Quatro balanços e um furacão: veja como os grandes bancos americanos se saíram no 3T22
Apesar do lucro menor, os grandes bancos dos EUA parecem preparados para o tempo ruim à frente, mas o balanço de uma instituição frustrou o mercado

Jamie Dimon, CEO do JP Morgan, provocou um verdadeiro alvoroço nos mercados quando alertou para o risco de um "furacão econômico" se formando nos Estados Unidos. Pois os balanços dos grandes bancos norte-americanos sinalizam que a previsão está correta.
Mas a boa notícia é que, de modo geral, as instituições parecem bem preparadas para o tempo ruim logo à frente. Além do JP Morgan, Citi, Wells Fargo e Morgan Stanley divulgaram os resultados do terceiro trimestre nesta sexta-feira.
JP Morgan: ventos contrários para os bancos
Começando pelo próprio JP Morgan, que registrou queda de 17% no lucro do terceiro trimestre em relação ao mesmo período do ano passado, para US$ 9,74 bilhões (US$ 3,12 por ação).
O resultado está longe de empolgar, mas apesar do lucro menor o JP Morgan registrou aumento de 34% nas receitas, acima das projeções do mercado. A reação do mercado é positiva e ação do banco sobe mais de 1% nesta manhã.
Apesar de o desempenho superar as projeções, o CEO do maior banco norte-americano em ativos segue cauteloso.
“Há ventos contrários significativos imediatamente à nossa frente — inflação insistentemente alta levando a taxas de juros globais mais altas, os impactos incertos do aperto quantitativo, a guerra na Ucrânia, que está elevando todos os riscos geopolíticos, e o estado frágil da oferta e dos preços do petróleo”, afirmou Jamie Dimon, em comunicado.
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Citigroup: Adeus, Rússia
A fotografia do terceiro trimestre do Citigroup foi parecida com a do JP Morgan. O lucro do banco recuou 25% em relação ao mesmo período do ano passado, para US$ 3,48 bilhões (US$ 1,63 por ação).
Assim como o JP Morgan, o resultado menor do Citi veio do aumento das provisões para calotes no crédito. Por outro lado, as receitas aumentaram 6%, para US$ 18,5 bilhões. As ações do banco reagem em leve alta aos números nesta manhã.
Junto com os números, a CEO do Citi, Jane Fraser, comentou sobre o andamento dos planos do banco para a Rússia de Vladimir Putin. “Continuamos a reduzir nossas operações e exposição à Rússia e encerraremos quase todos os serviços bancários institucionais que oferecemos no próximo trimestre.”
Wells Fargo: acima das expectativas
Gigante entre os clientes no varejo bancário nos Estados Unidos, o Wells Fargo também decidiu proteger o balanço de eventuais calotes no crédito, assim como Citi e JP Morgan.
Desta forma, o banco registrou queda de 31% no lucro do terceiro trimestre, para US$ 3,5 bilhões (US$ 0,85 por ação). O resultado também sofreu o impacto de despesas com processos e indenizações a clientes.
Ao excluir esses efeitos extraordinários, o resultado do Wells Fargo superou a expectativa do mercado. Como consequência, as ações do banco operam em alta firme nesta sexta-feira.
Morgan Stanley: o pior da turma dos bancos
A grande decepção entre os grandes bancos norte-americanos que divulgaram resultados hoje foi o Morgan Stanley. O lucro de US$ 2,63 bilhões (US$ 1,47 por ação) representa uma queda de 29% em relação ao terceiro trimestre do ano passado.
Ao contrário dos concorrentes, o Morgan Stanley também apresentou um recuo nas receitas, que somaram US$ 12,99 bilhões (-12%). Os investidores não gostaram dos números e reagiram vendendo as ações do banco, que caem quase 2%.
O Morgan Stanley sofreu com o momento ruim das bolsas norte-americanas, que derrubaram as comissões nas atividades típicas de banco de investimento, como a coordenação de ofertas de ações no mercado.
Por fim, vale lembrar que a temporada de balanços dos grandes bancos nos EUA ainda não terminou. Na semana que vem ainda devem sair os resultados de Bank of America e Goldman Sachs.
*Com informações da CNBC
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