Avanço no lucro do 4T25 e salto das ações em 12 meses: ainda vale a pena ter B3 (B3SA3) na carteira?
As ações da dona da bolsa acumulam alta de quase 70% em 12 meses; analistas divergem sobre a compra do papel neste momento

As ações da B3 (B3SA3) caminham para encerrar fevereiro com um ganho acumulado — só nesta sexta-feira (27), os papéis da controladora da bolsa brasileira já chegaram a avançar 2% no embalo dos resultados financeiros do quarto trimestre de 2025, que agradaram o mercado. Ainda vale ter B3SA3 na carteira? A resposta não é um consenso.
Os analistas destacaram que o lucro líquido da B3 foi impactado por uma taxa efetiva de imposto de renda acima do esperado.
O efeito foi influenciado pela atualização contábil de impostos diferidos relacionados à amortização fiscal de ágio — sem impacto em caixa — e pelo pagamento de juros sobre capital próprio (JCP).
O Bradesco BBI avaliou que o aumento da distribuição de JCP tende a reduzir a taxa efetiva de imposto nos próximos trimestres. Já os efeitos da atualização do imposto diferido devem permanecer pontuais, na avaliação do banco.
Segundo os analistas Marcelo Mizrahi e Renato Chanes, os números do balanço reforçam um conjunto de tendências operacionais positivas para a B3.
Eles disseram, entre outras coisas, que o controle de despesas também contribuiu para sustentar uma dinâmica considerada saudável para a operadora da bolsa brasileira.
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A receita da B3
Analistas também destacaram o avanço das receitas em praticamente todas as linhas, especialmente em um contexto de melhora dos volumes de negociação e de retomada das emissões no mercado de capitais.
A área de Mercados avançou 8% na comparação anual, com destaque para renda fixa e crédito, que cresceram 34%. Derivativos ficaram praticamente estáveis (-1%), enquanto ações à vista subiram 8%, embora com tarifas menores do que o esperado pontuou o UBS BB.
Soluções para o Mercado de Capitais registrou crescimento de 27% em um ano, com forte contribuição da área de Dados, que avançou 31%, beneficiada por reajustes inflacionários e melhor desempenho de produtos ligados ao mercado de capitais.
As linhas de Listagem e Soluções cresceram 30%, impulsionadas por ofertas subsequentes (follow-ons), enquanto Depositary avançou 18%.
No segmento de Data Analytics, a alta foi de 20%, com crescimento de 23% em Plataforma e Analytics e de 16% em Veículos e Imobiliário.
Já Tecnologia e Plataformas subiu 17%, refletindo aumento no número de clientes no segmento de balcão (OTC) e reajustes anuais de preços.
Comprar ou não comprar B3SA3
Para 2026, a leitura é de que a execução operacional deve continuar ancorando os resultados da B3, disse o BBI. No entanto, o desempenho financeiro, disseram os analistas do banco, seguirá dependente do comportamento da taxa de juros e do nível de atividade do mercado.
O Bradesco BBI mantém postura neutra para a tese no momento, à espera de maior clareza sobre a consistência do crescimento das receitas e sobre a capacidade de monetização dos novos produtos da companhia.
Já o UBS BB segue com uma recomendação de compra, com preço-alvo de R$ 19,50 em 12 meses. A Genial Investimentos também segue com a mesma indicação para o papel da operadora da bolsa brasileira, com preço-alvo de R$ 21,60.
“O início de 2026 tem mostrado forte aceleração do ADTV, impulsionado principalmente pelo fluxo estrangeiro. A combinação de fatores macroeconômicos e geopolíticos sugere que esse movimento pode se sustentar ao longo do ano“, disse a corretora em relatório.
A ação da B3 acumula alta de 68% nos últimos 12 meses.
B3 vê estabilidade nas margens
A B3 está observando certa estabilidade nas margens do primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior, apesar do grupo ter começado o ano com otimismo, disseram os executivos nesta sexta-feira em teleconferência.
De acordo com André Milanez, diretor executivo financeiro, e Fernando Campos, diretor de relações com investidores, o ano será marcado pela exploração de oportunidades no mercado de contratos de previsão e opções digitais, após a empresa ter recebido, recentemente, aprovação da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Os executivos acrescentaram que o segmento de derivativos deve apresentar um desempenho melhor do que em 2025, com perspectiva “definitivamente mais positiva” para o segmento.
“Entramos em 2026 muito otimistas e entusiasmados com as oportunidades que temos pela frente”, disseram.
*Com informações do Money Times
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