que desta vez seria diferente?
A companhia confirmou um acordo não vinculante com a Porto (PSSA3) que pode resultar em um aporte de até R$ 1 bilhão e na criação de uma nova empresa para concentrar parte de suas operações.
Essa parceria poderia ser uma tábua de salvação para a empresa, mas ainda há muitas incertezas que justifiquem um maior otimismo com a rede de saúde.
Isso porque esse é apenas mais um capítulo na tentativa de reorganizar uma estrutura financeira que se deteriorou ao longo dos últimos anos — sem que, até aqui, o turnaround tenha ganhado força.
Nesse período, a Oncoclínicas recorreu a aumentos de capital bilionários, buscou novos investidores, avaliou a venda de ativos e promoveu mudanças na liderança.
Agora, a empresa tenta mais uma vez reorganizar sua estrutura — justamente no momento em que perde uma das executivas que haviam sido recrutadas para liderar esse processo, o que adiciona uma nova camada de incerteza na história.
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A diretora financeira (CFO), Camille Faria, vinda de uma grande mudança na Lojas Americanas e que havia assumido o cargo recentemente com a missão de conduzir a reestruturação, deixou a companhia após pouco mais de um mês na posição.
Procuradas pela reportagem, a Oncoclínicas e a Porto afirmaram que não comentariam a situação além das informações divulgadas em comunicados ao mercado. O espaço segue aberto.
O Seu Dinheiro conversou com profissionais do mercado de capitais para entender as perspectivas para o negócio — e se ainda há caminho para a recuperação. Veja os detalhes nesta reportagem especial.
O acordo em discussão entre as duas companhias prevê a criação de uma nova empresa. Nessa estrutura seriam concentradas as operações de aproximadamente 200 clínicas atualmente controladas pela companhia. Você confere aqui todos os detalhes sobre a potencial operação conhecidos até o momento.
Outros ativos estratégicos ficariam de fora da transação, como os hospitais da rede e a operação internacional da empresa na Arábia Saudita. Ainda não está claro se essa empresa nova receberia parte da dívida da Oncoclínicas ou não — confira mais abaixo.
Nas contas do Bradesco BBI, a nova empresa teria valor estimado de R$ 1,67 bilhão, um desconto em relação ao valor atual de mercado da Oncoclínicas e também inferior ao considerado justo pelos analistas.
Pelo desenho inicial da operação, a Porto faria um aporte de R$ 500 milhões por meio de sua vertical de saúde, a Porto Saúde. Em troca, passaria a deter o controle do capital votante da nova empresa e ao menos 30% do capital total.
O acordo também prevê uma segunda etapa de financiamento. Outros R$ 500 milhões seriam investidos por meio de debêntures conversíveis em ações, o que pode aumentar a participação da seguradora. Ou seja, a Oncoclínicas pode ganhar até R$ 1 bilhão com a operação.
O aporte seria como um "paracetamol" para uma crise aguda de liquidez. O capital novo dá fôlego para pagar cerca de R$ 750 milhões em dívidas que vencem ainda este ano, diminuindo, por ora, as chances de um corte forçado no valor devido aos debenturistas.
Apesar do anúncio, o mercado ainda tem poucas informações para avaliar o impacto real da transação. O acordo divulgado até agora é apenas um termo de compromisso preliminar, e os detalhes sobre condições para acionistas e credores da Oncoclínicas ainda não foram divulgados.
As empresas têm agora um período de 30 dias de exclusividade para aprofundar as negociações.
Na visão do Citi, a operação poderia ser positiva para a Oncoclínicas por ampliar sua flexibilidade financeira e trazer um parceiro estratégico para o negócio. Para a Porto, no entanto, o racional levanta questionamentos sob a ótica de alocação de capital e criação de valor para o acionista, avalia o Citi.
Segundo os analistas do banco, o movimento vai na direção oposta ao que o mercado esperava. Em vez de vender uma participação em sua vertical de saúde para um parceiro estratégico, a seguradora estaria aumentando sua exposição ao setor ao investir diretamente em um operador de saúde.
Ainda assim, os analistas reconhecem que há um ponto positivo: o segmento de oncologia é um dos mais promissores dentro da saúde, o que pode tornar o investimento interessante no longo prazo.
O BTG Pactual também avalia que, à primeira vista, a transação é “relativamente desafiadora”, mas poderia permitir que a Oncoclínicas continuasse operando, “o que parece ser o objetivo da Porto”.
"Um possível acordo com a Porto poderia trazer suporte financeiro adicional e ajudar a estender a liquidez da companhia, o que, no final, pode ser visto de forma positiva sob a ótica do acionista”, acrescentaram.
