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Em evento do Credit Suisse, Bolsonaro e Guedes reafirmaram o compromisso com o andamento das reformas e das privatizações, o que apaga a perspectiva negativa com a saída de Wilson Ferreira Junior da Eletrobras.
Depois de uma pausa para a celebração do aniversário da cidade de São Paulo, em que a B3 esteve fechada, os investidores encaram uma sessão volátil nesta terça-feira (26).
O dia começou com a divulgação da ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) e a repercussão da renúncia do presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira Junior. Mas são as declarações de Guedes e Bolsonaro que deram fôlego aos investidores e novas tensões entre Estados Unidos e China que dão o ritmo dos negócios hoje.
A bolsa chegou a avançar 1,52% na máxima do dia, mas perdeu força com a piora do quadro no exterior. Por volta das 17h, o Ibovespa operava em queda de 0,71%, aos 117.395 pontos, pesando o compromisso do governo com as reformas e privatizações e a cautela externa.
Operando com os mesmos drivers, mas seguindo o caminho oposto está o dólar, que opera em queda firme de 3,44%, a R$ 5,3194, refletindo o tom mais “hawkish” da ata do Copom, com a perspectiva de uma alta dos juros no médio prazo. O fluxo de entrada de estrangeiros no país, assim como a expectativa pela manutenção do teto de gastos também influenciam o movimento.
O mercado tem grande expectativa para a privatização da Eletrobras. Mas, nos últimos tempos, os sinais são cada vez menos encorajadores. Na semana passada, o candidato do governo à presidência do Senado, Rodrigo Pacheco, mostrou certa resistência em discutir a pauta.
A saída de Wilson Ferreira joga mais um balde de água fria no mercado, que também está cauteloso com o andamento das reformas. Por isso, as falas do presidente Jair Bolsonaro e de Paulo Guedes agora pela manhã trazem ânimo aos negócios.
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Em evento do Credit Suisse, o presidente sinalizou que pretende acelerar leilões de concessões e privatizações, com uma aceleração do caledário. Além disso, Bolsonaro também reforçou o seu compromisso com o teto de gastos ao dizer que não irá permitir que "medidas temporárias relacionadas com a crise se tornem compromissos permanentes".
Já o ministro da Economia afirmou que as reformas devem andar assim que o governo conseguir achar o seu "eixo político", acusando Maia de obstruir a votação dos projetos e com esperanças de que a eleição para o comando da Câmara e do Senado, que acontecem na semana que vem, destrave as pautas. Assim, os agentes financeiros domésticos ficam de olho nos passos dos candidatos às presidências da Câmara e do Senado. A fala do ministro também abre possibilidades de estímulos dentro do orçamento.
No entanto, Camila Abdelmalack, economista-chefe da Veedha Investimentos, acredita que o mercado não está 100% comprado nas declarações de hoje e essa leitura pesa após a euforia inicial. "No fundo os investidores sabem que são palavras e que provavelmente teremos esse primeiro semestre empacado igual ao anterior, com discussões de como enfiar o auxílio emergencial no orçamento".
Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco modalmais, ressalta que a saída de Ferreira do comando da Eletrobras "impõe a leitura de que as privatizações podem demorar bastante, mesmo com a fala do ministro Paulo Guedes de que é preciso acelerar privatizações e limpar a pauta do Congresso".
No exterior, o dia também abriu no positivo, mas a cautela passou a falar mais alto ao longo do dia. A piora no quadro das bolsas americanas, que recuam neste momento, veio após a nova secretária do Departamento de Comércio dos Estados Unidos, Gina Raimondo, dizer que utilizará todas as ferramentas para proteger os EUA da interferência chinesa que comprometa a segurança nacional com a tecnologia 5G. Mais cedo, a temporada de balanços, com números que agradaram o mercado, ditava o ritmo dos negócios.
O avanço do vírus também preocupa e segue obrigando os países a adotarem medidas cada vez mais rígidas de distanciamento social, o que leva a uma necessidade de sinalização de novos estímulos.
Na Europa, as principais bolsas também sobem. Durante a madrugada, as principais praças asiáticas fecharam em queda.
Outra notícia que impacta positivamente os negócios foi a revisão para o crescimento da economia mundial feita pelo Fundo Monetário Internacional (FMI). Segundo a instituição, a expansão deve ser de 5,5%, ante os 5,2% divulgados anteriormente.
Para que a projeção se confirme, é necessário a continuidade dos programas de vacinação contra a covid-19 em todo o mundo.
Nesta terça-feira, os investidores também repercutem a ata da última reunião do Copom. Em documento divulgado agora pela manhã, alguns membros do Copom sugeriram o fim do termo "extraordinário" para designar os estímulos, sinalizando um processo de normalização.
A instituição também alertou para os possíveis impactos da segunda onda da pandemia do coronavírus na atividade econômica brasileira, com destaque para os efeitos do fim do auxílio emergencial. Com o documento em mãos, o mercado passou a antecipar a alta dos juros de junho para março de 2021.
Confira as taxas de negociação dos principais contratos do mercado de juros futuros hoje:
As ações da BR Distribuidora são o grande destaque positivo do dia, após informações de que Wilson Ferreira Junior, que acabou de renunciar à presidência da Eletrobras, deve ir para a companhia. Confira as principais altas do pregão desta terça-feira:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| BRDT3 | BR Distribuidora ON | R$ 23,37 | 11,82% |
| RADL3 | Raia Drogasil ON | R$ 26,07 | 4,11% |
| HAPV3 | Hapvida ON | R$ 18,05 | 3,86% |
| IGTA3 | Iguatemi ON | R$ 33,69 | 3,19% |
| VVAR3 | Via Varejo ON | R$ 14,64 | 3,17% |
Com a leitura de que uma privatização é cada vez mais improvável, a Eletrobras lidera a lista de piores quedas do dia. Confira:
| CÓDIGO | NOME | VALOR | VARIAÇÃO |
| ELET3 | Eletrobras ON | R$ 27,60 | -8,73% |
| ELET6 | Eletrobras PNB | R$ 28,64 | -6,34% |
| GOAU4 | Metalúrgica Gerdau PN | R$ 11,09 | -4,31% |
| GGBR4 | Gerdau PN | R$ 24,54 | -3,23% |
| IRBR3 | IRB ON | R$ 6,71 | -3,03% |
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