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Renan Sousa

Renan Sousa

É repórter do Seu Dinheiro. Formado em jornalismo na Universidade de São Paulo (ECA-USP) e já passou pela Editora Globo e SpaceMoney.

MERCADOS HOJE

Bolsa hoje: Ibovespa acompanha EUA e recua 3% com releitura da decisão do Fed; dólar sobe a R$ 5,04

Renan Sousa
Renan Sousa
5 de maio de 2022
9:09 - atualizado às 17:22

RESUMO DO DIA: Os investidores digerem a Super Quarta, com reflexos de uma política monetária mais "amigável" fomentando o otimismo nesta quinta-feira (05). Enquanto os índices da Europa avançam, Nova York se reajusta ao rali do final da tarde de ontem. Por aqui, o risco fiscal é quem domina o Ibovespa.

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Acompanhe por aqui o que mexe com a bolsa, o dólar e os demais mercados hoje, além das principais notícias do dia.

O Ibovespa encerrou a sessão em queda de 2,80%, aos 105.304 pontos.

FECHAMENTO EM NOVA YORK
  • Nasdaq: -4,99%
    S&P 500: -3,55%
    Dow Jones: -3,11%

O dólar à vista encerrou o dia em alta de 2,30%, a R$ 5,0165.

EXPORTADORAS SE SALVAM

Com o mercado digerindo (muito mal) o discurso do presidente do Federal Reserve sobre a política monetária dos EUA, apenas duas ações escapam da queda: Klabin (KLBN11) Suzano (SUZB3).

A tábua de salvação que impede as duas de se afogarem na aversão ao risco global é o resultado financeiro da primeira empresa.

A produtora de papel e celulose caiu nas graças dos investidores ao reverter em lucro líquido de R$ 10,3 bilhões o prejuízo de R$ 2,6 bilhões registrado no primeiro trimestre do ano passado.

CONFIRA TODOS OS DETALHES

NASDAQ ACELERA QUEDA

Mais sensível à alta dos juros futuros, o Nasdaq aprofundou a queda na última hora e já registra perdas na casa dos 5%.

BRF (BRFS3): CHOQUE DE REALIDADE

A BRF (BRFS3) chegou a despencar quase 14% mais cedo, em meio às reações negativas dos analistas ao balanço trimestral da companhia — o JP Morgan chegou a rebaixar as ações para venda. Com um prejuízo de R$ 1,5 bilhão e um Ebitda muito inferior às piores estimativas do mercado, os papéis foram as mínimas desde 2009.

Durante a teleconferência de resultados, a administração da BRF reconheceu a fraqueza do primeiro trimestre e tentou ‘virar a página’, mostrando que a perspectiva para o restante do ano é positiva, tanto no Brasil quanto no exterior. A estratégia parece ter dado certo: as ações BRFS3 reduziram as perdas e caem ‘apenas’ 4% nesta tarde.

Leia mais sobre o balanço da BRF no primeiro trimestre.

As bolsas globais sustentam o ritmo de queda na casa dos 3%, ainda repercutindo a visão de que o Federal Reserve pode ter trabalho para atingir os seus objetivos com o ritmo atual de ajuste.

No Brasil, apenas Suzano e Klabin escapam do banho de sangue, impulsinadas pelo dólar alto e pelos resultados divulgados pelas companhias.

FECHAMENTO NA EUROPA
  • Frankfurt: -0,50%
  • Londres: +0,17%
  • Paris: -0,43%
  • Stoxx-600: -0,74%
RECESSÃO NA TERRA DA RAINHA

O Federal Reserve e o Banco Central do Brasil não foram os únicos a elevar os juros para conter a inflação. Nesta quinta-feira (05), o Banco da Inglaterra (BoE) subiu sua taxa básica em 0,25 ponto percentual, a 1%ao ano — o quarto aumento seguido e o maior nível desde 2009.

Junto com a elevação dos juros, o BoE cortou drasticamente suas projeções para a economia do Reino Unido, que agora tem uma recessão no horizonte. Segundo o BC, o Produto Interno Bruto (PIB) britânico deve encolher 0,25% em 2023, depois de uma expansão projetada em 3,75% para este ano. As bolsas na Europa caem na esteira da decisão, com exceção de Londres, que opera em alta.

NUBANK NAS MÍNIMAS EM NOVA YORK

A euforia com as ações do Nubank (NU) durou pouco. Depois de subirem mais de 5% na quarta-feira (04), embalados pelo otimismo que tomou conta do mercado norte-americano após a decisão do Federal Reserve (Fed), os papéis do banco digital voltam a cair em Nova York, renovando mínimas.

Os papéis recuam 8,49%, cotados a US$ 5,28. A menor cotação de fechamento do Nubank até então aconteceu na terça-feira (03), a US$ 5,47. A baixa das ações acontece em um dia de fortes perdas nas bolsas dos EUA, com a maior pressão sobre o Nasdaq e sobre as empresas de tecnologia.

REAVALIANDO OS DISCURSOS

Depois de reagir positivamente ao discurso do Federal Reserve na tarde de ontem, o mercado financeiro passa por uma reavaliação. 

Embora Jerome Powell tenha afirmado que uma elevação de 0,75 pontos percentuais na próxima reunião não é o cenário-base, os analistas e economistas possuem dificuldade para ver como o Fed irá cumprir a sua promessa de agressividade no combate à inflação sem apressar o ritmo da alta do juro. Vale lembrar que Powell reforçou os riscos que uma potencial desaceleração da China e a continuidade da guerra na Ucrânia trazem para os preços. 

