A hora e a vez das healthtechs: Alice, startup de planos de saúde, demite 63 funcionários
A healthtech faz parte das empresas em late stage, estágio mais atingido pela queda de aportes no primeiro semestre deste ano

Há uma semana, o flutuante da travessia de balsas entre Guarujá e Bertioga, litoral paulista, foi engolido pela força da maré. O mar segue agitado com uma nova frente fria chegando, mas o problema está perto de ser resolvido.
No caso das startups, a resolução não é tão previsível assim. Com a maré nas alturas desde o início do outono, a onda de demissões segue distante de perder força e chegar tranquila à orla.
Na semana passada, a startup de planos de saúde — também chamada de healthtech — Alice pegou a onda e não conseguiu surfar. A empresa desligou 63 colaboradores da área de vendas e realocou outros 20.
Em média, a startup cortou quase 9% do quadro de funcionários, de acordo com o número de pessoal informado pela empresa. “As demissões foram consequência da necessidade de redimensionamento da equipe de Vendas conforme os planos de expansão da Alice”, afirmou, em nota.
A empresa disse ainda que os vendedores desligados receberão um salário extra e a extensão do plano de saúde por dois meses, além das verbas rescisórias.
Vale ressaltar que a healthtech recebeu um aporte de US$ 127 milhões (R$ 679 milhões, no câmbio atual), em uma rodada série C, em dezembro de 2021.
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Nos últimos dois anos, a startup já recebeu mais de US$ 174 milhões (R$ 930 milhões) em investimentos.
[captacao]
Além da Alice: a onda de demissões chegou nas healthtechs
Desde abril, a maré crescente da alta de juros atingiu as startups brasileiras — assim como em todo o mundo. A inflação global e a Guerra da Ucrânia foram os ventos que aumentaram ainda mais as tensões.
Por aqui, no Brasil, as demissões são consequência, principalmente, da queda no volume de investimentos. Segundo o relatório da Distrito, as alocações caíram 44% no primeiro semestre deste ano, comparado com o mesmo período do ano passado.
No caso das empresas mais maduras, como a Alice que está inserida no estágio late stage, foram as mais atingidas, com queda de 68% entre janeiro e junho.
Nos primeiros seis meses de 2022, cerca de US$ 2,92 bilhões foram investidos em 327 startups; de janeiro a junho do ano passado, o volume foi de US$ 5,25 bilhões, alocados em 416 negócios.
As primeiras atingidas foram as proptechs — startups imobiliárias — QuintoAndar e Loft, que encabeçaram a onda de demissões em abril.
Em seguida, outros setores foram atingidos, como o e-commerce e fintechs. Mercado Bitcoin, iFood, Shopee e Daki são alguns exemplos.
Por fim, chegou a vez das healthtechs. A Zenklub, plataforma de saúde mental, foi a primeira do setor a anunciar demissões, há duas semanas, e a Alice, com demissões na última semana.
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