A Copa mais cara de todos os tempos vai começar! Mundial no Catar tem custo astronômico e desbanca o Brasil com gasto 15 vezes maior
Até então, a Copa de 2014 realizada no Brasil era considerada a mais cara de todos os tempos, com valor de US$ 15 bilhões, mas o país do tamanho do estado de Sergipe deixou essa marca no chinelo

A Copa do Mundo colocou nos holofotes o Catar, um pequeno país na ponta leste da Península Arábica que se projeta para o Golfo Pérsico. Mas não se deixe enganar pelo tamanho: seus 2,9 milhões de habitantes desfrutam de enormes riquezas graças a uma das maiores reservas de gás natural do planeta.
Além do gás, o petróleo ajudou o país com as dimensões de Sergipe, o menor estado brasileiro, a ser rico e estratégico.
Hoje, o Catar é um centro de trânsito internacional, com uma companhia aérea nacional lucrativa e uma força por trás da influente rede de notícias Al Jazeera — além disso, o governo está pagando até mesmo pela expansão da maior base militar dos EUA no Oriente Médio.
Toda essa riqueza poderá ser vista a partir do dia 20 de novembro, quando começa a Copa do Mundo mais cara da história e a primeira a ser realizada no Oriente Médio.
Para sediar o torneio, o Catar gastou astronômicos US$ 220 bilhões (R$ 1,2 trilhão) em infraestrutura e outros projetos de desenvolvimento, de acordo com declarações oficiais e um relatório da Deloitte.
Desse total, de US$ 6,5 bilhões a US$ 10 bilhões foram gastos na construção de oito estádios para a Copa, incluindo o Al Janoub, projetado pela aclamada arquiteta Zaha Hadid.
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Bilhões também foram destinados para construção de metrô, um novo aeroporto e estradas para os jogos.
A tabela abaixo mostra as Copas mais caras até agora:
| País | Ano | Valor |
| Catar | 2022 | US$ 220 bilhões |
| Brasil | 2014 | US$ 15 bilhões |
| Rússia | 2018 | US$ 11,6 bilhões |
| Japão | 2002 | US$ 7 bilhões |
| Alemanha | 2006 | US$ 4,3 bilhões |
| África do Sul | 2010 | US$ 3,6 bilhões |
| França | 1998 | US$ 2,3 bilhões |
Grande parte dos custos atribuídos à Copa do Mundo do Catar fazem parte de um plano mais amplo do governo para se consolidar como um país turístico — a exemplo do estádio Al Bayt, que terá a sua parte superior convertida em um hotel 5 estrelas e shopping center após a realização do torneio.

Além disso, uma pequena parte dos US$ 220 bilhões gastos com o mundial deve voltar aos cofres do governo do Catar. Segundo a Capital Economics, as vendas de ingressos sugerem que cerca de 1,5 milhão de turistas visitarão o país para a Copa do Mundo.
Cálculos da consultoria britânica indicam ainda que se cada visitante ficar 10 dias no país e gastar US$ 500 por dia, o gasto por visitante seria de US$ 5.000 — ou um impulso de US$ 7,5 bilhões para a economia do Catar este ano.
A Capital Economics lembra, no entanto, que alguns torcedores podem voar apenas para as partidas enquanto ficam nas proximidades de Dubai e em outras regiões próximas.
A economia no Catar
Enquanto grande parte do mundo luta contra a recessão e a inflação, o Catar e outros produtores de energia do Golfo Árabe estão colhendo os benefícios dos altos preços da energia.
O país da ponta leste da Península Arábica se projeta para o Golfo Pérsico. Ali fica o Campo Norte, o maior campo de gás subaquático do mundo, que o Catar compartilha com o Irã. O local guarda cerca de 10% das reservas conhecidas de gás natural do mundo.
Mas nem sempre foi assim. Durante um longo período, as tribos do Catar dependiam do mergulho e da pesca de pérolas para sobreviver. Foi a descoberta de petróleo e gás em meados do século 20 que mudou a vida na Península Arábica.
E essas riquezas devem crescer à medida que o Catar expande a capacidade para exportar mais gás natural até 2025. O Fundo Monetário Internacional (FMI) espera que a economia do Catar cresça cerca de 3,4% este ano, na contramão de grandes economias como a do Reino Unido que devem encerrar 2022 em recessão.
O Qatar Investment Authority, fundo soberano do Catar, é o responsável por administrar e investir as reservas financeiras do país.
Vida no Catar: sem liberdades e com benefícios
O Catar é o lar de cerca de 2,9 milhões de pessoas, mas uma pequena fração – cerca de um em cada 10 – são cidadãos do Catar.
