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Larissa Vitória

Larissa Vitória

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo portal SpaceMoney e pelo departamento de imprensa do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT).

FECHAMENTO DO DIA

Ibovespa inicia semana no vermelho e fecha no menor patamar dos últimos 30 dias; dólar também segue em queda, a R$ 4,64

A liquidez reduzida pela semana mais curta e o desempenho negativo das bolsas de NY são dois dos fatores que atrapalharam o índice hoje

Larissa Vitória
Larissa Vitória
18 de abril de 2022
17:41 - atualizado às 18:10
Palavra IBOV com braços e pernas de desenho escorregando em uma banana e fundo vermelho com gráficos em queda | Ibovespa, dólar
IBOV escorregando em uma banana com gráficos em queda. - Imagem: Montagem Andrei Morais / Shutterstock

Não é sempre que a Páscoa cai perto da data que relembra a memória de Tiradentes. Mas, em algumas ocasiões, os dois feriados são separados por poucos dias úteis. Neste ano, por exemplo, os mais sortudos poderão até erguer uma “ponte” e garantir miniférias.

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Já quem tem patrões menos flexíveis ou trabalha em serviços essenciais precisará encontrar disposição para vencer a combinação de preguiça pós e pré-feriado e chegar ao final de mais uma semana.

Esse é o caso do Ibovespa, que não emendou as datas comemorativas e voltou às negociações nesta segunda-feira (18). E o dia não foi fácil para o principal índice acionário brasileiro: ele firmou-se em queda logo após a abertura.

A liquidez reduzida pela semana mais curta e o desempenho negativo das bolsas de Nova York não ajudaram nas cotações. Outras rasteiras vieram da alta das commodities — o petróleo encerrou o dia em alta e o preço do barril se aproximou dos maiores níveis em três semanas — e da greve dos servidores do Banco Central.

Com isso, o Ibovespa encerrou a sessão com um recuo de 0,43% e desceu mais um nível na linha de pontuações. O patamar de encerramento, aos 115.687,25 pontos, é o menor desde o dia 18 de março, quando o índice também ficou abaixo dos 116 mil pontos.

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O dólar também seguiu sua trajetória de queda hoje e fechou o dia com um recuo de 1,02%, cotado em R$ 4,64. Para quem já se pergunta se “vai ter Disney”, temos uma boa notícia: especialistas apostam em uma queda ainda maior.

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Benjamin Mandel, ex-JP Morgan e Citi e atualmente gestor da Itaú Asset, calcula que a moeda norte-americana estaria 15% mais cara do que o normal. Para o economista, o dólar deve chegar a R$ 4,00 no longo prazo.

Já os juros futuros, que passaram a maior parte da manhã em alta, inverteram o sinal e encerram as negociações no campo negativo.

Na esteira da queda do dólar, os principais contratos de Depósito Interfinanceiro (DI) anotaram quedas. Veja os percentuais abaixo, com os dados sobre o ajuste da última quinta-feira (14):

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  • DI para janeiro/2023: 13,05% (ante 13,113%);
  • DI para janeiro/2024: 12,675% (ante 12,803%);
  • DI para janeiro/2025: 12,05% (ante 112,156%);
  • DI para janeiro/2027: 11,77% (ante 11,86%).

Inter (BIDI11) retoma planos de mudança para o exterior e é destaque da sessão

Entre as maiores altas do dia, o destaque ficou com o Inter (BIDI11), que dominou a ponta positiva do Ibovespa na maior parte da sessão. Por trás do desempenho digno de nota está a retomada dos planos do banco de listar suas ações nos Estados Unidos.

No feriado da Sexta-Feira Santa, às 23h20, o banco comunicou ao mercado que enviou um aditivo ao regulador do mercado financeiro americano, a SEC, com novos termos para seguir com uma reorganização societária que objetiva levar suas ações para a Nasdaq.

"Essa reestruturação já era esperada e nós acreditamos que irá apoiar os preços das ações do banco (que sofreram um sell-of nos últimos meses", disse o banco UBS BB em nota enviada a clientes.

O UBS BB recomenda compra das ações do Inter e tem o preço-alvo estipulado em R$ 42. O valor representa um potencial de valorização de 154% em relação ao fechamento do último pregão.

