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Modalidade existe há mais de 20 anos nos EUA, mas ainda é inédita no Brasil; entenda como funciona
Era uma empresa muito engraçada, não tinha ativo, não vendia nada…
Se “A Casa”, de Vinícius de Moraes, pudesse ser usada para falar de uma Spac, talvez começasse assim.
Mas como a intenção é falar do chamado “IPO do cheque em branco”, melhor parar de maltratar o Poetinha.
O IPO do cheque em branco existe há mais de 20 anos nos Estados Unidos. Formatada para viabilizar investimentos de alto risco, a modalidade é cada vez mais popular na gringa, mas inédita no Brasil.
Essa situação talvez esteja prestes a mudar. Pelo menos no que depender dos esforços da Alvarez & Marsal.
A consultoria especializada em reestruturação de empresas problemáticas anunciou hoje que a CVM a autorizou a criar uma Spac na B3.
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Spac é a sigla em inglês para Special purpose acquisition companies (Companhias com Propósito Especial de Aquisição), o nome formal do famoso IPO do cheque em branco.
Trata-se de uma empresa sem ativos no balanço que levanta dinheiro por meio de uma oferta pública inicial para adquirir um negócio e então transformá-lo em uma companhia de capital aberto.
A modalidade tornou-se conhecida como IPO do cheque em branco porque os investidores abordados pelos coordenadores da oferta normalmente não têm ideia de qual é a empresa que será comprada pela criadora da Spac.
Eles investem no que consideram ser a capacidade dos gestores de pinçar uma boa oportunidade de negócio. Com isso, o dinheiro é levantado antes mesmo da definição de qual será a empresa listada na bolsa.
Em geral, os gestores da Spac apresentam em linhas gerais que tipo de negócio estão de olho — pode ser um setor específico ou uma determinada região.
Passo a passo:
A Alvarez & Marsal pretende realizar uma oferta pública com esforços restritos destinada apenas a investidores profissionais.
A Spac criada pela empresa pretende listar suas ações no Nível 2 da B3, similar ao Novo Mercado, mas que permite aos participantes a emissão de ações preferenciais (PN).
E como uma boa Spac, ela “não definiu nem aprovou a efetiva realização da potencial oferta ou os seus termos e condições e, portanto, nesta data, não está sendo realizada qualquer oferta pública de distribuição de ações”, segundo fato relevante protocolado hoje na CVM.
Caso as pretensões da Alvarez & Marsal se concretizem, esta será a primeira Spac legitimamente brasileira.
No mês passado, a Crescera Capital, gestora de fundos que tinha o ministro Paulo Guedes como sócio, captou US$ 175 milhões (quase R$ 1 bilhão no câmbio de hoje) para fusões e aquisições no Brasil. Entretanto, a operação está listada na Nasdaq.
Em junho, também na Nasdaq, a XP captou US$ 200 milhões para uma Spac.
A Alvarez & Marsal é uma multinacional de consultoria especializada na reestruturação de empresas em dificuldades.
A companhia envolveu-se recentemente no vespeiro político brasileiro ao contratar o ex-juiz e hoje pré-candidato do Podemos à presidência em 2022, Sérgio Moro.
Depois de servir como ministro da Justiça de Jair Bolsonaro, Moro chegou à Alvarez & Marsal como sócio-diretor.
A polêmica emergiu do fato de uma das empresas “problemáticas” atendidas pela Alvarez & Marsal ser a construtora Odebrecht.
E as dificuldades da Odebrecht começaram justamente sob a batuta de Moro, quando ele presidia a Operação Lava Jato.
A Alvarez & Marsal e o ex-juiz acabaram encerrando o vínculo alguns meses depois, quando Moro manifestou a intenção de entrar na disputa eleitoral de 2022.
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