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Desde a manhã de ontem (12), o mercado financeiro vinha sendo assombrado pelos rumores de que o governo eleito poderia colocar um de seus políticos mais fortes no comando de uma estatal de peso — como Petrobras (PETR4) ou até mesmo o Banco Nacional de Desenvolvimento (BNDES).
O rumor deu força ao cenário que algumas consultorias políticas já vinham ventilando na última semana: para cumprir o seu desejo, pode ser que uma alteração na lei das estatais, que estabelece uma série de normas para a operação e comando das empresas da União, seja colocada em pauta.
Até agora, o governo eleito tenta sinalizar que não deve mexer nas regras estabelecidas por Michel Temer, mas o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou parte dos boatos no meio desta tarde — o ex-ministro Aloizio Mercadante será o novo presidente do BNDES.
Ter reagido negativamente aos rumores no dia anterior não impediu o Ibovespa de inverter o sinal e terminar a sessão no menor nível desde agosto — em queda de 1,71%, aos 103.539 pontos. O dólar à vista, que registrou um recuo em escala global, teve leve alta de 0,07%, a R$ 5,3153, pressionado pela curva de juros. Na mínima, a moeda americana chegou a cair 1,27%.
A reação de hoje do mercado reflete mais do que somente a indicação de Mercadante ao BNDES: mostra a indigestão dos investidores com os indícios de vitória da ala intervencionista na equipe econômica do próximo governo, com Haddad e Galípolo na Fazenda e Mercadante no BNDES.
Para Nicolas Borsoi, economista-chefe da Nova Futura Investimentos, o comportamento dos investidores hoje vai além do nome de Mercadante — trata-se da confirmação de que o governo está disposto a financiar o setor produtivo por meio de estímulos e investimentos, assim como foi nos governos Lula 2 e Dilma 1.
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Um gestor paulista lembra que, se repetido o passado, as próximas semanas devem ser de deterioração nas projeções fiscais e de inflação para os próximos anos. Para ele, o mercado errou ao precificar um governo Lula mais centrista antes do segundo turno das eleições e agora corre para desfazer o “equívoco”.
Isso porque, além da confirmação de Mercadante e o risco de mudanças mais extremas em outras estatais, a confirmação de Gabriel Galípolo como o nº 2 do Ministério da Fazenda passou longe de agradar aqueles que esperavam nomes técnicos mais fortes.
Após o fechamento do mercado, no entanto, Haddad ratificou Bernard Appy como secretário especial para a reforma tributária e defendeu um novo arcabouço fiscal — o que deve ser bem recebido pelos investidores.
Veja tudo o que movimentou os mercados nesta terça-feira, incluindo os principais destaques do noticiário corporativo e as ações com o melhor e o pior desempenho do Ibovespa.
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