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Para dar sequência a essa empreitada, representantes do Banco Popular da China e do Banco Central da Rússia realizarão uma reunião sobre os sistemas nacionais de pagamento em ambos os países
A Rússia resolveu desafiar os EUA não só no campo geopolítico, mas também na esfera cambial. A missão agora é tentar estabelecer alternativas à hegemonia do dólar. Mas, diferente do que acontece na guerra da Ucrânia, Moscou entrará nessa luta com a China ao seu lado.
Os russos não resolveram encarar essa difícil tarefa à toa. Após a invasão da Ucrânia, alguns bancos do país foram banidos do Swift, como é conhecido o sistema global de transferências financeiras.
A proibição teve como objetivo provocar o isolamento econômico da Rússia, já que prejudica as transações comerciais e financeiras do país no cenário internacional.
Para reverter esse quadro, a Rússia está divulgando uma plataforma alternativa de pagamento baseada em rublo chamada Sistema para Transferência de Mensagens Financeiras (SPFS, em inglês), criado em 2014.
Especialistas acreditam que não haverá, por agora, uma corrida ao SPFS, já que os países temem provocar os EUA e os efeitos secundários das sanções. Mas, no final de abril, o banco central russo informou que começaria a manter os nomes dos participantes da plataforma em segredo.
Embora não tenha assumido oficialmente que está do lado da Rússia na guerra contra a Ucrânia, a China não condenou a invasão e tem agido em paralelo para apoiar Moscou, principalmente nas questões econômicas e financeiras.
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Além de comprar petróleo russo — uma importante fonte de receita para o país comandado por Vladimir Putin — Pequim agora tenta ajudar Moscou com seu sistema de pagamentos.
A ideia é usar o Sistema de Pagamento Interbancário Transfronteiriço (CPIS, na sigla em inglês), criado pela China em 2015 e capaz de realizar todas as etapas do pagamento, em diversas moedas.
Como o SPFS da Rússia foi limitado ao uso doméstico, Moscou está trabalhando com Pequim para conectá-lo ao CIPS e, assim, contornar a proibição ao Swift.
Para dar sequência a essa empreitada, representantes do Banco Popular da China e do Banco Central da Rússia realizarão uma reunião sobre os sistemas nacionais de pagamento em ambos os países. A data e local para isso ainda não foram informados.
No encontro entre os banco centrais, as autoridades também discutirão a promoção e uso dos sistemas chineses de pagamento Mir e UnionPay.
A Mir e a UnionPay estão entre as poucas opções que restam para os russos fazerem pagamentos no exterior desde que os bancos russos foram isolados do sistema financeiro global, em resposta à invasão da Ucrânia.
Desbancar o dólar como a moeda de reserva global não é uma missão fácil e tampouco acontecerá do dia para a noite. Tanto que o embaixador de Pequim em Moscou, Zhang Hanhui, garantiu que a China e a Rússia não estavam defendendo a rejeição de acordos em dólar e euro no comércio bilateral.
Mas se o CIPS for usado para liquidar mais comércio, isso criaria uma alternativa impulsionada pelo yuan ao sistema Swift dominado pelo dólar.
A China tem ambições de tornar o yuan a moeda de reserva dominante no mundo, mas ainda tem um longo caminho a percorrer, principalmente porque Pequim ainda administra seu valor com firmeza.
Além disso, o yuan não é totalmente conversível para outras moedas no mercado global no momento.
Do ponto de vista russo, a demanda por pagamentos de energia em rublos é significativa porque o país é uma potência energética — portanto, a ascensão de uma moeda alternativa para o setor pode causar um impacto indireto em um sistema comercial dominado pelo dólar.
No entanto, especialistas dizem que os russos não aceitarão ser tão dependentes do dólar e, em vez disso, devem optar pela triangulação cambial com a China.
*Com informações da Reuters, do Asia Financial e do Markets Insider
A frase de Adam Smith é uma das reflexões do livro “A Riqueza das Nações”, obra seminal do liberalismo econômico.
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