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REAÇÃO AO BALANÇO

Grupo Mateus (GMAT3) desaba na bolsa: o que explica a queda de quase 17% em um dia e como ficam os papéis agora?

O desempenho do 4T25 frustrou as expectativas, com queda nas vendas, pressão sobre margens e aumento de despesas, reforçando a leitura de desaceleração operacional

Fachada loja João Pessoa (Valentida), do Grupo Mateus (GMAT3).
Fachada loja João Pessoa (Valentida), do Grupo Mateus (GMAT3). - Imagem: Divulgação

As coisas não têm sido fáceis para o Grupo Mateus (GMAT3) na bolsa de valores. Fora do Ibovespa, a varejista chegou a despencar quase 17% nesta quinta-feira (19), em reação ao balanço do quarto trimestre de 2025. Na visão de analistas, os números vieram fracos e aquém das expectativas.

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A queda acabou arrefecendo no final do pregão, mas ainda assim foram significativas: as ações GMAT3 terminaram o dia em baixa de 14,23%, cotadas a R$ 4,16. No ano, os papéis acumulam baixa de 7,76%, mas em março as perdas são maiores: -27,27%.

O Itaú BBA destaca que os números do balanço refletiram uma combinação de desaceleração da inflação de alimentos e um ambiente de consumo mais fraco no Nordeste, principal região de atuação da companhia, o que acabou pressionando volumes e limitando o crescimento das vendas.

Esse cenário ficou evidente no desempenho das vendas mesmas lojas (SSS), especialmente no atacarejo (cash & carry), que recuaram 5,5% e foram o principal fator por trás da frustração na receita, segundo o banco.

A menor capacidade de repasse de preços em um ambiente de consumo mais apertado também contribuiu para reduzir a alavancagem operacional e pressionar margens.

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Já o BTG Pactual destaca que a base de comparação foi impactada pela consolidação da Novo Atacarejo em meados do ano passado. Isso, combinado a uma demanda mais fraca e ao aumento de despesas — também influenciadas pela aquisição —, acabou pressionando as margens da companhia.

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O banco também chamou atenção para o aumento de 34% na base anual das despesas com vendas, gerais e administrativas (SG&A)

O Safra reforçou que o trimestre foi mais fraco do que o esperado em praticamente todas as linhas, com destaque para o Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado, que ficou cerca de 23% abaixo das estimativas.

Essa linha do balanço veio 3,1% menor em relação aos três últimos meses de 2024, para R$ 612,6 milhões.

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Os destaques do resultado do Grupo Mateus

A rede de supermercados registrou um lucro líquido atribuível aos controladores de R$ 324,3 milhões entre outubro e dezembro de 2025, crescimento de 2,2% em relação ao mesmo intervalo de 2024, em linha com as expectativas.

A receita líquida avançou 20,9% na mesma base de comparação, para R$ 10,55 bilhões, enquanto a geração de caixa somou R$ 379,1 milhões no trimestre.

O indicador de vendas mesmas lojas saiu de crescimento no ano anterior para queda de 1,1% no quarto trimestre de 2025, uma piora de 7 pontos percentuais (p.p.) em relação ao mesmo intervalo de 2024.

A margem bruta atingiu 22,6%, avanço de 0,7 p.p. em relação a 2024, mas 0,10 p.p. abaixo das estimativas do Itaú BBA.

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O fluxo de caixa livre (FCF) aparece como ponto positivo, na visão dos analistas. A companhia gerou R$ 525 milhões no quarto trimestre, enquanto a dívida líquida chegou a R$ 1 bilhão, com alavancagem de 0,4 vez dívida líquida sobre Ebitda.

Segundo o Itaú BBA, o capital de giro melhorou em cinco dias na comparação trimestral, puxado principalmente por fornecedores, com avanço semelhante ao observado entre outubro e dezembro de 2024.

Os analistas preferem não comparar com o ano anterior devido à falta de comparabilidade após a consolidação da Novo Atacarejo.

A geração consistente de caixa segue como uma das principais variáveis a serem monitoradas para sustentar a avaliação da companhia.

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O que fazer com as ações?  

Para o Itaú BBA, a dinâmica para as varejistas deve continuar complicada neste início do ano, sem alívio iminente. Os analistas do banco ainda destacam que a recente disparada dos preços do petróleo pode levar a uma inflação de alimentos mais acelerada no futuro.

No entanto, por ora, a dinâmica ainda reflete menor repasse de alimentos — o que naturalmente pressiona a receita e, consequentemente, a alavancagem operacional. 

A recomendação para os papéis é de compra, com preço-alvo em R$ 9, alta potencial de 85% frente ao fechamento da última quarta-feira (18).

O BTG Pactual também acredita que o cenário não deve melhorar tão cedo, considerando também os efeitos da integração com a Novo Atacarejo, que devem continuar pesando nos resultados.

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No entanto, os analistas ainda veem GMAT3 como uma opção barata e com exposição às regiões Norte e Nordeste, onde os players nacionais são menos presentes.

Segundo o time do BTG, esses fatores sustentam a manutenção da recomendação de compra "por enquanto", o preço-alvo também é de R$ 9.

O Safra, por sua vez, tem recomendação neutra, que deve ser mantida até que o banco veja “um sinal mais claro de melhora operacional”.

*Com informações Money Times

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