Como outros petro-estados ricos do Golfo, o Catar não é uma democracia. As decisões são tomadas pela família governante Al Thani e seus conselheiros escolhidos. Os cidadãos têm pouco a dizer nas principais decisões políticas do seu país.
O governo, no entanto, oferece aos cidadãos vantagens que ajudaram a garantir lealdade e apoio contínuos, entre eles:
- Rendimentos isentos de impostos;
- Empregos públicos bem remunerados;
- Assistência médica e ensino superior gratuitos;
- Ajuda financeira para recém-casados;
- Apoio à moradia;
- Subsídios generosos que cobrem contas de serviços públicos;
- Benefícios de aposentadoria de luxo.
Apesar disso tudo, o Catar depende de trabalhadores de outros países para preencher empregos no setor de serviços, como motoristas e babás, e para fazer o trabalho mais duro — como na construção que levantou o Catar moderno.
O trabalho na Copa do Catar
Como diz o ditado: nem tudo o que reluz é ouro, e com a Copa do Mundo no Catar não é diferente. O país vem sendo criticado pelas violações dos direitos humanos ligados ao torneio.
Relatos de organizações internacionais indicam que trabalhadores imigrantes — principalmente de Índia, Bangladesh, Paquistão, Sri Lanka, Nepal e outros países do sul da Ásia — compartilhavam quartos, trabalhavam durante os longos meses de verão com apenas algumas horas de descanso e ficaram anos sem poder ver as famílias.
A Anistia Internacional criticou o fracasso das autoridades do Catar em investigar as mortes de milhares desses imigrantes na última década, apesar das evidências ligando os óbitos às condições de trabalho perigosas.
Estatísticas da Anistia Internacional mostram que 15.021 cidadãos de outros países morreram no Catar entre 2010 e 2019, embora não tenha conseguido mensurar quantos trabalhadores perderam a vida durante os preparativos para a Copa do Mundo.
O Comitê Supremo do Catar, por sua vez, indica que um total de 35 trabalhadores morreram em projetos da Copa do Mundo que supervisiona desde 2015, mas não forneceu estimativa de quantos trabalhadores morreram em outros projetos de infraestrutura relacionados à realização do torneio.
Grupos de direitos humanos creditaram ao Catar a melhoria de suas leis trabalhistas, como a adoção de um salário mínimo mensal de cerca de US$ 275 em 2020 e o desmantelamento do sistema “kafala” — que impedia os trabalhadores de mudar de emprego ou deixar o país sem o consentimento de seus empregadores.
A Human Rights Watch, no entanto, instou o Catar a melhorar a compensação para trabalhadores imigrantes que sofreram ferimentos e roubo de salário enquanto trabalhavam em projetos relacionados à Copa do Mundo.
Turistas atentos na Copa
E não é só o trabalhador imigrante que enfrenta questões de direitos humanos no Catar. Os turistas que estarão na Copa também precisam estar atentos às severas regras de comportamento impostas pelo país.
A primeira dela é com relação às bebidas alcóolicas, que são proibidas no Catar. Para a Copa, no entanto, existem algumas exceções. Os torcedores só poderão ingerir bebidas alcoólicas em determinados locais — espaços públicos estão proibidos. Se beberem fora destes locais, serão multados em 800 euros (R$ 4,5 mil) e correm o risco de serem detidos pela polícia.
Vale lembrar que, na sexta-feira (18), o Catar e a Fifa anunciaram a proibição da venda de bebidas alcoólicas no entorno dos estádios da Copa. A comercialização de bebidas alcoólicas será concentrada no Fifa Fan Festival, outros destinos de torcedores e locais licenciados.
Outra regra à qual os visitantes devem ter atenção é sobre as demonstrações de afeto em público, que são mal vistas no país. Também deve-se ter em mente que as relações sexuais fora do casamento são puníveis com sete anos de prisão.
Outra das questões mais controversas tem sido a não aprovação de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo. Os torcedores estão sendo avisados para não usar nada em público que represente a comunidade LGTBQIAP+ porque podem ser punidos com pena de prisão de até cinco anos.
Também é necessário atenção às roupas. As mulheres, por exemplo, não poderão usar decotes e seus ombros terão que ser cobertos. Além disso, as roupas deverão ser calças na altura do joelho ou vestidos longos.
No caso de ilícitos, se algum dos visitantes for apanhado com drogas, pode ser multado em 51 mil euros (R$ 228 mil) e ainda assim ir para a prisão com penas que variam de sete a 15 anos.
*Com informações da Bloomberg, da CNN e do Sport Insider
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