Essa também é a opinião de Fernando Kunzel, sócio e um dos responsáveis pela execução das operações de M&A da JGP Financial Advisory. A entrada da Porto é vista menos como uma decisão de investimento estratégico em saúde e mais como uma necessidade de proteger sua própria base de beneficiários.
A Porto depende da Oncoclínicas como rede credenciada. Por isso, um eventual colapso da empresa de saúde geraria uma perda imediata de vidas para a seguradora, que não conseguiria substituir essa capilaridade da noite para o dia.
Na visão de um especialista em fusões e aquisições (M&As), embora o aporte de até R$ 1 bilhão pareça um balão de oxigênio para a Oncoclínicas, os riscos operacionais e de governança ainda são profundos.
Para alguns especialistas do mercado de crédito, o ponto mais relevante do acordo pode estar menos no capital e mais na governança. Hoje, a Oncoclínicas é uma corporation e tem uma base acionária bastante pulverizada — o que, na prática, dificulta a tomada de decisões estratégicas.
Mais do que uma entrada de dinheiro novo, a chegada da Porto poderia significar algo que a companhia não tem hoje: um controlador claro para conduzir o negócio. Porém, tudo depende do acordo de acionistas que vier a se definir.
Segundo um gestor de crédito ouvido pelo Seu Dinheiro, o acordo lembra estruturas usadas em reestruturações complexas de empresas em crise, como ocorreu na recuperação da Oi.
A lógica é relativamente simples: separar os ativos mais valiosos em uma nova empresa e concentrar ali o potencial de geração de caixa, no caso as clínicas de oncologia, enquanto outras áreas permanecem fora da operação.
Mesmo assim, a aposta não está livre de riscos. A Porto construiu sua reputação ao longo das décadas como uma especialista em subscrição de seguros.
Operar uma rede de clínicas, porém, exige uma dinâmica completamente diferente, com atuação intensiva, que envolve compra de medicamentos, gestão de equipamentos complexos e relacionamento direto com médicos e pacientes, o que a Porto ainda não tem expertise.
“Na teoria, o acordo resolve o principal problema, que é quem manda no negócio”, diz um gestor. “Mas operar uma clínica é muito diferente de operar uma seguradora”.
Outro ponto sensível é a relação com o corpo clínico. Até agora, muitos médicos da rede tinham uma relação direta com o fundador da companhia, Bruno Ferrari. Em um novo arranjo societário, esse vínculo pode mudar significativamente.
Na visão de um especialista em M&As, a decisão da Porto é vista como um movimento oportunístico para adquirir um ativo bom a preços baixos.
Estrategicamente, faz sentido para a Porto verticalizar seus serviços, já que a oncologia é um dos segmentos que mais pressiona os custos das operadoras. Entretanto, o especialista vê "mais prejuízo do que benefício" no curto prazo para a seguradora.
Outro ponto potencialmente positivo, na visão do Citi, é que o negócio independente de clínicas de oncologia parece atrativo e poderia representar uma nova via de expansão dentro do segmento de saúde, gerando resultados positivos ao longo do tempo.
Para Harold Takahashi, sócio da Fortezza Partners, a Porto sempre foi muito tradicional em outros tipos de seguro, como o e automóveis, mas a entrada deles em saúde é relativamente recente. “Fortalecer o investimento no setor de saúde pode fazer sentido, para tentarem ganhar mais market share, especialmente com o movimento dos concorrentes”, disse.
O executivo destaca, porém, que o processo de integração da Oncoclínicas pode trazer um risco elevado para a Porto no médio e longo prazo.
"Eu acho que, com esse movimento, eles [Oncoclínicas] deram um passo na direção certa para reduzir a alavancagem. A Porto é um investidor estratégico importante. Mas não acredito que dê para dizer que eles resolveram o problema. Ainda está longe disso”, afirmou.
No meio do processo de reestruturação, a companhia perdeu justamente a executiva que havia sido escolhida para conduzir sua reestruturação financeira e organizar o balanço.
Camille Faria, que acumulava os cargos de vice-presidente executiva, CFO e diretora de relações com investidores, renunciou aos postos pouco mais de um mês após assumir as posições. A estadia na companhia foi tão breve que não rendeu nem atualização no LinkedIn, aliás.
Seu currículo inclui passagens por empresas que enfrentaram crises profundas, como a Lojas Americanas, logo após a fraude contábil multimilionária, além de experiências na Tim e na Oi.