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Vale lembrar que em dezembro do ano passado o conselho de administração do Inter decidiu não seguir com a reorganização societária. Isso aconteceu porque mais de 10% da base acionista não topou trocar as ações por BDRs e preferiu o cash-out, ou seja, receber o valor correspondente em dinheiro.

SOBE E DESCE DO IBOVESPA

Além do Inter, veja quais foram as maiores altas do Ibovespa hoje:

TICKEREMPRESACOTAÇÃOVARIAÇÃO
BIDI11BANCO INTER UNTR$ 17,26+4.42%
LWSA3LOCAWEB ONR$ 8,39+4.22%
BBAS3BANCO DO BRASIL ONR$ 36,50+3.69%
IGTI11IGUATEMI UNTR$ 20,95+3.10%
FLRY3FLEURY ON R$ 15,88+2.52%

Confira também as maiores baixas:

TICKEREMPRESACOTAÇÃOVARIAÇÃO
ENEV3ENEVA ONR$ 14,90−4.24%
GOLL4GOL PN R$ 15,89−3.11%
SUZB3SUZANO S.A. ONR$ 52,10−2.82%
CSNA3SID NACIONAL ONR$ 24,75−2.71%
ECOR3ECORODOVIAS ONR$ 7,34−2.65%

Foco nas greves e no Banco Central

Os servidores do BC permanecem em greve nesta semana, o que atrasa mais uma vez a divulgação da pesquisa Focus — que traz as projeções do mercado para a economia —, além da publicação da balança comercial e da prévia do PIB, o IBC-Br. 

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Quem deve se juntar aos servidores do BC são os funcionários do Tesouro, que devem parar suas atividades na quarta-feira (20), e os auditores da Receita Federal. Estes últimos repudiaram o reajuste de 5%, que não repõe as perdas inflacionárias. 

Ao mesmo tempo, o funcionalismo público segue na briga. Mesmo servidores da Polícia Federal (PF) e da Polícia Rodoviária Federal (PRF) entendem que o presidente da República, Jair Bolsonaro, descumpriu acordos com representantes da categoria, que marcaram uma assembleia extraordinária para esta terça-feira (19). 

Bolsonaro havia prometido um reajuste para sua base de apoio — os policiais federais — o que gerou descontentamento das demais categorias. Entretanto, o Orçamento para este ano já estava limitado, e o chamado “pacote de benesses” do presidente encontra resistência da equipe técnica da Economia. 

Além disso, o Ministério ainda deve conceder uma coletiva de imprensa sobre o Projeto de Lei Orçamentária (PLDO) para o ano que vem. Nas projeções, o déficit fiscal deve ficar em R$ 25,5 bilhões neste ano. 

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FMI e Livro Bege monopolizam atenção das bolsas no exterior

O Fundo Monetário Internacional começa sua reunião de primavera na próxima terça-feira (19), com a participação de grandes representantes dos BCs mundiais. Entre eles, Jerome Powell, do Federal Reserve, Christine Lagarde, do BCE, e o próprio Roberto Campos Neto, da autoridade brasileira. 

Na esteira dos acontecimentos, o FMI deve debater temas como o novo cenário internacional, com a retomada das atividades, inflação disparada e encarecimento do crédito nos países. A guerra da Ucrânia deve permanecer como pano de fundo e são esperados comentários de autoridades sobre o conflito. 

Ainda permanece no radar a temporada de balanços nos Estados Unidos. Nomes conhecidos como o Bank of America, Johnson & Johnson, Tesla e Netflix devem divulgar seus dados do terceiro trimestre deste ano. 

Por fim, a divulgação do Livro Bege, a publicação do Federal Reserve que traz perspectivas para a economia dos EUA, deve acontecer na próxima quarta-feira (20).

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O tom mais agressivo (hawkish, no jargão do mercado) do Fed contra a inflação chegou a assustar os investidores em Wall Street. A alta contratada de 50 pontos-base nos juros para a próxima reunião não deve ser o fim do aperto monetário do maior BC do mundo. 

A redução do balanço patrimonial — em outras palavras, a retirada de estímulos da economia, ou tapering — também deve acelerar nos próximos meses.

Vale lembrar que a injeção de dinheiro do Fed na economia impulsionou o desempenho de ativos de risco nos últimos dois anos, como ações e criptomoedas. Com isso, é esperado que esses investimentos sintam a volta das “vacas magras” no cenário internacional.

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