Mobly (MBLY3) em disparada: como a compra do controlador afeta as ações da empresa?
As ações da Mobly (MBLY3) chegaram a saltar mais de 30% com a notícia envolvendo a possível troca de controlador; entenda as implicações

A Mobly (MBLY3) era um dos patinhos feios da última safra de IPOs: desde a abertura de capital, em fevereiro de 2021, suas ações amargavam uma desvalorização de mais de 85%. Mas a varejista de móveis começa a ensaiar o voo do cisne na B3, tudo graças à fusão entre duas empresas da Europa — uma delas, a sua controladora.
Por volta de 14h00, os papéis MBLY3 disparavam 26%, a R$ 3,90; nas máximas do dia, chegaram a saltar 37%, sendo negociadas a R$ 4,27. É o maior patamar de preço desde maio deste ano.
E esse movimento está ligado a uma novidade potencialmente benéfica para a companhia brasileira: a alemã home24 SE, dona de 51% do capital da Mobly, será comprada pelo grupo austríaco XXXLutz KG, o terceiro maior varejista de móveis do mundo.
Ou, em outras palavras: a Mobly pode ter um novo acionista de referência, com disposição para injetar ânimo em suas operações. A home24 está longe de seus melhores dias — somente no primeiro semestre desse ano, os alemães viram a receita líquida cair 10% e queimaram mais de 70 milhões de euros do caixa.
A situação econômica do velho continente, afinal, não é nada favorável: o sentimento do consumidor está em tendência de baixa e a inflação, em alta — tendências que também são vistas na Alemanha. E, num cenário como esse, redecorar a casa deixa de ser a prioridade.
Mas o que exatamente está em negociação entre as duas empresas europeias, e quais os potenciais desdobramentos dessa operação para a Mobly? A percepção do mercado é a de que há incertezas quanto ao futuro; ainda assim, quaisquer possibilidades derivadas da compra da home24 são positivas para a empresa brasileira.
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Mobly (MBLY3): troca de controlador
Antes de qualquer coisa, vamos à Europa: a XXXLutz fez uma oferta hostil para comprar 100% da home24, ao preço de 7,50 euros por ação — um prêmio de 124% em relação às cotações de fechamento da empresa alemã no pregão de quarta (5).
Mais que isso: os austríacos também se comprometeram com um aumento de capital de cerca de 23 milhões de euros (R$ 120 milhões), injetando dinheiro novo nas operações. Considerando esses termos, os alemães aceitaram a proposta, para a surpresa de pouca gente.
"Estamos convencidos de que, em conjunto com a XXXLutz, aumentaremos de maneira significativa a nossa robustez e presença no mercado de móveis", disse Marc Appelhoff, CEO da home24. "O fato de conseguirmos atrair um investidor forte e estratégico, em tempos de tensões globais e depressão no sentimento econômico, é um voto de confiança em nosso modelo de negócios".
Marc Appelhoff, diga-se, também ocupa o cargo de presidente do conselho de administração da Mobly (MBLY3) — basicamente, a empresa é o braço de atuação da home24 no Brasil, servindo como plataforma para fora do mercado europeu.
Uma vez concluída a operação, ocorrerá uma mudança no capital social da Mobly: sai a home24 e entra a XXXLutz como acionista de referência da companhia. E é neste ponto que residem os maiores potenciais de valorização das ações MBLY3.

MBLY3: vai ter OPA?
Há duas maneiras de se analisar os eventuais impactos que essa transação poderá trazer para a Mobly (MBLY3): o lado qualitativo e o quantitativo. Comecemos pela questão principal — se a XXXLutz precisará ou não fazer uma oferta pública de aquisição (OPA) aos acionistas da empresa brasileira.
Afinal, a transação implica numa troca indireta de controle para a Mobly: a XXXLutz passará a ter os 51,16% que atualmente são detidos pela home24, uma vez concluída a compra. Dito isso, ainda não há resposta; a CVM precisará analisar o caso e determinar se é necessário ou não disparar uma operação do tipo.
Caso se decida que sim, é preciso fazer uma OPA, pode-se assumir algumas premissas. Considerando o prêmio de 124% pago pela XXXLutz para comprar a home24, é razoável imaginar que parte desses múltiplos também se estendem à Mobly, considerando sua importância estratégica na carteira da empresa alemã.
Mas e se a CVM entender que não é necessário fazer a OPA? Bem, nesse caso, a Mobly fará parte do portfólio da XXXLutz, e caberá aos austríacos decidirem o que fazer — ficar com as operações no Brasil ou procurar um comprador.
XXXLutz, Mobly e expansão
A XXXLutz tem um faturamento anual de 5,34 bilhões de euros (cerca de R$ 27,3 bilhões). Conta com mais de 370 lojas, espalhadas por 13 países europeus, e conta com mais de 25 mil empregados — um gigante global no varejo de móveis e que está em fase de expansão.
"Internacionalização é a chave para o sucesso", diz o site institucional do grupo austríaco, ressaltando, em determinado ponto, que a "abertura consistente" para novos mercados é parte da estratégia. Nesse sentido, a Mobly (MBLY3) pode ser um atrativo: o Brasil e a América Latina ainda são territórios inexplorados pela empresa.
Em termos operacionais, a Mobly tem uma posição de destaque no portfólio da home24. Basta olhar para as métricas de caixa: os alemães fecharam o mês de junho com uma posição de liquidez 65,7 milhões de euros (pouco mais de R$ 330 milhões); a empresa brasileira, sozinha, tinha R$ 203 milhões.
"A home24 estava com problemas, isso impediu que ela crescesse lá fora, impediu a Mobly de crescer também. Era um controlador manco, capenga", diz um gestor de um fundo de investimentos que possui ações da companhia na carteira. "[A XXXLutz] é um novo sócio, com bolso fundo".
E mesmo se os austríacos optarem por vender a Mobly, as perspectivas parecem positivas para os detentores de ações MBLY3, considerando o desconto visto nos papéis: a empresa era avaliada em R$ 330 milhões na bolsa; descontada a posição de caixa, o valor de mercado seria de menos de R$ 130 milhões.
Em sua estreia na B3, em fevereiro de 2021, as ações MBLY3 valiam R$ 21,00, o que conferia à empresa um market cap de R$ 2,2 bilhões na ocasião. "Qualquer cenário tem upside", diz o gestor.
Mesmo com o salto do momento, a Mobly ainda acumula perdas de cerca de 25% em 2022. Na Alemanha, as ações da home24 (H24.DE) fecharam o pregão em alta de 125%, a 7,48 euros — um ajuste quase exato para os termos propostos pela XXXLutz.
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