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Após deixar investidores no limbo, Gafisa (GFSA3) finaliza última etapa de grupamento de ações; relembre o caso

Vale destacar que o Seu Dinheiro repercutiu ontem a denúncia de um acionista a respeito da demora na conclusão do processo

Logo da incorporadora Gafisa em meio aos prédios da cidade de São Paulo
Imagem: Montagem Andrei Morais/Shutterstock

Cinco meses após promover um grupamento de ações na B3, a Gafisa (GFSA3) concluiu o último passo da operação. Segundo comunicado enviado ao mercado nesta quinta-feira (23), o leilão das frações — "sobras" dos papéis de investidores que não ajustaram sua posição antes do grupamento — enfim foi realizado.

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A companhia atendeu a um ofício da B3 que a questionava sobre o cronograma estimado para a realização do processo. Vale destacar que o Seu Dinheiro repercutiu ontem a denúncia de um acionista a respeito da demora na conclusão do certame.

O grupamento dos papéis GFSA3 ocorreu em setembro do ano passado, mas o leilão das frações ainda não havia sido concluído, e a posição acionária de parte dos 39 mil investidores da construtora estava em um “limbo” formado pelas sobras pós-grupamento.

Procurada pela reportagem do Seu Dinheiro, a própria B3 indicou que havia pouco a se fazer. Isso porque não há um prazo estabelecido em regulamentação para a execução do leilão de frações, de acordo com a superintendente de listagem e supervisão de emissores da B3, Ana Lúcia Pereira.

Mas, de acordo com o manual de orientação para grupamento que também é produzido pela mesma B3, a prática de mercado é que o certame seja realizado em até dez dias após o encerramento do prazo para ajuste de posições.

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No caso da Gafisa, correram cinco meses entre o fim dessa janela e o leilão — as ações GFSA3 acumularam uma queda de 26,5% nesse período. De acordo com o comunicado de hoje, os papéis foram vendidos por R$ 8,3317206 cada no certame, somando um total de R$ 157.610,73 a serem creditados aos ex-detentores das frações de ativos a partir de 3 de março.

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Gafisa está imersa em polêmicas

Essa não é a primeira vez que a Gafisa se envolve em uma polêmica com seus acionistas. Os controladores da companhia travam há meses uma batalha pública com a gestora Esh Capital, uma de suas acionistas.

No embate mais recente, a gestora convocou uma assembleia para discutir a suspensão dos direitos políticos do empresário Nelson Tanure e outros investidores supostamente ligados a ele na incorporadora.

Segundo a Esh, Tanure deveria lançar uma oferta pública de aquisição (OPA) pelas ações da Gafisa na B3 após alcançar uma participação direta e indireta acima de 30% na companhia.

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No entendimento da gestora, o empresário possui hoje uma participação de mais de 40% na incorporadora, que estaria oculta em veículos sob gestão da Planner Corretora, Trustee DTVM e do Banco Master. As instituições negam ligações com Tanure.

A chamada cláusula de "poison pill" (pílula de veneno) faz parte do estatuto da Gafisa e prevê a realização de uma oferta quando um acionista ultrapassa os 30% do capital. O mesmo estatuto prevê que o acionista pode ter a suspensão dos direitos na companhia caso não faça a OPA. 

A proposta da Esh, porém, foi rejeitada pelos acionistas. Essa foi a segunda derrota da gestora em assembleias da Gafisa: ela também tentou barrar um aumento de capital da incorporadora, mas acabou perdendo a votação.

Já em outra frente, a Esh conseguiu uma liminar que impede a conversão de uma emissão de debêntures em ações da companhia.

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