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Bank of America corta estimativas para principais construtoras da B3 com perspectiva de Selic ainda em níveis elevados no ano que vem, mas vê oportunidades no setor
O final de junho se aproxima a passos rápidos e marcará o final de mais um trimestre para as empresas brasileiras. O mercado ainda precisará aguardar um pouco para conferir os resultados do período. Mas, no caso das construtoras da B3, haverá um spoiler em breve.
As prévias operacionais começam a ser divulgadas em julho e dão pistas de como foi o desempenho das companhias.
O Bank of America, no entanto, não quis esperar pelo spoiler de como foi o segundo trimestre antes de promover um corte geral em seus preços-alvo para as principais empresas do setor.
Segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (23), o banco de investimentos analisou dados históricos das ações em períodos similares ao atual e concluiu que uma revisão de projeções era necessária.
Os analistas do BofA verificaram que as companhias — especialmente as voltadas à média e alta renda — costumam apresentar um desempenho inferior ao Ibovespa quando a Selic está próxima de 10,5% ao ano. Esse é o patamar que o banco projeta para a taxa básica de juros no próximo ano.
“Reconhecemos que o início de um ciclo de flexibilização pode despertar algum otimismo, mas achamos que é muito cedo para se posicionar, considerando a meta ainda elevada para Selic e ventos operacionais contrários em ambos os segmentos”, escrevem os analistas.
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O banco afirma que a taxa de juros deve ser o principal vilão da construção no próximo ano, mas alerta que a inflação também seguirá pressionando as margens.
“A dinâmica de custos segue se deteriorando com a alta no preço do aço e com a mão de obra acrescentando outra camada de pressão ao ambiente inflacionário.”
Com os dados históricos e atuais em mãos, o Bank of America não poupou nenhuma das incorporadoras cobertas por seus analistas e promoveu um corte geral nas estimativas. A queda foi de 15,4% a 30,8% para os preços-alvo.
No topo dessa faixa ficou a Tenda (TEND3), para quem os analistas enxergam maior incerteza de ganhos dos próximos trimestres.
A empresa que sofreu o menor corte nas estimativas de preço foi a Cury (CURY3), uma das favoritas do banco no setor. O BofA segue recomendando a compra da ação da incorporadora, agora com preço-alvo de R$ 11. Ainda assim, o papel tem um potencial de alta de 87,4% em relação ao fechamento de ontem.
Vale relembrar que a Cury tem apostado na estratégia de subir seu preço para compensar a pressão inflacionária nas margens. No primeiro trimestre, por exemplo, o custo médio por unidade avançou 20,7%, na comparação com o mesmo período do ano passado.
A segunda ação com maior potencial de alta pelas projeções dos analistas é a MRV (MRVE3), que possui indicação de compra e um preço alvo de R$ 15 — um upside de 84%.
“No macro desafiador, continuamos favorecendo players com catalisadores de curto prazo como a MRV (MRVR3) — a AHS Residential ainda não foi precificada e qualquer capitalização pode ser um gatilho — ou que forneçam crescimento nos lucros e retorno em dividendos, como a Cury”, explica o banco de investimentos.
A MRV já admitiu que o gatilho da AHS pode ser acionado em breve. A construtora revelou que há possibilidades tanto de entrada de um parceiro na empresa quanto de uma oferta inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) da subsidiária norte-americana.
Veja abaixo o novo preço-alvo, o potencial de alta e a recomendação do BofA para cada uma das empresas:
| Empresa | Recomendação | Novo preço-alvo | Potencial de alta |
| Cury (CURY3) | Compra | R$ 11,00 | 87,4% |
| Cyrela (CYRE3) | Compra | R$ 18,00 | 48,8% |
| Direcional (DIRR3) | Compra | R$ 14,00 | 41,4% |
| Even (EVEN3) | Venda | R$ 5,00 | 10,2% |
| EzTec (EZTC3) | Venda | R$ 16,00 | 4,5% |
| MRV (MRVE3) | Compra | R$ 15,00 | 84% |
| Tenda (TEND3) | Venda | R$ 4,50 | 9,8% |
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