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Jasmine Olga

Jasmine Olga

É repórter do Seu Dinheiro. Formada em jornalismo pela Universidade de São Paulo (ECA-USP), já passou pelo Centro de Cidadania Fiscal (CCiF) e o setor de comunicação da Secretaria da Educação do Estado de São Paulo

FECHAMENTO DO DIA

Powell frustra o mercado e bolsas americanas derretem, mas Ibovespa escapa com ganhos de 0,72% na semana; dólar cai

As bolsas em Nova York acumularam perdas de mais de 3% nesta tarde, com o Nasdaq registrando o pior desempenho. O Ibovespa, no entanto, teve um desempenho mais brando

Jasmine Olga
Jasmine Olga
26 de agosto de 2022
17:54 - atualizado às 18:06
Imagem mostra Jerome Powell como grande estrela do mercado financeiro
Imagem: Shutterstock, com intervenções de Andrei Morais

Desde que o Federal Reserve (o banco central americano) anunciou o início da retirada dos estímulos monetários adotados na pandemia, durante o simpósio de Jackson Hole de 2021, o mercado financeiro global já se viu obrigado inúmeras vezes a recalcular a rota, e todas elas parecem levar a um destino ainda incerto, mas muito próximo da entrada das Cavernas da Recessão.

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Toda e qualquer movimentação é levada em consideração — seja ela um novo dado econômico, considerações oficiais do Comitê de Política Monetária do Fed (Fomc) ou declarações soltas de dirigentes com direito à voto. 

Apesar das reviravoltas constantes, o último mês foi de estabilidade, com os investidores certos de que o ritmo de alta dos juros seria reduzido e de que a economia americana se afasta de uma recessão iminente. Essa perspectiva, no entanto, foi frustrada nesta tarde, e o mercado precisou recalcular a sua rota mais uma vez. 

No muito aguardado discurso na edição de 2022 do simpósio de banqueiros centrais, o presidente do Fed, Jerome Powell, foi mais duro do que os investidores esperavam ao falar sobre inflação, juros e a possibilidade de recesso — uma fala alinhada com a de outros dirigentes do BC americano que agora defendem publicamente uma taxa de juros na casa dos 4% ao ano. 

Era tudo o que Wall Street temia. As bolsas em Nova York acumularam perdas de mais de 3% nesta tarde, com o Nasdaq registrando o pior desempenho — uma queda de 3,94%. 

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Com a cautela prevalecendo, o Ibovespa também encerrou o dia no vermelho, mas teve um recuo menor do que os seus pares internacionais, ajudado pelas ações da Petrobras (PETR4). O principal índice da B3 caiu 1,09% hoje, aos 112.298 pontos, mas teve ganhos de 0,72% na semana. 

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Apesar de a aversão ao risco ter prevalecido no mercado americano e na bolsa, o real teve um dia de valorização, impulsionado pela entrada de capital estrangeiro em direção às empresas produtoras de commodities. Com isso, o dólar à vista encerrou o dia em queda de 0,67%, a R$ 5,0781, levando alívio também para a curva de juros. Na semana, o tombo foi de 1,74%. 

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Com a palavra, Powell

Em seu discurso, Jerome Powell admitiu que para que a inflação vá em direção ao patamar desejado de 2% ao ano será preciso utilizar todas as ferramentas necessárias, o que levou o mercado voltar a precificar uma nova alta de 0,75 ponto percentual (pp) na próxima reunião. 

“Sem a estabilidade de preços, a economia não funciona para ninguém. Em particular, sem estabilidade de preços, não alcançaremos um período sustentado de fortes condições do mercado de trabalho que beneficiem a todos”, disse Powell logo no começo do discurso.

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Powell também flertou com um dos maiores medos dos investidores — a possibilidade de recessão. Segundo o presidente do Fed, a desaceleração da economia é um efeito colateral necessário para o controle dos preços. 

Sobe e desce do Ibovespa 

Depois de anunciar a chegada de Sergio Rial ao comando da empresa, as ações da Americanas S.A (AMER3) registraram o maior avanço semanal. A companhia, assim como o Magazine Luiza (MGLU3) e outras empresas do varejo e consumo, também foram beneficiadas pela deflação mensal mostrada no IPCA-15 de agosto. Confira os melhores desempenhos da semana no Ibovespa:

CÓDIGONOMEULTVARSEM
AMER3Americanas S.AR$ 18,1038,91%
MGLU3Magazine Luiza ONR$ 4,5821,16%
ALPA4Alpargatas PNR$ 22,4016,06%
CVCB3CVC ONR$ 8,0112,98%
PRIO3PetroRio ONR$ 26,5610,81%

O principal destaque negativo dos últimos dias foi a resseguradora IRB (IRBR3). A companhia anunciou uma oferta primária de ações, com esforços restritos.A intenção é emitir 597.014.925 de novas ações, que podem ser acrescidas de mais 1,19 bilhão de novas ações em lotes adicionais. A operação será limitada a R$ 1,2 bilhão e carrega um preço por papel bem abaixo da cotação atual do papel. 

Confira também as maiores quedas da semana no Ibovespa:

CÓDIGONOMEULTVARSEM
IRBR3IRB ONR$ 1,97-10,45%
SUZB3Suzano ONR$ 45,35-9,25%
EZTC3EZTEC ONR$ 18,02-7,78%
JBSS3JBS ONR$ 29,95-7,48%
ENGI11Engie unitsR$ 42,49-7,35%

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