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Evite a todo custo colocar seu dinheiro em empresas que só vão te trazer dor de cabeça, mas também não cometa o erro que muitos investidores vão cometer em breve em relação à tecnologia
Olá, seja bem-vindo à Estrada do Futuro, onde conversamos semanalmente sobre a intersecção entre investimentos e tecnologia.
Definitivamente, os últimos 12 meses não foram gentis com o investidor de tecnologia.
Por exemplo, o famoso Ark Innovation, símbolo das ações que mais subiram durante a pandemia, cai cerca de 80% das suas máximas, numa mistura de aversão do mercado aos nomes de tech e uma sucessão de erros de gestão (em certo ponto, bastante bizarros).
Da farra dos bancos digitais às empresas com piscinas de bolinha em seus escritórios, o dinheiro farto criou excessos no ecossistema de tecnologia.
Neste momento, porém, todas as empresas de tecnologia estão sendo tratadas como "excessos".
Hoje, vou explorar 3 segmentos que você deve evitar; na semana que vem, 3 em que você deve apostar suas fichas para o longo prazo.
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Em certa medida, a farra das startups nasceu de histórias como Uber e WeWork (recomendo demais assistir ao documentário da Apple TV sobre a história do WeWork).
Em resumo, plataformas verticais como o Uber venderam aos investidores a seguinte tese: nós investiremos muito hoje, conquistaremos nosso mercado, seremos líderes absolutos e então seremos muito lucrativos.
Nesses marketplaces, existe uma espécie de dilema "do ovo e da galinha". Você usa o Uber porque é o aplicativo mais fácil de se encontrar um motorista; o motorista usa o Uber porque é o aplicativo mais fácil de encontrar um passageiro.
Os empreendedores, ao levantarem capital, convenceram muitos investidores de que o dilema do ovo e da galinha era o equivalente a um mercado do tipo "o vencedor leva tudo".
Isso foi há muitos anos, e parte da história de fato se concretizou. O Uber é uma empresa imensa, assim como o são outros grandes marketplaces de serviços verticais, como o DoorDash (o "iFood" americano), a Angi Homeservices (o "GetNinjas" dos EUA, ordens de magnitude maior do que o nosso), a Lyft (maior concorrente do Uber) e tantos outros.
Em comum, observamos que todos cresceram, porém nenhum deles alcançou a rentabilidade esperada.
Por terem uma interface com o consumidor, esses nomes são, muitas vezes, a primeira ideia que vem à mente.
Descarte essa ideia.
Os bancos digitais nasceram com muitas ideias diferentes, mas que poderiam ser resumidas numa heurística simples: comer os bancões pelas beiradas, atacando, um a um, os seus nichos repletos de taxas abusivas.
No começo, foi legal. O Nubank de 2013 ou 2014 era, sem dúvidas, um sopro de vida num setor que fedia a mofo.
Os anos se passaram e a inovação no setor deixou a esfera dos produtos financeiros e da tecnologia e passou à paleta de cores.
Toda hora aparecia um banco digital novo, com uma cor degradê, oferecendo "cash back" para você fazer um depósito, ou emitir um cartão.
Aos poucos, cada um deles descobriu o quão difícil é operar um banco; que controlar a inadimplência é mais difícil do que oferecer um atendimento que envia emojis no whatsapp, e que construir uma carteira de crédito robusta leva tempo e precisa de um canal de distribuição.
Você ficaria surpreso com o quanto do resultado dos bancões ainda nasce em suas agências.
De empresas maduras, porém símbolos de inovação, como PayPal e Square (agora, Block), às fintechs que possuíam muitos "clientes", mas pouca receita, as ações das fintechs implodiram em todos os mercados do mundo.
Ao final, entre as poucas ações do setor que entregaram retornos aos seus acionistas nos últimos anos, estão as tradicionais Visa e Mastercard.
Resumo da história: os bancos digitais se provaram infinitamente melhores para seus clientes do que para seus acionistas.
Esse tipo de equilíbrio não costuma perdurar.
Abaixo, está uma das primeiras páginas do prospecto de IPO da startup americana Expensify (cujas ações caem mais de 75% das máximas).
O documento deixa claro três objetivos: viver uma vida rica, se divertir e salvar o mundo.
O que faz a Expensify para salvar o mundo? Será que ela desenvolve foguetes capazes de nos levar a outras galáxias? Será que ela desenvolve formas de transformar a água do oceano em água potável? Ou será que ela pretende resolver o acesso a saneamento básico nos países pobres?
Não, a Expensify desenvolve um software para lançamento de despesas corporativas.
Uma interface para você escanear a nota fiscal do almoço que pagou ao cliente e receber o seu reembolso.
Eu poderia me alongar mais muitas e muitas linhas no ridículo que se caracteriza a missão da Expensify versus o seu produto (e nas pessoas que se identificam com ela), mas acredito que você já tenha feito o restante das conexões.
Se, na semana que vem, você ainda se lembrar de algo desta coluna sobre tecnologia, que seja esse conselho final: fuja de empresas que querem salvar o mundo com o dinheiro dos outros.
Evite a todo custo casos que se assemelham aos que descrevi acima. Porém, não cometa o erro que muitos investidores irão cometer nos próximos meses.
Eles irão classificar todas as empresas de tecnologia como não investíveis, enquanto o setor seguirá como um dos mais cresce no mundo.
Na próxima quinta-feira, vou comentar sobre o extremo oposto de hoje: onde acredito estarem as grandes oportunidades.
Até lá.
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