Bolsas estrangeiras patinam à espera da ata do Fed e dos dados de desemprego nos Estados Unidos
Investidores preparam-se para a divulgação da ata do Fed na tentativa de prever os próximos passos da política monetária norte-americana

As bolsas de valores internacionais patinam nesta quarta-feira, com os investidores diante do que alguns analistas consideram como a última chance de tentar prever os rumos da política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano).
Os índices futuros de Wall Street sinalizam abertura em queda antes da divulgação, prevista para a tarde de hoje, da ata da última reunião do Fomc, o comitê de política monetária do Fed, realizada no mês passado.
Na Ásia, as principais bolsas de valores fecharam em queda diante das preocupações com uma nova onda de casos de covid-19 em Xangai depois do afrouxamento parcial das medidas de restrição impostas pela China.
Enquanto isso, na Europa, os índices de ações abriram em alta, mas o movimento é visto como um ajuste depois do recuo observado na sessão na véspera.
Mercado de ações patinam sobre uma camada de gelo fino
O fato é que os mercados estrangeiros de ações patinam sobre uma camada de gelo fino.
Qualquer sinalização de que o aperto monetário poderá ser mais duradouro ou intenso do que o esperado pode ser fatal para um mercado que no mês passado entrou oficialmente em bear market, ou mercado de baixa.
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Além da ata do Fed, os investidores também estão de olho nos dados sobre o mercado de trabalho dos EUA previstos para esta semana.
Os temores de uma recessão pesam nas bolsas
O risco de recessão domina as preocupações dos investidores.
Diante da inflação mais alta em quatro décadas nos EUA, o Fed reagiu agressivamente por meio do aumento de taxas de juro e da remoção de outras medidas de estímulo à economia.
O desafio do banco central norte-americano é agora impedir que a desaceleração econômica provocada pelo aperto monetário se transforme em uma recessão. E esse cenário é visto como mais provável a cada dia que passa.
“A economia está claramente desacelerando e uma recessão não é impossível”, disse Katie Nixon, diretora de investimentos da Northern Trust Wealth Management.
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Ibovespa reage ao risco fiscal
Os debates envolvendo a PEC dos Combustíveis — também chamada de PEC Kamikaze ou “pacote de bondades” — elevou o risco fiscal do país. Com isso, o mercado financeiro passou a exigir taxas mais altas para comprar os títulos de governo de longo prazo.
Em outras palavras, os juros pagos pelo Tesouro Nacional atingiram os 6,17% ontem, o maior patamar desde o período antes da reeleição da ex-presidente Dilma Rousseff. Nos primeiros anos do governo do atual presidente Jair Bolsonaro, as taxas rondavam os 4,76%.
Essa disparada dos juros precede a votação da proposta na Câmara, adiada para esta quinta-feira (07), após um pedido de vistas (alargamento do prazo) por parte dos deputados.
Dólar e petróleo: seremos penalizados por isso
Além da curva de juros disparada, os investidores acompanham outros dois ativos que movimentam os negócios locais e que permanecem em foco nesta quarta-feira: o dólar e o petróleo.
O barril do Brent, utilizado como referência internacional, avança 1,31% nesta manhã, após despencar mais de 10% na sessão de ontem, e é negociado na casa dos US$ 103,30.
Já o dólar viveu seus dias de glória e emplacou valorização global, subindo 1,19%, cotado a R$ 5,3893 na sessão de ontem.
Permanece no radar dos investidores os debates envolvendo a PEC dos Combustíveis e a participação do ministro da Economia, Paulo Guedes, em eventos hoje.
Agenda do dia
- FGV: Índice de averiguação de aluguéis residenciais em junho (8h)
- Ministério da Economia: Ministro da Economia, Paulo Guedes, tem reunião com a ministra de Finanças da Índia, Nirmala Sitharaman (9h30)
- Ministério da Economia: Guedes participa de reunião do presidente da República, Jair Bolsonaro, com o presidente-executivo da Associação Aço Brasil, Marco Polo (10h30)
- Estados Unidos: PMI composto e de serviços em junho (10h45)
- Reino Unido: Premiê britânico, Boris Johnson é questionado em comitê na Câmara dos Comuns (11h)
- Estados Unidos: Divulgação do relatório Jolts de emprego (11h)
- Estados Unidos: Ata da última reunião de política monetária (15h)
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