Nubank derrete 21% na semana após fim do lock-up, que restringia venda das ações pelos “tubarões”
Desde o IPO, o Nubank já perdeu US$ 23,9 bilhões em valor de mercado, e a fintech que antes valia mais que o Itaú hoje vale quase um terço dele

Quando estreou na bolsa de Nova York (Nyse) em dezembro do ano passado valendo exuberantes US$ 41,5 bilhões, o Nubank (NUBR33) provavelmente não esperava ver seu valor de mercado evaporar em poucos meses.
Desde o IPO, já foram US$ 23,9 bilhões perdidos em valor de mercado, e a fintech que antes valia mais que o Itaú Unibanco (ITUB4) hoje vale quase um terço dele.
Apenas nesta semana, o preço da ação do Nubank caiu 21% e ficou perto de renovar a cotação mínima. Só hoje, o papel caiu 12% e fechou a US$ 3,81.
Por trás dessa queda expressiva, podemos citar dois fatos importantes: o fim do período de lock-up das ações e a divulgação do balanço do primeiro trimestre.
Vamos explicar ambos:
Leia também:
- O Nubank (NUBR33) já sofreu o bastante na bolsa? O BTG acha que sim. Saiba se chegou a hora de comprar a ação
- ATENÇÃO: Analista que entregou 400% em ações nos últimos 7 anos aposta na QUEDA DO NUBANK e está lucrando com isso; entenda como buscar ganhos com essa aposta também
Fim do lock-up pode ter prejudicado cotação
O fim do período de lock-up acabou, oficialmente, na terça-feira (17) e já havia especulações de que isso poderia amassar ainda mais os papéis do Nubank.
Leia Também
O lock-up é uma cláusula contratual que estabelece um período no qual os investidores são proibidos de vender as ações de uma empresa.
No caso do Nubank, a regra se estendia também para os BDRs, ou seja, os recibos de papéis negociados na B3.
Com o fim da restrição, acionistas, diretores e membros do conselho de administração estão livres para se desfazer dos papéis do Nubank. Vale lembrar que a regra não incluía os clientes que receberam o "pedacinho" do Nubank no programa NuSócios. Estes ainda estão restritos até dezembro.
Na teleconferência pós-resultados, o presidente do Nubank, David Vélez, tentou passar uma imagem de tranquilidade em relação a esse tópico.
"Eles [os investidores] têm nos falado que não têm nenhum interesse em vender ações no curto prazo. Eu pessoalmente também vendo zero ações do Nubank."
David Vélez, CEO do Nubank
No entanto, a verdade é que houve um aumento expressivo do volume de negociação das ações do Nubank após o fim do lock-up. Antes do dia 17, a média ficava na casa de 13 milhões de negócios diários. Mas, de terça a quinta-feira, o volume ultrapassou a marca de 100 milhões.
Balanço do Nubank mostrou aumento da inadimplência...
Além do fim do período do lock-up, o Nubank publicou o balanço do primeiro trimestre na segunda-feira.
Por mais que o Nubank (NUBR3) tenha registrado redução do prejuízo líquido na comparação anual, a inadimplência acima de 90 dias disparou entre dezembro de 2021 e março de 2022.
O aumento foi de 0,7 ponto percentual, passando para 4,2%. Vale lembrar que o Itaú BBA estimava que o índice de inadimplência do Nubank subiria 0,6 ponto percentual, para 4,1%, enquanto o Goldman Sachs vislumbrava crescimento mais modesto, para 3,8%.
O Nubank tentou colocar panos quentes, dizendo que a alta teria sido de apenas 0,3 ponto percentual se o índice fosse ajustado pela sazonalidade e pelo mix de produtos.
Porém, a inadimplência entre 15 e 90 dias também chamou atenção: a alta foi de 1,10 ponto percentual, para 3,7%. Mas, novamente, o Nubank disse que, seguindo o ajuste, não teria havido alteração no índice.
... mas os analistas minimizaram a alta
Mesmo com o aumento notável da inadimplência, alguns bancos de investimento que cobrem o Nubank minimizaram a deterioração da carteira de crédito.
O JP Morgan, por exemplo, comparou o aumento da inadimplência total do Nubank com a inadimplência das pessoas físicas no Bradesco (que subiu 0,6 p.p. de um trimestre para o outro), e disse que os resultados estão alinhados.
Ao mesmo tempo, o BTG Pactual afirmou que a inadimplência parece estar sob controle, apesar da alta. Nesta sexta-feira, o BTG revisou a recomendação para a ação do Nubank de venda para neutro.
"Apesar do alerta com a magnitude do aumento da taxa de inadimplência, nós gostamos dos resultados do Nubank no primeiro trimestre de 2022, especialmente considerando o impacto que a expansão de clientes e empréstimos deve ter nos resultados do Nubank no médio e longo prazo", afirmou o UBS BB em relatório.
Já o Itaú BBA manteve o tom de cautela com o Nubank e ressaltou que a qualidade do crédito se deteriorou um pouco mais rápido.
