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Não há nenhuma grande notícia que explique o desempenho do setor, mas algumas pistas ajudam a solucionar esse mistério
A segunda-feira (25) foi mais um dia negativo para o Ibovespa — e, por isso, a alta de parte das construtoras e incorporadores da B3 chamou a atenção dos investidores. A PDG Realty (PDGR3), por exemplo, que está fora do índice, disparou 9,22% e foi a segunda maior alta do pregão.
A Tenda (TEND3), outra companhia ausente da carteira do Ibovespa, também se destacou no dia, com ganhos de 6,50%. Veja o desempenho de outros nomes da construção:
Não há nenhuma grande notícia que explique o desempenho das construtoras hoje, segundo Pedro Galdi, analista Mirae Asset. Para ele, este movimento está ligado a uma troca de posições de investidores, que estão deixando as ações ligadas às commodities e apostando em papéis dos setores de atividades industriais e comerciais.
Vale lembrar que as commodities estão por trás de boa parte da queda do mercado acionário nos últimos dias. Os indícios de que o Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos, deve promover uma elevação de juros mais brusca, além dos novos surtos da covid-19 na China, pressionam as empresas que trabalham com minério de ferro e petróleo, por exemplo.
A explicação soluciona o mistério de porque várias ações de construção e incorporação subiram sem motivos aparentes hoje. Mas, ainda fica a dúvida: como a PDG, uma empresa fora do Ibovespa e que passou por vários problemas financeiros nos últimos anos, é a que mais avançou no setor?
O analista da Mirae também tem uma hipótese para responder a essa pergunta. “ Este é o famoso movimento de caça às pechinchas, ou àquelas [ações] que ficaram muito atrasadas”.
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O rótulo de “pechincha” cabe bem para a PDG: mesmo com o salto registrado hoje, ela ainda recua 73,26% nos últimos doze meses. E o “desconto” dos papéis é fruto da situação financeira da construtora, que ainda é delicada.
No quarto trimestre, a companhia registrou lucro líquido de R$ 348,6 milhões, um salto de quase cinco vezes em relação aos R$ 70,3 milhões obtidos nos últimos três meses de 2020.
Mas o resultado — que marca os melhores três meses do ano para a empresa — foi impulsionado por ajustes sobre dívidas extraconcursais no processo de recuperação judicial.
Vale lembrar que, no início da década de 2010, a incorporadora chegou a ser o maior nome do mercado imobiliário no país.
A situação começou a mudar a partir de 2012, em meio ao esfriamento do mercado imobiliário. Somados à falta de executivos com experiência no setor à frente da gestão, os problemas no cenário macroeconômico e setorial quase levaram a companhia à falência.
Sem alternativas e com cerca de R$ 7,9 bilhões em dívidas, a PDG iniciou em 2017 o processo de recuperação judicial.
Após pouco mais de quatro anos em andamento, o processo foi encerrado em outubro do ano passado e, segundo a empresa, permitiu a reestruturação de R$ 5,3 bilhões em dívidas com 22 mil credores.
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