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Por caprichos do calendário, o 21 de junho cai no dia da reunião que decidiu sobre os juros, tirando o peso do passado das costas do futuro
Este é o 21 de junho do tão esperado solstício de inverno - quando nós, do hemisfério sul, experimentamos o dia mais curto e a noite mais longa do ano.
Tão esperado por quem?
Tão esperado por Fernando Haddad, pode ter certeza.
Tão esperado por Roberto Campos Neto, acredite se quiser.
Tão esperado por mim.
Quando criança, eu tinha dificuldade de aceitar que o solstício de inverno ocorria bem no início, e não no meio do inverno.
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O ápice da noite e o ápice do frio deveriam se conjugar sob formas simultâneas e simétricas.
Mais tarde, muito mais tarde, com as dores do coração e da coluna lombar, pude me libertar da simetria enquanto referencial estético.
Aprendi também que o tempo e o vento podem concordar ou discordar.
Coisas ruins acontecem em épocas boas da vida, assim como coisas boas nos visitam em períodos ruins.
A porta fica aberta, e nem sempre decidimos quem pode ou não pode entrar.
Hoje entrou o solstício de inverno, a quem dou boas-vindas e sirvo uma taça de vinho com tábua de queijos.
Importo-me não com o escuro atual, mas sim com a perspectiva de que, daqui até o longínquo solstício de verão, cada noite será um pouquinho menor do que a anterior, cada dia será um pouquinho maior.
Por esses caprichos do calendário, o 21 de junho cai bem no dia da reunião do Copom que tira o peso do passado das costas do futuro.
Foi providencial.
Até hoje, as noites têm ficado mais longas. A partir de hoje, os dias ganharão market share, em direção ao verão.
Afrouxamento monetário à vista.
Vai demorar e, ao mesmo tempo, sentimos que está logo ali.
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