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Julia Wiltgen

Julia Wiltgen

Jornalista formada pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com pós-graduação em Finanças Corporativas e Investment Banking pela Fundação Instituto de Administração (FIA). Trabalhou com produção de reportagem na TV Globo e foi editora de finanças pessoais de Exame.com, na Editora Abril. Hoje é editora-chefe do Seu Dinheiro.

Reação ao balanço

Hoje sim, hoje sim… hoje não! Apesar de resultado estelar, ação do Nubank chega a cair quase 10% em NY e se afasta do preço do IPO

Apesar do balanço com lucro acima das estimativas, ações do banco digital caem forte no exterior; preço estava prestes a alcançar patamar da abertura de capital

Julia Wiltgen
Julia Wiltgen
15 de novembro de 2023
12:38
Nubank
Lucro do Nubank surpreendeu, e rentabilidade superou a dos grandes bancos, mas inadimplência se mantém em alta. - Imagem: Shutterstock

Ainda não deve ser hoje que o preço das ações do Nubank (NU) retornará a US$ 9, o preço do IPO do banco digital em 2021.

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Apesar do resultado trimestral bem acima das estimativas dos analistas divulgado ontem, as ações do banco digital, negociadas na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE) chegaram a despencar quase 10% nesta quarta-feira (15), mas depois reduziram um pouco a queda.

Por volta das 12h30, os papéis NU recuavam 7,36%, para US$ 8,18. Logo depois da abertura, a baixa superava os 9,50%.

Com a bolsa brasileira fechada devido ao feriado de Proclamação da República, não é possível medir o impacto do desempenho nos BDRs (recibos de ações) ROXO34, que só devem refletir a queda amanhã.

Inicialmente, o movimento parece se dever a uma realização de lucros. Na semana, até o fechamento de ontem, as ações do Nubank haviam subido 3,64%, a US$ 8,83, criando a expectativa de que hoje poderiam finalmente retomar o patamar do IPO. No ano, os papéis NU acumulam alta de cerca de 100%.

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ETF do Nubank (NDIV11) é nova opção na Bolsa para receber dividendos todo mês; vale a pena investir?

Os números do Nubank no terceiro trimestre

O Nubank chegou à temporada de resultados do terceiro trimestre dos grandes bancos com status de grande estrela. E não decepcionou. O banco digital registrou lucro líquido ajustado de US$ 355,6 milhões — equivalente a R$ 1,7 bilhão no câmbio atual.

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A comparação com o terceiro trimestre de 2022 mais parece com a de outro banco, já que o lucro do Nubank entre julho e setembro de 2022 foi de apenas US$ 63 milhões. Ou seja, o resultado aumentou 464% de um ano para o outro — ou 426% sem o impacto do câmbio.

O lucro do terceiro trimestre superou de longe das estimativas dos analistas, que já eram otimistas e apontavam para US$ 276 milhões, de acordo com dados da Bloomberg.

Como se não bastasse, a rentabilidade sobre o patrimônio líquido (ROE) do Nubank alcançou o impressionante patamar de 25% no terceiro trimestre. No mesmo período do ano passado, esse indicador era de apenas 5%.

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Assim, o Nubank conquistou a coroa de banco mais rentável entre os grandes de capital aberto que atuam no Brasil, superando os todo-poderosos Itaú Unibanco e Banco do Brasil.

Se considerarmos o lucro contábil, que exclui despesas sem efeito no caixa como a remuneração em ações dos executivos, o ROE do Nubank foi de 21%. Ainda assim, trata-se de um patamar em linha com Itaú e BB.

Inadimplência se mantém em alta

Praticamente todos os indicadores do resultado do Nubank vieram positivos, exceto pela inadimplência. O índice de atrasos acima de 90 dias na carteira do banco digital encerrou setembro em 6,1% — alta de 0,2 ponto percentual no trimestre e bem acima dos 4,7% de 12 meses antes.

Por outro lado, a inadimplência de curto prazo (15 a 90 dias) recuou pelo segundo trimestre consecutivo. Ou seja, esse pode ser um sinal de que o índice de calotes do banco digital está cada vez mais perto do pico.

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