Michael Klein desiste de investir no setor de aviação
Dos 13 hangares e das 33 aeronaves que sua empresa Icon Aviation chegou a ter, restaram dois aviões, dois helicópteros e dois hangares, em Sorocaba (SP) e Pampulha (MG)

Depois de oito anos investindo na aviação executiva - incluindo aí um período de forte crise, quando praticamente ninguém continuava apostando no setor -, o empresário Michael Klein se desfez do negócio e ampliou o foco nos segmentos imobiliário e de concessionárias.
Dos 13 hangares e das 33 aeronaves que sua empresa Icon Aviation chegou a ter, restaram dois aviões, dois helicópteros e dois hangares, em Sorocaba (SP) e Pampulha (MG).
Durante todo o período em que atuou no segmento aéreo, Klein teve resultados positivos apenas em 2018, quando a empresa foi impulsionada pelo fretamento de aeronaves por candidatos à Presidência e a governos de Estado e por clientes que foram à Rússia para ver a Copa do Mundo.
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Apesar do desempenho ruim por quase uma década, foi a pandemia que acabou de vez com a intenção do empresário - maior acionista da Via Varejo, grupo dono das marcas Casas Bahia e Ponto Frio - de ter lucros com a aviação.
"Passamos o ano passado inteiro sem poder fazer voos de longo alcance. Os países com fronteiras fechadas. Acho que a aviação executiva, em 2021 inteiro, não vai decolar", diz ele, que vendeu a maior parte de sua frota para a Voar, empresa do segmento com sede em Goiás. Aeronaves maiores, porém, foram comercializadas nos EUA.
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Pelo acordo fechado com a companhia goiana, Klein fretará suas aeronaves para a empresa quando ela precisar de um modelo que não possui. "Eles terão prioridade nas minhas aeronaves", diz. Klein manteve um avião de oito lugares, um de seis e dois helicópteros também de seis lugares, além de continuar como representante para vendas de helicópteros da fabricante italiana Leonardo.
Segundo o empresário, as aeronaves que lhe restaram também podem ser vendidas. "Mas posso comprar outras também. Vender o que tenho e trocar por alguma melhor. Não tem problema nenhum", acrescenta entre risos.
Apesar dos anos de investimentos (apenas em 2018 e 2019, foram R$ 120 milhões) e da falta de retornos, Klein afirma que não foi um erro apostar no setor. "Não chamo de erro. É um mercado muito dinâmico. Achamos que foi bom ter essa experiência. Não foi rentável. Por isso, também achamos melhor sair neste momento."
Ao contrário da empresa de aviação executiva, a de concessionárias vai bem, segundo o empresário. Recentemente, ele adquiriu duas lojas da Honda no litoral de São Paulo. Com a aquisição, Klein passa a ter sete concessionárias - possui também duas da Mercedes-Benz e três da Jaguar Land Rover.
"Acreditamos que boa parte do capital investido na Jaguar já retornou para fazermos novos investimentos. Vamos procurar outras marcas boas (para continuar expandindo)."
Mercado
Filho do fundador das Casas Bahia, Samuel Klein, o empresário diz não saber "ficar parado". "Agora, o mercado está bom de preço. Pessoal não está querendo investir muito. A gente está percebendo isso no setor imobiliário. Tem muitas empresas, terrenos, áreas que estão sendo oferecidas. Uma vez por semana a gente se dedica a pegar o helicóptero e visitar novas áreas para empreendimentos."
A intenção de Klein é investir em galpões logísticos, segmento em que começou para atender uma demanda da Casas Bahia e depois passou a oferecer para terceiros. Hoje, possui um em Cajamar, na região metropolitana de São Paulo. "Tudo que recebo hoje vou investir em logística e revendas. Já separamos um valor para investir em logística neste ano. Se não conseguir uma nova área no primeiro semestre, no segundo, vocês terão notícias." O empresário afirma ter sondado a zona leste de São Paulo e a região do ABC paulista.
Além de galpões logísticos, no setor imobiliário Klein é dono de cerca de 300 imóveis, a maioria ocupada por lojas da Casas Bahia. No ano passado, quando deixou a presidência do conselho de administração da Via Varejo, fontes afirmaram que havia um conflito de interesses entre Klein conselheiro e Klein empresário que resultou na saída dele do colegiado. A Via Varejo pedia prorrogação de prazo para pagamento dos aluguéis enquanto as lojas permanecessem fechadas por causa da quarentena.
Klein afirma que não houve desentendimento e que ele concordou em prorrogar os prazos. "Demos uma postergação de prazo de cinco anos para o aluguel", diz. Ele acrescenta ter se afastado da companhia para que seu filho, Raphael, pudesse tocar a transformação digital necessária no grupo.
"Ele tem quarenta e poucos anos. É quem pode falar melhor com o pessoal de tecnologia, que tem outro ritmo, outra maneira de pensar e agir. Acho que ele vai se dar bem. Está se dando bem." Na semana passada, a empresa anunciou lucro de R$ 1 bilhão em 2020, revertendo o prejuízo de R$ 1,4 bilhão registrado um ano antes.
As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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