Marcopolo (POMO4) surpreende no balanço e ações aceleram na bolsa. Vale comprar ou ficar de fora? Analistas respondem
Balanço melhor que o esperado traz alívio aos investidores, mas projeções mais fracas para o início de 2026 limitam o otimismo

A Marcopolo (POMO4) entregou um balanço que empolgou os investidores — e as ações responderam rapidamente. Após resultados do quarto trimestre de 2025 (4T25) acima do esperado, os papéis da fabricante de carrocerias de ônibus figuram entre as maiores altas do Ibovespa nesta quinta-feira (26).
Por volta das 16h20 (horário de Brasília), as ações subiam 4,80%, negociados a R$ 6,98. No ano, os papéis da Marcopolo acumulam alta de 17%.
A companhia registrou lucro líquido de R$ 341,7 milhões no 4T25, alta de 7,2% em relação ao mesmo período do ano anterior. Já a receita operacional líquida somou R$ 2,57 bilhões, recuo de 3,6% na comparação anual.
Marcopolo na visão dos analistas
Para o BTG Pactual, o resultado trouxe alívio ao mercado. Desde o terceiro trimestre, analistas vinham revisando expectativas diante da possibilidade de um encerramento de ano mais fraco, influenciado pelo histórico desafiador do 4T24.
“Os dados setoriais, principalmente da Fabus, corroboravam essa expectativa, com volumes menores e mix mais fraco. Ainda assim, os números do 4T vieram acima das nossas estimativas, não tanto em receita, mas em Ebitda [lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização] e lucro líquido. Este último superou nossa projeção em 17%, sendo, em nossa visão, o principal destaque do trimestre”, afirmam os analistas.
O banco ressalta, porém, que ainda há desafios no horizonte. A própria Marcopolo já sinalizou um primeiro trimestre mais fraco em 2026, diante da demanda mais limitada por ônibus rodoviários e de um câmbio desfavorável para exportações.
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“Por outro lado, as perspectivas de volumes de micro-ônibus são sólidas e o segmento urbano pode se beneficiar das discussões do governo sobre transporte público. No geral, a leitura do 4T foi claramente positiva em nossa visão”, acrescentam.
O BTG mantém recomendação neutra para a ação, com preço-alvo de R$ 10.
O Bradesco BBI também avaliou o balanço de forma positiva, destacando que as principais linhas do resultado superaram as estimativas do mercado.
“Apesar de um trimestre sólido, esperamos um desempenho positivo, porém modesto, do preço das ações, uma vez que a mensagem da empresa para 2026 — especialmente para o primeiro semestre — permanece fraca”, dizem os analistas.
Na avaliação do banco, as entregas ligadas ao programa Caminho da Escola e aos contratos com o Ministério da Saúde podem funcionar como importantes vetores de alta frente às projeções mais conservadoras para o início do ano.
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O que fica no radar
O Itaú BBA também reforçou a leitura positiva do trimestre. Segundo os analistas, o lucro líquido ficou quase 20% acima das estimativas, impulsionado por desempenho operacional melhor do que o esperado, além de surpresas positivas no resultado financeiro e na linha de impostos.
“Os volumes entregues no mercado doméstico apresentaram uma contração menor do que o previsto na comparação anual, enquanto a melhora da rentabilidade no exterior ajudou a sustentar uma margem Ebitda próxima de 18% (ao excluir a linha negativa de equivalência patrimonial)”, afirmam.
Para o banco, os números do quarto trimestre podem elevar as projeções de rentabilidade para 2026 e, consequentemente, a expectativa de lucro líquido do consenso, hoje em R$ 1,2 bilhão.
O BBA também destaca duas potenciais fontes de alta para a receita:
- pedidos acima do esperado do Ministério da Saúde em licitação de 3 mil micro-ônibus;
- participação de mercado superior a 50% no próximo leilão do programa Caminho da Escola, marcado para a próxima terça-feira.
O Itaú BBA mantém classificação outperform — equivalente à recomendação de compra — para Marcopolo, com preço-alvo de R$ 10.
*Com informações do Money Times
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