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Kaype Abreu

Kaype Abreu

Formado em Jornalismo pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Colaborou com Estadão, Gazeta do Povo, entre outros.

perspectivas

Para Verde e SPX, auxílio emergencial por mais três meses não é preocupante

Luis Stuhlberger e Rogério Xavier dizem que a medida pode ser necessária, caso a vacinação demore demais; ambos veem 2021 positivo para os mercados

Kaype Abreu
Kaype Abreu
26 de janeiro de 2021
20:10 - atualizado às 13:47
Xavier, da SPX, e Stuhlberger, da Verde, em evento do Credit Suisse - Imagem: Leo Martins

O pagamento do auxílio emergencial por mais dois ou três meses em 2021 não preocupa o CEO da Verde Asset, Luis Stuhlberger, e o fundador da SPX Capital, Rogério Xavier. Para ambos, a medida é considerada necessária caso a vacinação demore demais no Brasil.

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Lendas do mercado financeiro, Stuhlberger e Xavier participaram de um evento online do Credit Suisse nesta terça-feira (26). Os gestores demonstraram otimismo com a retomada econômica do Brasil neste ano e com a reação dos mercados.

Para o fundador da SPX, a parte de política monetária, o lado fiscal e o desenrolar da eleição na Câmara e no Senado parecem favoráveis ao governo. "É muito provável que a gente tenha o avanço de uma PEC importante, como a emergencial", disse.

Xavier contou ter recebido com satisfação a última ata do Copom e a derrubada do forward guidance na última decisão sobre juros do Banco Central. O instrumento indicava que a Selic permaneceria baixa por bastante tempo.

Mas, na avaliação do fundador da SPX, a taxa já estava excessivamente baixa. "2% não é uma taxa de equilíbrio. Espero ver mais ações no sentido de corrigir esse nível dos juros em 2021", afirmou. "Está parecendo o ano de consertar os erros".

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Xavier disse ainda que no resto do mundo as curvas de juros parecem "muito pouco inclinadas". "Quando eu olho em juros em todo o mundo, me dá vontade de tomar todas as inclinações", disse.

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Já Stuhlberger disse que o juro real negativo fez "mal para o Brasil". "Mas não acho que o juro vai voltar ao que era antes". Entre os efeitos negativos da Selic baixa, estaria o real depreciado em relação ao dólar, segundo o CEO da Verde.

Flertando com o abismo

Stuhlberger disse ver com otimismo este ano e que "até cogita vender S&P e comprar Brasil". O Verde sempre teve alocação de 35% em ações brasileiras, mas hoje reserva 21% para papéis daqui e 15% no exterior, segundo o sócio da gestora.

O gestor lembrou que no longo prazo o cenário local continua desafiador. "Se o País não resolver as desigualdades e os problemas estruturais, vai acabar mal".

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"Todo mundo diz que o Brasil flerta com o abismo mas não cai. É uma verdade que não será verdade por todo tempo", disse o CEO da Verde. "Podemos querer eleger um salvador da pátria novamente. Espero que a gente não caia nisso de novo daqui dois anos".

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