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Comprar uma ação simplesmente porque ela está barata é um argumento tão frágil quanto deixar de comprar uma empresa porque ela está “cara”; entenda
Sempre que alguém me diz que comprou uma ação e se sente feliz ou esperançoso com essa atitude, eu reajo perguntando sobre os motivos que o levaram a isso. Eu faço essa pergunta porque se a pessoa souber o que está fazendo, ela será capaz de sintetizar os pilares que sustentam a sua tese de investimento.
Porém, em alguns casos — talvez na maioria deles — a resposta não me convence: “porque caiu demais e eu gosto da empresa” ou “porque eu li em um site de notícias" ou "porque meu amigo me falou pra comprar".
Poderia citar mais algumas que já ouvi, mas a que mais me gera curiosidade é “porque a ação está barata”.
Obviamente eu não acho errado a justificativa ser porque a ação está barata. O retorno que você terá no investimento é uma função do preço que você paga por ele. O preço é extremamente importante.
O que eu tenho dificuldade de entender é o que faz a pessoa acreditar que a empresa está barata e por que ela supõe que conseguirá vender o negócio por um preço mais caro que o atual.
É raro uma empresa ficar barata por muito tempo sem motivo algum.
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Por exemplo: por que o preço por metro quadrado de imóveis dos bairros do Itaim Bibi e Vila Nova Conceição em São Paulo são mais caros que a média do estado? Porque as pessoas pagam mais caro se enxergarem valor naquilo.
No caso dos imóveis, uma boa localização, segurança, conforto, proximidade de centros empresariais ou mesmo parques são atributos que maximizam o valor de um imóvel.
Eu, particularmente, nunca achei o preço do m² nessas regiões muito barato, mas a verdade é que a cada ano que passa eles ficam mais "caros".
Ou seja, as pessoas pagam mais caro quando reconhecem que o ativo é de qualidade. E isso não significa que elas estarão fazendo um mau negócio.
Na bolsa essa mesma dinâmica acontece. Por isso que um simples "porque a ação está barata" não me convence.
A questão é: o que faz uma empresa ser reconhecida pela sua qualidade? Vou listar a seguir os 10 atributos que considero os mais importantes:
Os produtos são relevantes quando fornecem alguma utilidade, algum prazer que impacta positivamente sua vida e você fica feliz em gastar dinheiro com eles.
Uma das perguntas que nós fazemos é se acreditamos que seus produtos e serviços serão pelo menos tão valiosos para seus clientes nos próximos 10 anos.
Ganho ou estabilidade de market-share ao longo do tempo é uma das formas de medir a relevância de uma empresa.
Consumidor é a vida de uma empresa. Uma base de clientes estável aumenta a previsibilidade das receitas.
Se a empresa possuir poucos clientes e depender deles para existir, eles certamente vão poder influenciar no preço que a empresa cobra pelos seus bens e serviços e, a perda de um cliente pode trazer dificuldades financeiras.
Negócios previsíveis devem custar mais caro. Qualquer investidor gosta de previsibilidade e na bolsa isso não é diferente.
Empresas com margens elevadas e estáveis devem custar mais caro do que empresas com margens voláteis.
A empresa precisa ser capaz de pagar sua dívida com os fluxos de caixa gerados pelo seu próprio negócio.
Empresas que geram bastante caixa e que conseguem honrar com suas obrigações têm menos risco do que aquelas que carregam grande parte do balanço com dívida e que possuem baixa previsibilidade de resultados.
Empresas menos endividadas estão abertas às oportunidades que podem surgir de uma crise.
Evite pular para a conclusão de que um negócio é melhor que outro simplesmente porque possui maior ROIC.
O que conta é a habilidade da empresa reinvestir o excesso de lucro com alto ROIC.
Não adianta o ROIC ser alto se a empresa não tiver mais oportunidades de investimento.
É importante entender o que a empresa faz de especial e como ela se diferencia das demais.
Pode ser que ela seja aquela com a maior escala e, portanto, a que usufrui de menores custos de produção e distribuição, carregando a maior margem do setor.
Ou pode ser que ela tenha uma marca desejada e aspiracional que permita a ela se diferenciar das demais.
Vantagens competitivas conferem tempo para que a empresa continue se reinventando ao longo dos anos.
Essa vantagem competitiva é tão importante que eu preferi separar ela do sexto atributo.
Um dos maiores investidores do mundo, Warren Buffett, disse em uma de suas cartas anuais que “se você tem o poder de aumentar os preços sem perder negócio para um concorrente, você tem um bom negócio." Se ele disse, quem somos nós para discordar.
A própria IP Capital Partners, uma das mais longevas assets do Brasil — e que, inclusive, tivemos o prazer de conversar com dois de seus sócios no episódio #02 do Market Makers — soltou umas das melhores cartas que eu já li sobre o tema.
Um setor sem barreiras a novos entrantes levará o retorno dessa indústria para patamares onde não existe lucro econômico e no qual não há retorno sobre o dinheiro investido acima do custo de capital.
As melhores performances de ações são aquelas que as empresas compartilham os retornos entre todas as partes interessadas, incluindo clientes, funcionários, fornecedores e outros parceiros comerciais.
A harmonia entre todos eles contribuirá ainda mais para que a empresa gere valor ao seu acionista.
O sucesso de um negócio está diretamente amarrado à qualidade de seus funcionários.
É preciso focar na qualidade das pessoas que administram a companhia e não só nas vantagens competitivas ou valuation da empresa.
Com o tempo, essas vantagens podem ser imitadas caso os executivos que criaram essas vantagens deixem a empresa.
É preciso entender se as pessoas que conduzem a empresa serão confiáveis com o seu dinheiro, se eles têm incentivos a fazerem a coisa certa e se foram bem-sucedidos no passado de modo que seja possível confiar na capacidade deles novamente.
Comprar uma ação simplesmente porque ela está barata é um argumento tão frágil quanto deixar de comprar uma empresa porque ela está “cara”.
É importante entender os motivos por trás do preço e os fundamentos por trás de cada tese de investimento.
Se você já ouviu e, assim como eu, adorou o episódio que fizemos com Roberto Lee, fundador e CEO da Avenue, também vai gostar de ouvir a conversa entre Patrick O’Shaughnessy e David Senra no podcast Invest Like the Best.
O David dedicou a sua vida estudando quase 300 fundadores de empresa e nesse episódio ele comenta sobre alguns, entre eles: Steve Jobs, Sam Walton, Enzo Ferrari, Edwin Land, Rockefeller e Cornelius Vanderbilt (escute neste link).
Abraço,
Matheus Soares
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