"O aumento mais rápido da inadimplência reduziu a taxa de cobertura em 10%, para 229%, o que nós não esperamos que seja bem recebido pelo mercado", apontou o Itaú.
É hora de comprar Nubank?
Algumas casas de análise seguem recomendando compra dos papéis. Das que o Seu Dinheiro teve acesso, apenas o Itaú BBA recomenda vender. Veja:
| Banco | Recomendação | Preço-alvo |
| UBS BB | Compra | US$ 11,50 |
| Goldman Sachs | Compra | US$ 12,00 |
| BTG Pactual | Neutro | US$ 4,00 |
| JP Morgan | Neutro | US$ 8,00 |
| Itaú BBA | Underperform (Venda) | US$ 6,60 |
Leia também:
- Nubank (NUBR33) perde US$ 1,2 bi em valor de mercado e já vale menos que o Banco do Brasil (BBAS3)
- Nubank (NUBR33) registra prejuízo menor do que o esperado no 1T22, mas inadimplência dispara. Veja os destaques do balanço
FUTURO NEBULOSO
Usiminas (USIM5) tem a maior baixa do Ibovespa com balanço aquém do esperado; o que pesou nos números do 3T26?
30 de outubro de 2026 - 12:40FÓRMULA MILIONÁRIA
De inquilina a dona: Coca-Cola compra imóvel do ALZR11 por R$ 140 milhões; veja ganho por cota
30 de outubro de 2026 - 11:52A CONTA CHEGOU
Casas Bahia (BHIA3) coloca aluguéis em dia, mas FII reduz projeção de dividendos; entenda o porquê
30 de outubro de 2026 - 10:19PESSIMISMO CONTINUA
Ibovespa tem 4º pregão seguido de baixa, com queda de 17% desde a eleição; em NY, dia também foi tingido de vermelho
29 de outubro de 2026 - 18:17Conteúdo Empiricus
Enquanto muitos investidores focam nos dividendos, este mercado bilionário bate recordes de crescimento na B3 em 2026
29 de outubro de 2026 - 14:00DE OLHO NO GRINGO
Um fundo imobiliário, duas versões: o que falta para os FIIs ‘falarem a língua’ do investidor estrangeiro?
29 de outubro de 2026 - 7:30SANGRIA ESTANCOU?
Vale investir na Bolsa depois da ‘segunda-feira sangrenta’? Estrategista da Monte Bravo diz quais setores olhar, mas tem um ativo preferido
27 de outubro de 2026 - 18:40PECHINCHAS NA BOLSA
Tombo da Bolsa após as eleições abre oportunidades, e Itaú BBA lista 7 ações para incluir na carteira agora
27 de outubro de 2026 - 16:08A RAZÃO DA QUEDA
A derrocada da bolsa: estudo mostra que crises globais estão por trás dos maiores tombos do Ibovespa
26 de outubro de 2026 - 18:15RESSACA ELEITORAL
Fundos imobiliários sentem mudança de humor dos mercados com vitória de Lula e devolvem todo ganho desde o 1º turno
26 de outubro de 2026 - 16:04O QUE VEM POR AÍ
Tombo de 20% do Ibovespa e dólar acima de R$ 5,50 são os novos normais? JP Morgan diz o que o investidor deve esperar
26 de outubro de 2026 - 15:31DA PRIMAVERA AO OUTONO?
Dólar a R$ 6, bolsa em queda de até 30% e juros mais altos: o que Wall Street espera do Brasil após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 13:51SANGRIA NA BOLSA
Ibovespa cai 14%, dólar sobe a R$ 5,40, mas nem todo mundo perdeu — entenda o caos nos mercados
26 de outubro de 2026 - 12:29DEPOIS DA BONANÇA, A TEMPESTADE
Ibovespa em choque: várias ações derretem mais de 40% após virada de Lula no segundo turno, apenas 6 sobem
26 de outubro de 2026 - 12:10BOTÃO DE PÂNICO
‘Circuit breaker’: o que é botão do pânico da bolsa, acionado após a reeleição de Lula
26 de outubro de 2026 - 10:48MODO DEFESA
Salve-se quem puder: Ibovespa pode tombar 17% após reeleição de Lula, avalia BTG; quais ações podem escapar?
26 de outubro de 2026 - 10:17NA CONTRAMÃO
Gavekal, importante casa de análise gringa, recomenda compra de ativos no Brasil após vitória de Lula; ações caem 30% lá fora
26 de outubro de 2026 - 10:01REPORTAGEM ESPECIAL
Lula venceu, e a festa da bolsa pode acabar: o que esperar dos investimentos agora?
25 de outubro de 2026 - 22:48MERCADOS
Petrobras despenca 12%, Vale cai 4% e EWZ tomba 19%: a reação imediata à vitória de Lula — e o que vem por aí
25 de outubro de 2026 - 22:28Conteúdo Empiricus