Barrada na alfândega: Carne de unidade da BRF não é mais bem vinda na China
País asiático suspende compra de produtos suínos e de aves processados na unidade de Lucas do Rio Verde (MT), alegando problemas no transporte

O governo chinês suspendeu as importações de carne suína e de aves da unidade da BRF em Lucas do Rio Verde (MT), conforme comunicado no site oficial da Administração Geral de Alfândegas da China (Gacc, na sigla em inglês) publicado nesta terça-feira, 3.
Os chineses informaram que a interrupção das compras entra em vigor hoje, sem sinalizar quando os negócios podem ser retomados. Segundo o Ministério da Agricultura, problemas no transporte dos produtos até o país asiático teriam motivado a decisão.
Em nota, a BRF disse que soube da decisão por meio do site da Gacc e que tomará as medidas cabíveis e "trabalhará na reversão da situação com as autoridades chinesas e brasileiras".
A empresa ressaltou, porém, que ainda não foi notificada oficialmente sobre a suspensão. "A BRF reforça que possui confiança em seus rigorosos processos de segurança de alimentos e de qualidade e reafirma seu compromisso em continuar aprimorando os controles internos para garantir os mais elevados padrões de qualidade e segurança."
Em nota enviada ao Estadão/Broadcast, o Ministério da Agricultura disse que a suspensão anunciada hoje teria sido causada por problemas identificados no transporte dos produtos até o país asiático.
Segundo a pasta, a informação foi dada por uma autoridade chinesa, após a publicação do embargo no site oficial do Gacc.
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"A empresa irá elaborar um plano de ação para evitar que fatos como esses voltem a ocorrer e essa informação será encaminhada às autoridades chinesas com a agilidade necessária", acrescentou no comunicado.
Já a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) disse, também em nota enviada ao Estadão/Broadcast, que vai apoiar a BRF na reversão da suspensão de importações da sua unidade de Lucas do Rio Verde.
"A ABPA reforça os elevados padrões de qualidade do setor e da BRF e a excelência dos produtos brasileiros exportados para mais de 150 nações nos cinco continentes, apoiando a segurança alimentar de milhões de pessoas em todo o mundo", afirmou.
E acrescentou que confia que as exportações para o mercado chinês serão restabelecidas em breve. A planta da BRF em Lucas do Rio Verde foi habilitada para exportar para a China em setembro de 2019 e também produz para a África do Sul e Canadá.
É uma das unidades da empresa cuja operação é 100% digitalizada e recebe investimentos constantes. No início do mês passado, por exemplo, a companhia anunciou que vai investir R$ 670 milhões na operação de Mato Grosso, entre as fábricas de Lucas do Rio Verde e Nova Mutum, para modernização e ampliação da produção.
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Ministério tenta intervir
O país asiático vem suspendendo, desde o ano passado, as compras de frigoríficos de vários países. A justificativa seria o maior controle sanitário, em razão da pandemia da covid-19.
A última suspensão de um frigorífico brasileiro ocorreu em setembro do ano passado, porém em caráter temporário. Na época, a Gacc paralisou as compras de uma planta de bovinos da Minerva Foods por uma semana.
As relações de frigoríficos com a China têm sido discutidas pelo setor com a ministra Tereza Cristina. Na última semana ela se reuniu com representantes de frigoríficos para tratar de novas habilitações.
Também na semana passada o Ministério da Agricultura informou ao Estadão/Broadcast que a China havia concordado em retomar a análise de pedidos de habilitação de frigoríficos brasileiros.
De acordo com a nota, esse trabalho tinha sido suspenso desde o início da pandemia, com a Gacc mais focada na prevenção e controle da covid-19.
Na ocasião, a pasta disse também que 56 plantas aguardam análise para habilitação pelo governo chinês, mas, para dar continuidade ao processo, elas precisam atualizar informações técnicas, incluindo controles implementados para prevenção do coronavírus.
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