Em baixa na B3, Banco Pine (PINE4) aprova aumento de capital e estuda formação de units. O que muda para o investidor?
Operação tem valor mínimo de R$ 42,8 milhões já garantidos por seu controlador e ainda contará com vantagens adicionais, como um bônus para quem aderir

Ao apresentar os resultados do quarto trimestre de 2021, o Banco Pine (PINE4) trouxe uma série de novidades. Entre elas, a aprovação de um aumento de capital e a possibilidade de formação de units. Mas, na prática, o que tudo isso significa para o investidor?
A primeira reação do mercado, contudo, não foi muito boa. No pregão desta quinta-feira (17), as ações PINE4 fecharam em forte queda de 5,95%, cotadas a R$ 1,74.
O aumento de capital ficará entre R$ 42,8 milhões e R$ 70 milhões, com preço de R$ 1,60 por ação — 13,5% abaixo do preço de fechamento de ontem.
Em outras palavras: o Pine vai emitir novas ações a R$ 1,60, vendê-las ao mercado e todo o recurso captado vai para o caixa do banco, o que deve fortalecer sua estrutura de capital.
Os atuais acionistas têm preferência na operação, e uma parte desse reforço de capital já está garantida. Isso porque o acionista controlador da instituição, Norberto Pinheiro, se comprometeu a subscrever o montante de R$ 42,8 milhões.
O que quer dizer que, caso não haja interesse na operação, ela segue adiante, já que Pinheiro ficará com o mínimo estipulado pelo banco para a transação ser realizada.
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As vantagens adicionais do Banco Pine
O preço mais baixo do que a cotação de mercado não é o único atrativo para quem participar do aumento de capital. O Pine dará uma vantagem adicional para aqueles que aderirem à operação: para cada três ações compradas, o investidor ganha um bônus.
O que é esse bônus? É o direito de comprar um pacote com uma ação PINE3 e duas ações PINE4, por R$ 6,00, ou seja, R$ 2,00 cada ação - 25% acima do preço do aumento de capital e 8% acima do preço do fechamento de ontem.
O detalhe do bônus é que ele é um direito de compra que poderá ser exercido até 2026, mas apenas nos meses de março de cada ano.
Em uma matemática simples: a PINE4 vale atualmente perto de R$ 1,80. Imagine que, em março de 2025, a ação esteja valendo R$ 4,00. Quem participou da operação pode exercer o direito de comprar três ações por R$ 6,00 - valor muito mais barato do que os R$ 12,00 que seriam pagos no mercado à vista.
E se o pressuposto de valorização da ação ao longo do tempo não se confirmar? Quem entrou no aumento de capital pode simplesmente não exercer o direito de compra do bônus.
Ou seja, se em março de 2026, a ação estiver valendo R$ 1,00, o bônus continua custando R$ 6,00, mas o preço de três ações no mercado à vista seria de R$ 3,00, tornando essa opção sem atratividade.
Nos últimos 12 meses, as ações PINE4 acumulam uma queda da ordem de 20% na B3.
As units do Pine
O Pine informou ainda que pretende emitir units e que sua composição e características serão avaliadas buscando otimizar o capital do banco.
Essas units, segundo o Pine, serão negociadas na B3, assim como suas ações, garantindo ao detentor os mesmos direitos, vantagens e restrições como o pagamento de dividendos e juros sobre o capital próprio.
Isso significa que o programa de units do Pine visa a assegurar maior liquidez em longo prazo para os acionistas, podendo ser autorizada a conversão voluntária de suas ações ordinárias em preferenciais e/ou preferenciais em ordinárias.
Essa conversão deve ocorrer na quantidade necessária para viabilizar a formação das units, sempre observando os limites legais da proporção entre o número de ações ordinárias e preferenciais de emissão do banco e a proporção da participação de cada acionista no capital social total.
A performance no trimestre
A receita de crédito recorrente do Pine foi de R$ 74 milhões no quarto trimestre de 2021, crescendo 13% na comparação anual e recuando 2% na comparação trimestral.
O resultado de tesouraria foi de R$ 46 milhões entre outubro e dezembro, avançando 228% na comparação anual e 170% na comparação trimestral.
O banco teve prejuízo operacional de R$ 600 mil, mesmo com os números impulsionados pelo forte desempenho da tesouraria, porém com impactos neutralizados pela provisão para devedores duvidosos de R$ 8,6 milhões no trimestre, além do aumento nas despesas na comparação com o trimestre anterior.
O resultado não operacional foi positivo em R$ 3,5 milhões, mesmo em um trimestre no qual os bens de não uso próprio (BNDU) do Pine permaneceram praticamente estáveis, revertendo a tendência de queda registrada nos trimestres anteriores.
Desta forma, o Pine encerrou o quarto trimestre de 2021 com um lucro de R$ 1,3 milhão.
A inadimplência acima de 90 dias foi de 0,3%, e o saldo de provisão para devedores duvidosos, ou PDD, foi de R$ 229,8 milhões representando 5,4% da carteira.
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