No Brasil, o Copom seguiu o roteiro esperado, mas o Banco Central mostra dificuldade em planejar o plano de pouso da política monetária, o que faz com que as apostas para a Selic no fim do ano sejam reajustadas para cima. 

JUROS EM FORTE ALTA

Ao contrário do que aconteceu na sessão de ontem, hoje o mercado de juros opera em forte alta, digerindo melhor as declarações do Fed.

CÓDIGO NOME  TAXA  FEC 
DI1F23 DI jan/23 13,20% 13,01%
DI1F25 DI Jan/25 12,21% 11,97%
DI1F26 DI Jan/26 12,04% 11,83%
DI1F27 DI Jan/27 12,01% 11,81%
CAUTELA PREDOMINA

Com a aversão ao risco generalizada que toma conta dos negócios, apenas quatro ações operam no azul, repercutindo a temporada de balanços.

A Gerdau apresentou bons números e a Suzano tem perspectiva positiva para o futuro. A exportadora também anunciou um programa de recompra de ações. Confira:

CÓDIGO NOME ULT VAR
GGBR4 Gerdau PN R$ 28,11 2,55%
GOAU4 Metalúrgica Gerdau PN R$ 11,53 2,04%
SUZB3 Suzano ON R$ 52,17 1,56%
KLBN11 Klabin units R$ 22,52 1,26%
BRAP4 Bradespar PN R$ 27,89 0,36%

Na ponta contrária, a BRF aparece com o pior desempenho do dia. A companhia apresentou um balanço considerado fraco pelos analistas.

CÓDIGO NOME ULT VAR
BRFS3 BRF ON R$ 12,02 -12,01%
MGLU3 Magazine Luiza ON R$ 4,59 -7,27%
ALPA4 Alpargatas PN R$ 19,35 -5,93%
HAPV3 Hapvida ON R$ 8,33 -5,66%
TOTS3 Totvs ON R$ 30,43 -5,44%

Após os fortes ganhos da véspera no Brasil e nos Estados Unidos, os investidores atuam com uma maior cautela.

Em Wall Street, pesa a leitura de que a taxa de juros deve subir mais do que o esperado e se manter em um patamar mais elevado por um período maior de tempo.

Por aqui, o Ibovespa acompanha a maior cautela global, ignorando até mesmo a alta do petróleo e do minério de ferro.

O Ibovespa encerrou os leilões de abertura em queda de 0,45%, aos 107.855 pontos, enquanto o dólar à vista segue a trajetória de alta, com um avanço de 1,05%, negociado a R$ 5,0143.

CURVA DE JUROS FUTUROS ABRE EM ALTA

Os juros futuros (DIs) abriram em alta, com a perspectiva de que o aperto monetário não acabe não cedo.

A perspectiva do mercado era de que o ciclo de alta da Selic se encerrace em 12,75%, mas o “cenário alternativo”, proposto pelo BC em março deste ano, começa a pesar e o novo cálculo da rota mostra que os juros devem continuar subindo.

COD NOME  ULT  FEC
DI1F23 DI jan/23 13,19% 13,04%
DI1F25 DI Jan/25 12,12% 12,05%
DI1F26 DI Jan/26 11,95% 11,89%
DI1F27 DI Jan/27 11,93% 11,90%

Ibovespa futuro abre em queda de 1,09%, aos  108.670. No mesmo horário, o dólar à vista avança 0,55%, negociado a R$ 4,9951.

BOLSAS NO EXTERIOR

As bolsas da Europa reagem positivamente ao anúncio de juros do Banco Central americano na tarde da última quarta-feira (04).

Os balanços locais também ajudam no bom desempenho dos índices pela manhã.

Já nos Estados Unidos, o cenário é um pouco diferente: o rali pós-Fed aconteceu ontem mesmo, com o Nasdaq chegando a disparar mais de 3%.

Nesta quinta-feira (05), os futuros apontam para um dia de reajuste.

  • Euro Stoxx 50: +1,59%
  • Dow Jones futuro: -0,53%
  • S&P 500 futuro: -0,70%
  • Nasdaq futuro: –0,86%
ESQUENTA DOS MERCADOS

Entre tapas e beijos, o Federal Reserve conseguiu impulsionar as bolsas no final da última Super Quarta com seus — nem tão costumeiros — afagos. Jerome Powell, presidente do Fed, deu sinais de que o aperto monetário dos Estados Unidos não será tão intenso quanto o esperado.

Isso porque ontem (04), o Fed anunciou a elevação dos juros para a faixa entre 0,75% e 1,00%, um avanço de 50 pontos-base na taxa. Mas Powell garantiu que o monetário não terá elevações mais bruscas, da ordem de 0,75 pontos percentuais, um dos grandes temores do mercado.

E isso deu motivo mais que de sobra para os índices internacionais reagirem. Após o anúncio, o Ibovespa inverteu o sinal e passou a avançar e fechou o dia em alta de 1,70%, aos 108.343 pontos.

O dólar à vista também inverteu a tendência de valorização e caiu 1,21%, fechando as negociações no patamar de R$ 4,9036

Leia o nosso Esquenta dos Mercados completo aqui.

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