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Camille Lima

Camille Lima

Jornalista formada pela Universidade Municipal de São Caetano do Sul (USCS), em 2025 foi eleita como uma das 50 jornalistas mais admiradas da imprensa de Economia, Negócios e Finanças do Brasil. Já passou pela redação do TradeMap. Hoje, é repórter de bancos e empresas no Seu Dinheiro. A cobertura atual é majoritariamente centrada no setor financeiro (bancos, instituições financeiras e gestoras), em companhias maiores listadas na B3 e no mercado de ações.

TIC-TAC…

Elon Musk tem até o fim do mês para fechar a compra do Twitter — e ainda precisa encontrar novas fontes de financiamento

Após as companhias de investimento que estavam em negociação com Musk voltarem atrás, o empresário terá até 28 de outubro para encontrar novos financiadores

Camille Lima
Camille Lima
7 de outubro de 2022
10:40
Reprodução da conta no Twitter de Elon Musk
Reprodução da conta no Twitter de Elon Musk - Imagem: Nurphoto/Getty Images

Se é que existe alguma espécie de “roteirista” da vida real, ele realmente pegou pesado quando escreveu a série de Elon Musk com o Twitter. A história contou com a renovação de mais “temporadas” do que o esperado, e se estende há seis meses. 

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Mas, para a felicidade (ou não) dos espectadores, a novela finalmente tem data para acabar: o CEO da Tesla precisa fechar a compra da rede social até o fim do mês caso queira escapar dos tribunais.

Um juiz do Tribunal de Equidade de Delaware, nos Estados Unidos, determinou que o bilionário terá até 28 de outubro para efetivar o negócio com o Twitter — e agora Musk corre contra o relógio para encontrar novas fontes de financiamento para bancar a aquisição.

Como Elon Musk vai pagar pelo Twitter?

Quando Elon Musk anunciou a compra do Twitter por US$ 44 bilhões, levantou-se o questionamento: como o bilionário iria bancar o negócio? Afinal, a fortuna do bilionário está concentrada em ações da Tesla e ativos de baixa liquidez.

O CEO da Tesla garantiu que, desse montante, cerca de US$ 21 bilhões viriam da sua própria fortuna, o que provocou especulações de que ele teria de vender uma parcela significativa da sua participação na fabricante de veículos elétricos.

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Isso porque, no fim de 2021, Musk vendeu o equivalente a US$ 16 bilhões em ações da Tesla para ajudar a pagar uma conta de US$ 11 bilhões em impostos. 

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Já em abril deste ano, desfez-se de outros US$ 4 bilhões em papéis da companhia, enquanto, em agosto, o bilionário desovou mais US$ 6,88 bilhões em ações da Tesla.

Na época, o Apollo Global Management, fundo dono do Yahoo, anunciou que estava disposto a participar do negócio como financiador, mas não havia escolhido para quem emprestaria o dinheiro.

Um mês depois, o executivo anunciou que havia garantido US$ 27,5 bilhões em financiamento, incluindo uma generosa fatia de US$ 1,9 bilhão do príncipe Alwaleed bin Talal, da Arábia Saudita.

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Tic-tac, Elon Musk

De acordo com fontes familiarizadas à Bloomberg, Elon Musk estava em busca de conseguir até US$ 6 bilhões de investidores de ações preferenciais, na tentativa de diminuir o valor que ele mesmo teria que desembolsar para pagar a compra bilionária do Twitter.

O financiamento para o negócio ainda incluía cerca de US$ 13 bilhões em dívidas, fornecidos por um grupo de bancos liderados pelo norte-americano Morgan Stanley.

Na última quarta-feira (05), porém, a Reuters informou que as companhias de investimento que estavam inicialmente dispostas a ajudar Musk a fechar a compra da rede social agora já não pretendem emprestar dinheiro para o bilionário.

Segundo a Bloomberg, o interesse em participar das negociações através de empréstimos bilionários teria acabado há meses, já na época em que o CEO da Tesla havia desistido, pela primeira vez, da aquisição.

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Entre os financiadores por meio de capital preferencial, estavam o fundo Apollo Global Management — uma das maiores empresas de private equity (que investe em participações em companhias) do mundo — e a Sixth Street.

Ou seja: Elon Musk está sob um prazo apertado, e terá que encontrar novas fontes de financiamento — e rápido — para evitar o julgamento.

Afinal, até então, a data da audiência era 17 de outubro, mas, após um novo apelo da equipe de Musk ao Tribunal de Delaware, o bilionário conseguiu um leve acréscimo, até o dia 28, para concluir a compra do Twitter.

As discussões entre Musk e o Twitter

Acontece que a busca por novos financiadores não é a única coisa com que Elon Musk deve se preocupar.

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Há algum tempo, o CEO da Tesla e a empresa de mídia social travam diversas batalhas em uma batalha judicial, sendo a questão mais recente, o cancelamento dos litígios pelo Twitter.

Isso porque o bilionário afirma que, como ele seguirá em frente com o acordo de compra da plataforma, os processos deveriam ser encerrados. 

“Surpreendentemente, eles [a equipe do Twitter] insistiram em prosseguir com este litígio, imprudentemente colocando o negócio em risco e jogando com os interesses de seus acionistas”, disse o lado do empresário, em documento judicial.

A rede social, por sua vez, negou o pedido, alegando que Musk e sua equipe estavam sendo falsos.

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“‘Confie em nós’, eles dizem, ‘nós queremos dizer isso desta vez’, e então eles pedem para ser dispensados ​​de um acerto de contas sobre os méritos. Para justificar essa liberação, eles propõem uma ordem que lhes permitiria um tempo indefinido para fechar o negócio, com base na retirada condicional de seus avisos de rescisão ilegais, juntamente com uma reserva explícita de todas as ‘reivindicações e defesas no caso de um fechamento não ocorrer’”, respondeu o lado do Twitter.

Há algum tempo, Elon Musk e o Twitter travam uma intensa disputa nos tribunais relacionada à aquisição de US$ 44 bilhões da plataforma pelo CEO da Tesla.

Inicialmente, o bilionário entrou na Justiça para garantir o rompimento do acordo de compra da rede social, com a justificativa de que o Twitter teria entregado dados inflacionados sobre a base de usuários da plataforma.

De acordo com uma carta emitida pelo escritório de advocacia que representa Elon Musk, a dona da rede social violou o acordo ao "parecer ter feito declarações falsas e enganosas nas quais o Sr. Musk se baseou ao celebrar o contrato".

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Em defesa, o Twitter afirma ter entregue todas as informações de auditoria de forma precisa e, desde meados de julho, exige judicialmente que o bilionário honre sua oferta. 

A rede social argumenta ainda que Musk não aderiu aos termos do acordo, inclusive violando um acordo de confidencialidade e, depois, se gabando disso no próprio Twitter. 

*Com informações de CNBC, Reuters e Bloomberg

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