O mercado esperava que ela liderasse uma reestruturação agressiva na Oncoclínicas, possivelmente com pedidos de recuperação extrajudicial ou judicial e cortes severos nas dívidas (haircuts).
No entanto, sua partida repentina sugere um desalinhamento estratégico; ruídos indicam que ela não estaria totalmente ciente dos termos do acordo com a Porto.
Com a saída de Camille, o conselho — agora mais influenciado pela Latache — parece ter optado por uma solução considerada mais "pacífica" e menos turbulenta, em vez do embate direto com credores.
Para ocupar as posições de Faria de forma interina, o conselho nomeou Marcel Cecchi Vieira. Cecchi é sócio da Latache Capital desde 2023 e assumiu no início deste ano, por indicação da gestora, posição no conselho da Oncoclínicas.
Um executivo de mercado avalia que a saída inesperada de Faria poucos dias após a celebração do contrato com a Porto é um processo "abrupto" e possivelmente não negociado. "Dá uma impressão ruim", afirma ele, destacando que a executiva emprestava uma camada de segurança ao processo de turnaround que agora se torna incerta.
Outro ponto que permanece em aberto é o tratamento da dívida da Oncoclínicas.
O desenho da operação permite que parte do endividamento seja transferida para a nova empresa, mas ainda não está claro qual parcela da dívida migraria para essa estrutura — nem em que condições. Esse detalhe é crucial para credores e investidores.
No terceiro trimestre de 2025, a companhia reportou alavancagem líquida próxima de 4,2 vezes. Na época, a dívida somava cerca de R$ 910 milhões, contra um caixa de aproximadamente R$ 475 milhões.
Mesmo assumindo algum desconto (haircut) da dívida com credores, muitos stakeholders ainda têm dúvidas sobre a trajetória de desalavancagem orgânica da Oncoclínicas.
É importante lembrar também que os credores da Oncoclínicas recentemente passaram por outro forte desconto no valor de suas dívidas, enquanto os acionistas que não participaram do aumento de capital bilionário, em novembro, foram fortemente diluídos.
“O credor teve um haircut da dívida em novembro. Cinco meses depois, agora ele vai ter que aceitar outro desconto?”, reforçou um gestor.
O Bradesco BBI avalia que o impacto do acordo na redução da dívida seria limitado, já que o aporte de R$ 500 milhões reduziria a alavancagem apenas parcialmente.
Vale lembrar que a empresa deve divulgar os resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) no dia 30 de março, após o fechamento do mercado.
Para alguns especialistas, é possível que, se tudo correr dentro do esperado, a Oncoclínicas esteja um passo mais próxima de se reerguer da crise financeira que vivencia hoje.
Basicamente, por dois motivos: está entrando dinheiro novo, e a Oncoclínicas precisa de caixa para sobreviver; e agora a empresa passaria a ter um dono de reputação, que é referência no mercado.
“Hoje, a Oncoclínicas não tem condições de focar na sua operação, porque precisa focar no financeiro... é levantar dinheiro para pagar a dívida. Se ela vira uma companhia só com as clínicas e com R$ 1 bilhão em caixa, vindo de um sócio com tamanha relevância, é positivo. O que não quer dizer que para os acionistas atuais e para os debenturistas atuais isso melhore. São coisas diferentes”, diz um gestor.
Segundo Kunzel, da JGP, mesmo se a parceria com a Porto for adiante, a Oncoclínicas deixou de ser uma história de expansão agressiva para se tornar uma história de reorganização operacional.
“Esse um bilhão serve para dar uma aliviada para a turma poder ter tempo para pensar sobre operação e estratégia. Extrair sinergias da Porto vai ser num segundo momento; agora, é como uma boia de salvação. A saída com a Porto permite tempo hábil para uma reorganização operacional que, de outra forma, teria que se dar sem dinheiro e com haircuts de uma maneira mais à la Americanas”, disse Kunzel.
Para ele, o sucesso dessa nova fase dependerá de um acordo de acionistas bem desenhado entre Porto, Goldman Sachs, Latache e Ferrari.
Além disso, o futuro dessa estrutura depende agora de outros dois fatores críticos, segundo ele:
Com toda essa incerteza, o mercado mantém cautela em relação à tese da Oncoclínicas, e a avaliação é que a ação é mais para perfis oportunísticos. Das quatro recomendações compiladas pela Broadcast para as ações ONCO3, duas são neutras e duas são de venda.
O BTG Pactual mantém recomendação neutra para os papéis, citando as incertezas em torno da estrutura da operação e da situação financeira da empresa.
Já o Citi segue com recomendação de venda para ONCO3, destacando os riscos elevados envolvidos na tese.
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